Jacques Villeneuve critica comentário ‘estúpido’ de Lewis Hamilton após vitória

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Lewis Hamilton quebrou finalmente o jejum de vitórias, conquistando o seu primeiro triunfo ao serviço da Ferrari no Grande Prémio de Espanha, no Circuito da Catalunha, e reacendeu o debate em torno das críticas que lhe têm sido dirigidas por antigos pilotos de Fórmula 1. O britânico, sete vezes campeão do mundo, dominou grande parte da prova e cortou a meta com uma vantagem de 3,2 segundos sobre Max Verstappen (Red Bull), assinando ainda a volta mais rápida da corrida com 1:16.472. Charles Leclerc, companheiro de equipa na Ferrari, completou o pódio, 5,6 segundos atrás do vencedor, enquanto George Russell (Mercedes) e Lando Norris (McLaren) fecharam o top cinco.

Com esta vitória em Barcelona — a primeira desde o final da época de 2024 — Hamilton não só termina um período de dois anos sem triunfos, como também dispara para a luta pelo título de 2026, colocando pressão sobre Verstappen e Norris, até aqui protagonistas da temporada. O momento é particularmente significativo tendo em conta a época desastrosa de 2025, onde Hamilton não conseguiu sequer um pódio, algo inédito na sua carreira na Fórmula 1. A Ferrari, por sua vez, vê agora justificados os seus esforços para assegurar o piloto britânico, depois de meses de críticas internas e externas quanto ao seu desempenho.

As implicações para o campeonato são evidentes: Hamilton reaproxima-se do topo da classificação, reduzindo para apenas 12 pontos a diferença relativamente a Verstappen, que lidera o Mundial. O renascimento da Ferrari, agora com dois pilotos consistentes nos lugares cimeiros, ameaça a hegemonia recente da Red Bull e reacende a rivalidade histórica entre as duas equipas. Acresce ainda a dimensão pessoal, com Hamilton a responder aos críticos que, no ano passado, chegaram a sugerir que deveria abandonar a competição, alegando que “já não estava ao seu nível habitual”.

Após o triunfo em Espanha, Hamilton voltou a abordar as críticas dos antigos pilotos, sublinhando: “Para as pessoas que dizem coisas negativas, uso isso como combustível. Acho fácil ser-se negativo sobre os outros. Os piores são os ex-pilotos, que sabem quão difícil é estar neste pelotão e mesmo assim falam sem nunca terem conseguido o que eu alcancei.” As declarações do britânico tiveram eco imediato na Sky F1, onde Jacques Villeneuve, campeão do mundo em 1997, não escondeu o incómodo: “Ele fez um comentário estúpido em Montreal, quando disse que pelo menos o meu pai era melhor do que eu. Porque é que ele havia de dizer isso? Não me lembro de o ter criticado, por isso não penso que fosse sobre mim. Deve ter sido sobre ti, Nico”, disse Villeneuve, dirigindo-se a Rosberg, antigo colega de equipa de Hamilton na Mercedes.

Nico Rosberg, também ele campeão do mundo e actual comentador na Sky, alimentou a troca de palavras, afirmando: “Jacques, ele estava a falar de ti naquele momento. Cem por cento. Queres responder-lhe?” O debate terminou de forma descontraída, com Natalie Pinkham a comentar: “Isto é melhor, tragam pipocas.” Apesar do tom leve, este episódio evidencia a tensão latente entre os protagonistas e as figuras históricas do paddock.

Villeneuve já tinha no passado criticado o desempenho de Hamilton ao serviço da Ferrari, considerando que o britânico “não estava a dar à equipa aquilo que ela esperava”. O canadiano afirmou ainda que “Hamilton não sente que a equipa está com ele, e vice-versa”. No rescaldo da vitória em Espanha, Hamilton revelou também ter competido lesionado durante meses, fruto de um acidente durante testes privados em Barcelona no início de 2025: “O treino que fiz foi mais duro do que alguma vez experimentei, para manter a forma física. Lesionei-me aqui no início do ano passado e carreguei isso durante meses. Uma coisa que aprendi é nunca duvidar de mim próprio. Reconstruí a minha mentalidade para voltar a este nível. É uma sensação fantástica voltar ao topo e estar de novo no pódio”, confessou o britânico na conferência de imprensa pós-corrida.

O campeonato segue agora para o Grande Prémio da Áustria, onde a Ferrari procurará capitalizar o novo ímpeto. Hamilton volta a ser um candidato sério à vitória e à luta pelo título, enquanto Verstappen e Norris tentam contrariar a recuperação dos italianos. A disputa interna na Ferrari entre Hamilton e Leclerc promete aquecer ainda mais a época, e o ambiente no paddock está ao rubro, com antigos campeões e protagonistas a não perderem a oportunidade de marcar posição. O caminho para o título de 2026 ganhou um novo fôlego — e Hamilton, com o seu regresso ao topo, volta a ser o homem a bater.

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