Fórmula E regressa a sanya após ausência forçada pela pandemia

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Jean-Éric Vergne voltou a conquistar as luzes da ribalta ao vencer a última edição do E-Prix de Sanya, numa corrida marcada por intensos duelos e incidentes que ditaram o rumo do campeonato. Agora, após mais de sete anos de ausência forçada devido à pandemia, a Fórmula E regressa finalmente à ilha de Hainan, recuperando um palco estratégico no calendário e alimentando expectativas renovadas entre equipas, pilotos e adeptos.

O E-Prix de Sanya de 2024, integrado no Campeonato do Mundo de Fórmula E, decorre este sábado num traçado revisto de 2,48 km, ligeiramente mais longo do que a versão utilizada em 2019. Com 37 voltas previstas, os pilotos terão de gerir 38,5 kWh de energia utilizável, com um coeficiente de regeneração de 0,93, num ambiente onde se antecipam temperaturas elevadas e elevada humidade, factores que podem ser determinantes no rendimento dos pneus e na estratégia de corrida. A grelha de partida terá uma inovação: a chamada 'volta zero', durante a qual os pilotos circularão a 50 km/h desde a zona de saída fictícia, situada entre as curvas 4 e 5, até à linha de partida, localizada como em 2019 entre as curvas 10 e 11, num total de 535 metros de deslocação extra antes do arranque oficial.

A última visita da Fórmula E a Sanya, em 2019, ficou marcada pela vitória de Jean-Éric Vergne (DS Techeetah), que superou Oliver Rowland (Nissan) após uma ultrapassagem decisiva na última curva a cerca de 20 minutos do fim. O pódio foi então completado por António Félix da Costa (BMW), com a corrida a terminar sob safety car devido a um acidente entre Alexander Sims (BMW) e André Lotterer (DS Techeetah). A polémica envolveu ainda uma investigação a Vergne por uma alegada infração sob safety car, que acabou por não ter consequências, e uma penalização de 10 segundos para Sébastien Buemi (Nissan) após colisão com Lucas di Grassi (Audi). Este resultado foi crucial, catapultando Vergne para o terceiro lugar do campeonato e lançando-o para um percurso vitorioso que culminaria no seu segundo título consecutivo, feito único na história da competição.

O regresso a Sanya assume agora contornos estratégicos para a Fórmula E, não só pelo potencial de crescimento do mercado chinês no desporto automóvel como também pelo interesse crescente dos fabricantes locais em ingressar na modalidade. Jeff Dodds, CEO da Fórmula E, explicou em conferência de imprensa pré-evento: “Falo regularmente com os fabricantes chineses e estão muito determinados em entrar na competição apenas quando puderem ser imediatamente competitivos, traduzindo o seu domínio nos veículos eléctricos de estrada para o sucesso nas pistas. Mas todos sabemos que o sucesso na competição leva tempo, exige desenvolvimento e aprendizagem.” Dodds acrescentou ainda: “Estou muito optimista de que veremos um fabricante chinês no campeonato num futuro próximo. O ponto lógico de entrada será a meio da geração Gen4, talvez numa possível versão Evo, numa base de construtor pleno e não apenas como parceiro de equipa.”

Do ponto de vista desportivo, a luta pelo campeonato está ao rubro, com vários pilotos separados por escassos pontos, e a passagem por Sanya poderá ser determinante para as aspirações dos principais candidatos. A presença de fabricantes convidados, como sucedeu recentemente em Xangai, poderá ainda abrir portas a futuros investimentos e aumentar a competitividade do pelotão. Gary Paffett, director da Cupra Kiro Racing, antecipou uma corrida exigente: “A curva 9 será o ponto a observar. Em 2019, houve muita ação ali e duvido que este ano os pilotos sejam mais contidos. Com oito curvas à esquerda, os pneus do lado direito vão sofrer imenso. Se juntarmos o calor e a humidade, a gestão de pneus pode tornar-se ainda mais importante do que muitos pilotos esperam. Quem abusar demasiado cedo, vai pagar caro.”

A renovação do traçado traz novidades, nomeadamente uma curva 1 mais aberta, um duplo ápice à esquerda após a partida e uma secção final mais fluída, sem a barreira de saída que dificultava anteriormente a trajetória. Estas alterações deverão favorecer a fluidez da corrida, embora o traçado continue a privilegiar a posição em pista, tornando as ultrapassagens um desafio acrescido, mesmo com os dois modos de ataque disponíveis para cada piloto.

Com o regresso a Sanya, a Fórmula E reforça a sua presença na Ásia e dá um passo importante na consolidação do campeonato na região, antecipando futuras entradas de construtores chineses e consolidando rivalidades num pelotão cada vez mais competitivo. O próximo desafio será o E-Prix de Xangai, que sucederá imediatamente a Sanya, numa fase decisiva do calendário, onde cada ponto poderá fazer diferença na luta pelo título. Os olhos do mundo do desporto motorizado estarão postos em Hainan este fim-de-semana, onde história, inovação e ambição se cruzam novamente nas ruas de Sanya.

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