A Red Bull foi apanhada de surpresa com o veredicto da FIA sobre o estatuto de referência do seu motor de combustão interna (ICE) na Fórmula 1, depois de a federação ter comunicado às equipas que a unidade da Red Bull Powertrains é, neste momento, o novo padrão de desempenho, superando mesmo a Mercedes. Laurent Mekies, responsável máximo da RB, manifestou perplexidade e deixou claro que pretende uma reunião aprofundada com a FIA para perceber os dados e critérios que conduziram a esta decisão polémica, ainda mais depois de um Grande Prémio de Espanha onde Max Verstappen não foi além do quarto lugar, a mais de 40 segundos do vencedor, Lewis Hamilton.
Segundo as conclusões da FIA, anunciadas após o fim-de-semana do Mónaco, o motor de combustão interna da Red Bull Powertrains destacou-se entre todos os construtores, ficando a Mercedes a mais de 2% de diferença relativamente ao benchmark. Como consequência, a Mercedes recebeu autorização para uma oportunidade de atualização (upgrade), enquanto Ferrari, Audi e Honda, cujos ICE ficaram mais de 4% aquém do desempenho de referência, poderão usufruir de duas oportunidades de desenvolvimento. Estas medidas inserem-se no novo regulamento de ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities), criado precisamente para equilibrar a grelha, permitindo que os construtores com desvantagem técnica possam recuperar terreno.
O ADUO avaliou o desempenho dos ICE ao longo das cinco primeiras provas do campeonato de 2024, de Melbourne a Montreal, tendo as equipas recebido os resultados oficiais no Mónaco. O impacto destas conclusões é imediato: a Red Bull fica impedida de desenvolver o seu motor ICE até nova avaliação, enquanto os rivais diretos ganham margem para evoluir. Esta decisão pode influenciar de forma decisiva a evolução do campeonato de construtores, numa altura em que a competitividade entre Mercedes, Ferrari, McLaren e Red Bull está ao rubro.
Laurent Mekies, após o GP de Espanha, não escondeu o seu desconforto. “Estamos totalmente de acordo com o princípio de avaliar apenas a ordem de potência dos ICE. Foi algo consensual e não contestamos essa base”, começou por afirmar o francês, em conversa com vários órgãos de comunicação social. “O que nos deixa perplexos é não encontrarmos, em nenhuma análise interna, qualquer dado que sugira que temos vantagem sobre a Mercedes, muito menos sobre o resto da concorrência. Por isso, queremos uma conversa mais profunda com a FIA”, explicou Mekies, sublinhando as variações de desempenho de prova para prova. “Em circuitos com elevada sensibilidade à potência do ICE, como o Canadá ou Barcelona, qualificámo-nos em sexto. Em Mónaco, com baixa influência do motor, ficámos a apenas quatro centésimas da pole position. Não há nenhum dado consistente que nos coloque acima dos adversários, quanto mais sistematicamente à frente”, reforçou.
Questionado sobre o risco de outras equipas poderem usar os seus “tokens” de desenvolvimento de forma estratégica, Mekies mostrou-se pragmático: “Seria preciso ter uma certeza absoluta na avaliação da hierarquia dos ICE, para se atribuir confiança à equipa dominante e não à perseguidora. As diferenças relativas de performance variam com os traçados, algo que a FIA deveria ter em conta.”
Max Verstappen também foi confrontado com o tema após a corrida de Barcelona, num momento em que a Red Bull atravessa um período menos dominante. “Não sei”, respondeu o neerlandês, preferindo adotar uma postura reservada. “Espero que não nos limite no futuro, mas para já não quero responder diretamente. Talvez mais tarde, mas para já não tenho opinião formada.”
Este episódio adensa o clima de tensão entre as principais equipas e a FIA, numa época em que cada décima de segundo pode ser decisiva na luta pelo título. A próxima ronda do Mundial realiza-se em Spielberg, no Red Bull Ring, onde se espera que as conclusões do ADUO continuem a gerar debate e possam influenciar não só a estratégia da Red Bull como a de todos os construtores que beneficiaram das oportunidades extra de desenvolvimento.
Com a Mercedes e Ferrari agora autorizadas a melhorar os seus motores, a pressão está do lado da Red Bull para manter a liderança no campeonato. Se os rivais conseguirem capitalizar estas oportunidades, a luta pelo título poderá ganhar um novo fôlego nas próximas provas. Os próximos capítulos prometem manter os adeptos portugueses atentos à evolução técnica e desportiva de um Mundial de Fórmula 1 cada vez mais imprevisível e disputado.
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