Hamilton questiona decisão da FIA ao considerar Red Bull com melhor motor

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O veredicto da FIA sobre a vantagem do motor Red Bull foi recebido com surpresa por Lewis Hamilton, que não hesitou em desafiar a avaliação oficial e sublinhar que a unidade motriz da Mercedes continua a ser uma das melhores da grelha. O piloto britânico, que conhece profundamente o motor Brixworth após doze anos ao serviço da Mercedes, questionou os critérios e conclusões do relatório ADUO, mesmo perante rumores de que a Red Bull teria a unidade motriz mais forte da Fórmula 1.

Segundo informações internas, o Red Bull Powertrains teria sido considerado o motor mais potente com base apenas no desempenho do motor de combustão interna. Estes dados contrastam com os resultados em pista, já que, até ao momento, a Mercedes venceu todas as corridas da temporada. No mais recente Grande Prémio do Mónaco, disputado no emblemático Circuito do Principado, Hamilton terminou a prova a seis segundos do vencedor, Kimi Antonelli, apesar de uma interrupção tardia com bandeira vermelha. O britânico reforçou, contudo, a sua confiança na capacidade técnica da Mercedes.

Hamilton abordou a questão após a qualificação em Barcelona, afirmando: “Isto é, sem dúvida, uma surpresa, porque os motores da Red Bull e da Mercedes estão muito, muito próximos. A Red Bull fez um trabalho incrível com a sua unidade motriz, mas a Mercedes também. Ouvi dizer que algumas pessoas da Mercedes foram para a Red Bull. Seja como for, conseguiram fazer algo que ninguém pensava ser possível num espaço tão curto de tempo para um novo fabricante de motores, e dou-lhes mérito por isso. Penso que a Mercedes continua a ter um banco de desenvolvimento tão bom quanto qualquer outro, talvez até uma unidade motriz tão boa quanto a da Red Bull. Está muito, muito equilibrado entre eles, portanto essa decisão não cabe a mim no final do dia”.

Apesar do alegado favoritismo da Red Bull em termos de potência, Hamilton fez questão de salientar que as diferenças de desempenho em Mónaco não se deveram à potência do motor, mas sim à eficiência aerodinâmica. “Acho que é apenas pura carga aerodinâmica”, explicou o sete vezes campeão do mundo. “Vimos em Miami que trouxemos um pacote de evoluções, no qual a equipa trabalhou arduamente. A Mercedes não trouxe nenhuma evolução e venceu facilmente. Depois, trouxeram um grande pacote de evoluções, quatro décimos, meio segundo, o que fosse, para Montreal. Como era um circuito relativamente lento, talvez não se tenha notado tanto, mas em Mónaco, quando estava atrás dele, via claramente como conseguia acelerar mais cedo e quanta tracção tinha nas curvas. Não conseguia acompanhar isso, e isso é pura aerodinâmica”.

O resultado do relatório ADUO, ao atribuir o topo do ranking à unidade motriz da Red Bull, surpreendeu também responsáveis das equipas, que consideram o processo de avaliação da FIA pouco transparente. “O que aconteceu é desconcertante”, admitiu um elemento da Mercedes sob anonimato, manifestando dúvidas sobre a metodologia utilizada e as potenciais consequências para o equilíbrio competitivo do campeonato.

No contexto do Mundial de Fórmula 1, esta polémica surge numa altura em que a luta pelo título está ao rubro, com a Mercedes e a Red Bull a dividirem vitórias e a rivalidade a atingir novos patamares. As decisões técnicas da FIA e a troca de engenheiros entre equipas vieram adensar a narrativa de que o domínio pode mudar de mãos a qualquer momento. Hamilton, apesar das dificuldades sentidas em Mónaco, mantém-se optimista quanto ao potencial da Mercedes para recuperar terreno e continuar a lutar pelas vitórias.

O próximo desafio será o Grande Prémio do Canadá, em Montreal, onde se espera que tanto a Mercedes como a Red Bull tragam novas soluções técnicas e estratégias afinadas para explorar ao máximo o rendimento das suas unidades motrizes. Com o campeonato ao rubro e as margens de diferença cada vez mais curtas, cada detalhe poderá ser decisivo na luta pelo título, e a discussão sobre qual é, afinal, o melhor motor da Fórmula 1 promete continuar a marcar o debate nas próximas semanas.

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