George Russell viu as suas aspirações ao título de Fórmula 1 sofrerem um duro revés nas últimas rondas, uma realidade que o próprio piloto da Mercedes já admite. Depois de um início de época fulgurante, com vitória no Grande Prémio da Austrália, Russell tem acumulado azares e resultados aquém das expectativas, afastando-se cada vez mais do topo do campeonato. A pressão, garante o britânico, “já saiu de cima dos ombros”, com as atenções agora centradas em aproveitar cada corrida ao máximo e reencontrar a confiança ao volante.
A actual classificação do Campeonato do Mundo de Pilotos espelha bem o momento difícil de Russell. Depois de seis provas, o piloto ocupa o terceiro posto, com uma única vitória e 98 pontos, a dois do segundo classificado, Lewis Hamilton, e já a distantes 68 pontos do líder destacado, Kimi Antonelli. O jovem prodígio italiano da Mercedes tem dominado por completo, somando cinco triunfos consecutivos e reforçando a vantagem na liderança. Russell, por seu lado, não sobe ao pódio desde Xangai, na segunda ronda da época, e nas duas últimas corridas – Mónaco e Canadá – ficou em branco, sem qualquer ponto, agravando o fosso para a frente da tabela.
Este desenrolar da época tem sido marcado por fatores externos que têm condicionado o rendimento do britânico. Russell foi vítima de um problema técnico que comprometeu a sua pole position e aspirações de vitória na China, de um safety car mal cronometrado no Japão, de uma falha de unidade motriz quando liderava no Canadá e ainda de uma penalização controversa no Mónaco. Todos estes episódios acabaram por limitar as oportunidades de pontuar de forma consistente, afastando Russell da luta pelo título quando a temporada ainda vai a meio.
Em declarações aos jornalistas antes do Grande Prémio de Espanha, em Barcelona, Russell mostrou-se resignado com o atual panorama e explicou a mudança de mentalidade: “Sim, tem sido muito difícil, claro, lidar com o desfecho deste último fim de semana. Mas honestamente, quando me sentei e pensei nesta temporada como um todo, se tivesse sido apenas uma época limpa – não uma época de sorte, mas simplesmente neutra – acho que teria mais três pódios. Teria cinco pódios em seis corridas, talvez mais uma vitória ou outra, e duas vitórias em três corridas sprint. Ainda assim, provavelmente estaria um pouco atrás do Kimi na classificação, mas o cenário seria totalmente diferente”.
O piloto da Mercedes fez questão de sublinhar que já não sente o peso da obrigação de lutar pelo título nesta fase: “Neste momento, só quero ir para cada corrida e controlar aquilo que realmente posso controlar. Não posso fazer nada quanto a avarias de motor, não posso influenciar o timing dos safety cars, nem situações de infração na via das boxes que já estão fora do meu alcance. Sinto que a pressão saiu. Vou apenas tentar desfrutar de cada corrida, sem pensar sequer no campeonato. Está tão fora de alcance neste momento que só quero divertir-me, conduzir depressa e fazer aquilo que sei que sou capaz – o que sempre fiz na minha carreira de Fórmula 1. É isso que me motiva agora”.
O estado de espírito de Russell contrasta com a maré positiva de Kimi Antonelli, que continua a cimentar o estatuto de novo favorito ao título mundial. O domínio do italiano, com cinco vitórias seguidas e uma vantagem confortável para Hamilton e Russell, está a reescrever o equilíbrio de forças na Mercedes e a lançar um novo capítulo na rivalidade interna. Hamilton, por sua vez, mantém-se na perseguição, mas também já sente a pressão do jovem colega e do distanciamento pontual.
A próxima ronda do Mundial acontece já este fim de semana no Circuito de Barcelona-Catalunha, uma pista tradicionalmente exigente para pilotos e máquinas. Para Russell, será uma oportunidade para tentar inverter a maré de azar e recuperar a confiança, mesmo que o objectivo do campeonato pareça cada vez mais distante. A luta pelos lugares do pódio mantém-se em aberto, com a Mercedes a procurar reagir à supremacia de Antonelli e os restantes candidatos a querer aproveitar qualquer deslize do líder. Com mais de metade da época ainda por disputar, tudo pode acontecer, mas para Russell, o foco imediato é regressar aos bons resultados e, acima de tudo, voltar a desfrutar do que faz melhor: correr ao mais alto nível.
Não perca um segundo da Fórmula 1, Nascar, IndyCar e muito mais na aplicação mais completa do Mundo, basta carregar – AQUI (GRATUITO)
