Kimi Antonelli protagonizou um momento histórico no Grande Prémio do Mónaco, ao garantir uma vitória dominante que não só surpreendeu a grelha, como também suscitou inevitáveis comparações com Ayrton Senna – o lendário “Rei do Mónaco”. No entanto, o jovem piloto da Mercedes, de apenas 19 anos, rejeitou taxativamente qualquer paralelismo com o tricampeão mundial de Fórmula 1, salientando que ainda está “muito longe” do patamar alcançado pelo brasileiro.
A corrida no icónico circuito citadino ficou marcada pelo brilhantismo de Antonelli, que na qualificação arrancou uma volta absolutamente magistral, conquistando a pole position diante de Max Verstappen, e dos Ferrari de Lewis Hamilton e Charles Leclerc. Numa Mercedes que, até então, não parecia ter argumentos para lutar pela vitória, o italiano extraiu tudo do carro na derradeira fase da qualificação, surpreendendo adversários e público. No domingo, confirmou a supremacia ao liderar de fio a pavio, sem ceder à tradicional estratégia de “travar” o pelotão para evitar undercuts, optando antes por imprimir um ritmo fortíssimo desde o arranque.
Antonelli chegou mesmo a construir uma vantagem de cerca de 20 segundos sobre os perseguidores, diferença que só foi anulada por um safety car tardio. Ainda assim, o jovem piloto voltou a distanciar-se após o recomeço e cortou a meta com seis segundos de avanço em apenas oito voltas. Um desempenho que ficará para a história do Mónaco, evocando a forma como Senna dominava as ruas do principado – onde venceu por seis vezes entre 1987 e 1993.
O domínio de Antonelli não passou despercebido e rapidamente começaram as comparações com Senna, cuja fama de velocista em qualificação, agressividade em pista e sede de vitória o tornaram numa referência incontornável da modalidade. O brasileiro somou 65 poles, 40 triunfos e três títulos mundiais em apenas 161 Grandes Prémios, até à trágica morte em Ímola, em 1994. Para muitos, Senna continua a ser o padrão máximo de talento na Fórmula 1, mas Antonelli fez questão de rejeitar qualquer associação directa, durante o fim-de-semana do Grande Prémio de Espanha, em Barcelona.
Em declarações aos meios de comunicação, incluindo a Total-Motorsport, Antonelli afirmou: “Não, não li nada sobre isso [comparação]. E, para ser sincero, também não gosto muito da comparação. Não sinto que deva ser comparado a alguém que fez a história deste desporto e eu ainda não alcancei nem uma pequena parte do que ele conseguiu. Por isso, não acho que seja justo, e a verdade é que, por todas essas razões, não gosto. Ele é o meu ídolo, é alguém que me inspira, mas sinto que não é justo ser comparado com ele, especialmente nesta fase da minha carreira. Isto é apenas o início, ainda há tanto para conquistar, tanto para fazer e tanto para melhorar, e sinto que estou muito longe do seu nível. Essa é a minha resposta”, rematou o piloto da Mercedes.
Com esta vitória no Mónaco, Antonelli reforçou ainda mais a liderança no campeonato de 2026, contando agora com uma vantagem de 66 pontos sobre Lewis Hamilton, enquanto George Russell caiu para terceiro, após dois fins-de-semana complicados no Canadá e no Mónaco, onde somou apenas oito pontos no total. Antonelli soma quatro pole positions e cinco vitórias nas primeiras seis provas do ano, tendo ainda arrecadado quatro voltas rápidas – uma demonstração inequívoca do domínio e consistência que tem exibido nesta temporada.
Apesar da tenra idade, o piloto italiano garante que não sente o peso da responsabilidade, preferindo focar-se no prazer de competir e na oportunidade única que está a viver: “Sinto-me, antes de mais, muito sortudo por estar na posição em que estou”, confessou Antonelli, após a prova no Mónaco. “Claro que exige muito esforço e compromisso, e o trabalho ainda não está feito – temos de continuar a dar o máximo. Mas disse a mim próprio no início do ano que queria aproveitar ao máximo todos os fins-de-semana, todo o tempo dentro do carro, porque sinto que, quando o faço, consigo extrair e maximizar o meu desempenho.”
O jovem destacou ainda a importância do ambiente na equipa: “Tem sido um factor determinante. Ajudou-me a pilotar de forma mais relaxada e não tão tenso como no ano passado. Isso faz uma grande diferença. E, novamente, competir sem me preocupar com mais nada a não ser maximizar o desempenho em pista também tem sido fundamental – só me concentro no que tenho de fazer, sem distrações.”
O campeonato segue agora para o Grande Prémio do Canadá, onde Antonelli tentará consolidar ainda mais a vantagem e dar mais um passo rumo ao seu primeiro título mundial de Fórmula 1. Já Hamilton e Russell terão de reagir rapidamente, sob pena de verem as aspirações ao título ficarem ainda mais distantes. A época promete continuar ao rubro, com Antonelli a escrever o seu nome entre os grandes talentos da nova geração, mesmo que, para já, recuse quaisquer paralelismos com lendas do passado como Ayrton Senna.
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