Toyota busca reconquistar o domínio perdido nas 24 Horas de Le Mans

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A vitória escapou à Toyota de forma dramática há exactamente uma década nas 24 Horas de Le Mans, mas em 2024 o construtor japonês regressa à mítica prova com ambições renovadas e uma motivação extra alimentada por recentes reveses e uma grelha mais competitiva do que nunca. A expectativa é máxima: será este o ano em que a Toyota recupera o seu domínio absoluto na clássica francesa, ou ficará novamente à mercê de rivais cada vez mais ameaçadores, como a Ferrari, a Porsche e a Peugeot?

A 92.ª edição das 24 Horas de Le Mans, integrada no Campeonato do Mundo de Resistência (WEC), decorre no Circuito de la Sarthe, onde 23 Hypercars alinham à partida, incluindo os dois Toyota GR010 Hybrid inscritos pela Toyota Gazoo Racing. Na qualificação, a concorrência intensificou-se: a pole position foi conquistada por Kevin Estre ao volante do Porsche #6, com um tempo impressionante de 3m24,634s, deixando o Toyota #7, pilotado por Kamui Kobayashi, apenas a 0,573 segundos. O Toyota #8, de Sébastien Buemi, parte da terceira linha, evidenciando as dificuldades acrescidas da marca nipónica face a uma grelha cada vez mais recheada de construtores históricos e estreias prometedoras como a Alpine e a BMW.

O resultado da qualificação deixa claro que o domínio que a Toyota exerceu entre 2018 e 2022 está a ser duramente contestado nesta nova era Hypercar. Desde o célebre desaire de 2016, quando o carro japonês cedeu a vitória nos instantes finais, que a marca de Aichi procurava redimir-se — algo que concretizou em 2018 com a primeira vitória global, dando início a uma sequência de cinco triunfos consecutivos. Contudo, em 2023, a Ferrari quebrou esta hegemonia e, para 2024, as probabilidades de um regresso ao topo são tudo menos garantidas, com a Toyota a enfrentar rivais que melhoraram significativamente o seu ritmo e fiabilidade.

Kazuki Nakajima, agora director-executivo da Toyota Gazoo Racing Europe, recordou antes da prova: “A derrota de 2016 deixou-nos cicatrizes profundas, mas também uma enorme vontade de evoluir. O segredo foi nunca desistir e aprender com cada erro. Hoje, vemos uma grelha mais forte, mas a nossa determinação é igual ou maior.” Kamui Kobayashi, piloto e também director da equipa, reforçou após a qualificação: “A concorrência está feroz. O Porsche foi muito rápido, mas acreditamos no nosso trabalho de preparação para a corrida. Numa prova de 24 horas, tudo pode acontecer e sabemos que temos uma equipa unida e pronta para todos os desafios.” Por seu lado, Sébastien Buemi sublinhou: “Temos de ser perfeitos em cada detalhe – estratégia, paragens, ritmo e resistência. Aprendemos muito nas últimas temporadas e estamos prontos para lutar até ao fim.”

Olhando para a restante grelha, a Porsche, vencedora da qualificação, chega a Le Mans motivada pelos sucessos recentes no WEC, enquanto a Ferrari, detentora do título, e a Peugeot, com o seu inovador 9X8, prometem baralhar ainda mais as contas. O equilíbrio de prestações entre as máquinas Hypercar obriga a um esforço tático e técnico redobrado, tornando praticamente impossível prever o desfecho final.

A próxima paragem do campeonato será as 6 Horas de São Paulo, mas todos os olhos estão postos agora em Le Mans, onde a Toyota procura não só recuperar a glória perdida, como também consolidar a sua posição num campeonato cada vez mais competitivo e imprevisível. Em jogo estão preciosos pontos para as contas do WEC e, sobretudo, o prestígio de triunfar na mais lendária prova de resistência do mundo. Se a Toyota conseguir capitalizar experiência, fiabilidade e uma estratégia irrepreensível, poderá muito bem escrever um novo capítulo dourado na sua já longa história em Le Mans. Caso contrário, os rivais estão prontos para aproveitar qualquer deslize e prolongar o jejum japonês no topo do pódio da “catedral” da resistência.

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