Red Bull contesta FIA após recusa de atualização aduo ao motor

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A decisão da FIA em recusar à Red Bull qualquer actualização ao abrigo do regime de Additional Upgrade and Opportunities (ADUO) gerou polémica e promete agitar os bastidores da Fórmula 1. A estrutura austríaca, actualmente determinada como referência dos motores, viu-se impedida de beneficiar das fichas de desenvolvimento, enquanto rivais directos como Mercedes, Ferrari, Audi e Honda foram contemplados com oportunidades para evoluir as suas unidades motrizes já em 2026.

No Grande Prémio do Mónaco de 2026, o abandono prematuro de Max Verstappen, incapaz de arrancar para além da curva Saint Devote devido a falhas no MGU-K, evidenciou as fragilidades da Red Bull na componente eléctrica da sua unidade motriz. Isack Hadjar, companheiro de equipa, também enfrentou problemas de fiabilidade. Os tempos de volta e o ritmo apresentados pela Red Bull em circuitos de potência, como Xangai, Montreal e Miami, já tinham levantado dúvidas quanto ao real equilíbrio entre as diferentes áreas técnicas dos motores. De acordo com os dados revelados, a Mercedes encontra-se mais de 2% atrás da Red Bull Powertrains (RBPT) na potência do motor de combustão interna, traduzindo-se numa diferença de 12 a 24 cavalos, mas com clara supremacia na geração e recuperação energética pelo MGU-K.

O esquema ADUO foi implementado para evitar que a Fórmula 1 voltasse a ser um campeonato decidido quase exclusivamente pelo desempenho dos motores, numa era em que a componente eléctrica representa 47% da entrega de potência – um aumento considerável face a anos anteriores. O objectivo é permitir que fabricantes com unidades motrizes menos competitivas possam recuperar terreno face à referência estabelecida. Contudo, a FIA optou por avaliar apenas o desempenho do motor de combustão interna ao atribuir as fichas de desenvolvimento, ignorando o domínio que a Mercedes tem demonstrado na parte eléctrica.

Toto Wolff, director da Mercedes, comentou após a decisão: “Estamos satisfeitos com a clareza do regulamento, mas compreendemos as frustrações dos nossos rivais. Cabe-nos maximizar estes recursos para continuar a liderar na componente eléctrica.” Já Christian Horner, chefe de equipa da Red Bull, manifestou-se indignado: “É inexplicável que não tenhamos acesso a evoluções quando a nossa maior fraqueza está precisamente no MGU-K. Vamos exigir total transparência da FIA sobre os critérios usados.” Verstappen, visivelmente frustrado após o abandono no Mónaco, afirmou: “Trabalhámos duro para ser competitivos em todas as áreas, mas esta decisão penaliza quem aposta no equilíbrio e não apenas na potência pura do motor.”

Analistas e elementos do paddock questionam a justiça do ADUO. A Mercedes, detentora do melhor sistema MGU-K, pode agora investir ainda mais no desenvolvimento eléctrico, ampliando a vantagem numa área onde já é claramente superior. Por outro lado, Ferrari, Audi e Honda – que abastece exclusivamente a Aston Martin – recebem a oportunidade de evoluir, mas permanecem limitados por não conseguirem impor-se nos circuitos de alta velocidade. McLaren, embora utilize o mesmo bloco motriz da Mercedes, só poderá aproximar-se através do desenvolvimento do chassis e aerodinâmica, uma vez que as restrições do ADUO não lhe permitem intervir no motor.

O futuro imediato promete novas batalhas fora das pistas. A próxima avaliação do ADUO poderá perpetuar o statu quo, caso Mercedes opte por não gastar as suas fichas e, assim, manter Red Bull impedida de evoluir a parte eléctrica da sua unidade motriz. Este cenário poderá transformar fins-de-semana como o Grande Prémio de Itália num confronto restrito entre os Mercedes de Kimi Antonelli e George Russell, afastando Ferrari, Audi e Honda da luta pelas vitórias em circuitos de potência.

A Red Bull já formalizou o pedido de esclarecimentos à FIA e ameaça escalar o diferendo para instâncias superiores caso não obtenha uma resposta satisfatória. O próximo Grande Prémio – e as decisões que aí possam surgir – será determinante para perceber se o equilíbrio competitivo desejado pelo ADUO é de facto uma realidade, ou se a Fórmula 1 corre o risco de entrar numa nova era de dominação tecnológica ditada nos bastidores.

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