Charles Leclerc explodiu em fúria após o desastroso desfecho do Grande Prémio de Mónaco, em que perdeu não só a hipótese de subir ao pódio, mas também a vitória em casa. O piloto da Ferrari viu o seu sonho desfeito numa curva fatídica, pouco depois do safety car provocado pelo acidente de Lance Stroll na volta 60, momento que marcou o ponto de viragem na corrida.
Leclerc tinha estado na luta pelo pódio durante toda a prova e entrou no fim-de-semana como um dos favoritos ao triunfo, mas o seu desempenho desmoronou-se após a paragem nas boxes para pneus novos na relargada. Foi precisamente nessa altura que o monegasco chocou contra o muro no mesmo local onde Stroll tinha perdido o controlo momentos antes. No rádio da equipa, Leclerc não escondeu a sua raiva e desespero: “Honestamente, nem vou assumir a responsabilidade. Estes travões de m****!”, exclamou, visivelmente frustrado.
A prova foi interrompida por bandeira vermelha durante 37 minutos, devido à degradação do asfalto na última curva, que obrigou a intervenção da FIA para reparar o piso. Quando a corrida recomeçou, já sem Leclerc na pista, Lewis Hamilton, colega de equipa da Ferrari, não conseguiu ultrapassar Kimi Antonelli, mas garantiu o segundo lugar, subindo assim no campeonato e ultrapassando o próprio Leclerc na classificação geral.
Após o acidente, o piloto da Ferrari mostrou-se desolado perante os jornalistas, deixando críticas duras à performance dos travões do seu carro. Questionado pela Sky Sports sobre as causas do acidente, Leclerc explicou: “Os travões. Não ajuda o asfalto a desfazer-se, mas os dados falam por si. Não sei quanto posso aprofundar, mas é extremamente frustrante. Sempre fui muito honesto e, por mais erros que cometa, detesto dar desculpas. Por isso, sou sempre direto à frente das câmaras, mas hoje não vou assumir a culpa.”
Leclerc detalhou ainda as dificuldades técnicas que enfrentou: “Não é sequer uma questão de travar. Toquei nos travões e houve algo que… nos travões dianteiros partiu muito mais do que esperava, e nos traseiros não havia desaceleração nenhuma. Era como se não tivesse travões atrás. É isto que venho a lidar nas últimas duas corridas. Houve diferenças entre os carros, mas não creio que tenha sido uma desvantagem para mim até aqui. Em Mónaco e Montreal, com temperaturas baixas nos pneus, a inconsistência e a sensibilidade dos pneus no limite foram um pesadelo absoluto.”
O piloto não poupou palavras ao descrever o impacto da situação: “Pesei as palavras e não tenho muito para dizer hoje. Pareço um idiota. E quando pareces um idiota por um erro teu, tudo bem, mas aqui foi quase perigoso.”
Leclerc revelou que a equipa já tem uma solução em vista: “Temos a solução e vou seguir a direção do Lewis a partir da próxima corrida, o que vai resolver os problemas que enfrento. Talvez a configuração do Lewis tenha outros problemas, mas eu só preciso de consistência, e é isso.”
Este desabafo público de Leclerc lança uma luz sobre as tensões internas na Ferrari e os desafios técnicos que o piloto enfrenta nesta temporada, numa altura crucial para as aspirações da equipa italiana no campeonato. A atenção está agora voltada para as próximas provas, onde se espera ver se as alterações prometidas trarão finalmente a estabilidade que Leclerc tanto necessita para lutar pelo título.
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