Flavio Briatore não esconde o entusiasmo perante a possibilidade de Christian Horner integrar o projeto de investimento no Alpine, num momento em que o futuro do monolugar francês está em aberto e suscita grande especulação. O antigo chefe da Red Bull poderá regressar ao paddock da Fórmula 1 não como piloto, mas como parte interessada na equipa de Enstone, caso o consórcio do qual faz parte vença a corrida pela aquisição da participação de 24% detida pela Otro Capital.
Desde que deixou a Fórmula 1 após o Grande Prémio da Grã-Bretanha do ano passado, Christian Horner tem sido associado a vários projectos para regressar ao desporto, entre eles precisamente este investimento no Alpine. Flavio Briatore, antigo director da Benetton e figura influente ligada à Renault, mostrou-se disponível para trabalhar com Horner, recordando a relação de quase duas décadas que mantêm e os anos de colaboração no desenvolvimento de motores Nissan.
“Ficaria feliz em trabalhar com qualquer pessoa, honestamente. Não creio que seja esse o ponto agora”, afirmou Briatore, comentando o interesse de Horner. “Não sei se o Christian está envolvido num grupo que pretende comprar ou não. Para mim, seja quem for, é bem-vindo, especialmente o Christian. Tenho uma relação excecional com ele, trabalhámos juntos durante cinco anos em motores fornecidos pela Renault — na altura chamados Nissan.”
A venda da quota da Otro Capital é um processo complexo, com várias partes interessadas. Para além do consórcio de Horner, a Mercedes-Benz GmbH chegou a apresentar uma proposta, mas acabou por retirar-se após polémicas relativas à propriedade cruzada em Fórmula 1. Por outro lado, a Renault Group mantém um direito de veto sobre qualquer novo investidor, podendo mesmo exercer o direito de preferência para adquirir a totalidade da equipa e depois vender uma parte a outro parceiro.
Documentos internos revelam que a Otro Capital não pode alienar as suas ações antes de setembro, salvo se forem aplicados mecanismos para antecipar esse prazo. Contudo, a avaliação da participação de Otro, feita em cerca de 620 milhões de dólares, é considerada excessiva face ao valor inicial de aquisição de aproximadamente 215 milhões em meados de 2023, o que tem dificultado as negociações.
Briatore sublinhou ainda que a Renault procura um parceiro que traga mais do que capital — que acrescente valor estratégico e operativo à equipa — e não um investidor passivo. “A Otro é um problema do Renault Group, não propriamente da equipa. Há muita negociação em curso com diferentes partes, incluindo, na altura, o Christian. Qualquer solução que a Renault encontre será aceite, mas quem comprar precisa do aval da Renault. É difícil imaginar alguém a investir 600 milhões numa participação minoritária sem a aprovação do acionista maioritário. Não percebo esta doutrina política, honestamente, porque neste momento não vai resultar.”
À medida que a Fórmula 1 se aproxima do início da temporada, a incerteza sobre a estrutura accionista do Alpine mantém-se, mas a possibilidade de ver Christian Horner de regresso ao paddock como investidor acrescenta uma camada extra de interesse a este dossier. Se a operação avançar, Briatore será, sem dúvida, uma peça-chave na integração do antigo chefe da Red Bull, reforçando uma ligação histórica à Renault e à Fórmula 1 que remonta a décadas.
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