Max Verstappen não perdeu a oportunidade para lançar uma facada certeira à McLaren depois da estratégia desastrosa da equipa britânica no Grande Prémio do Canadá. Uma decisão arriscada que voltou-se contra a McLaren e que acabou por entregar ao piloto da Red Bull duas posições valiosas antes mesmo da corrida estabilizar.
O cenário estava montado no circuito Gilles Villeneuve, onde a chuva ameaçava condicionar a prova. As previsões apontavam para um piso molhado, mas à medida que o início da corrida se aproximava, a possibilidade de chuva começou a diminuir. Vários pilotos, incluindo os da Red Bull, realizaram uma volta de reconhecimento com pneus intermédios para avaliar as condições do traçado, ainda húmido por efeitos da chuva caída durante o dia. Verstappen e o jovem Isack Hadjar descartaram os pneus intermédios antes da volta de formação, mas a McLaren decidiu arriscar, acreditando que mais chuva viria a cair.
A aposta da McLaren revelou-se um erro fatal. Oscar Piastri sentiu-se “a flutuar” com os intermédios na volta de formação e avisou a sua equipa que seria um “erro” manter-se com esses pneus. Piastri entrou logo na box na primeira volta para colocar pneus slick, seguido de perto pelo seu colega Lando Norris, que chegou a liderar a corrida por breves instantes antes de também trocar de pneus na volta seguinte. Enquanto isso, Verstappen beneficiava da confusão e subia ao terceiro lugar, conquistando duas posições de forma praticamente imerecida.
“Foi uma grande jogada deles”, comentou Verstappen, com um sorriso de quem agradece o presente inesperado. “Estava mesmo a pensar, ‘Obrigado’.”
Além da estratégia da McLaren, Verstappen viu a sua progressão facilitada pela desistência de George Russell, que abandonou enquanto lutava pelo primeiro lugar com Kimi Antonelli. “Estava a sentir-me melhor em Miami com o carro, por isso estou um pouco surpreendido por estar no pódio aqui”, confessou o piloto da Red Bull. “Mas temos de olhar para o quadro completo: a saída do George, a confusão da McLaren com a estratégia… Claro que estou muito contente por estar aqui. Fizemos um bom trabalho e conseguir o nosso primeiro pódio esta época é muito positivo, ainda por cima em condições bastante complicadas.”
Do lado da McLaren, Andrea Stella, diretor da equipa, defendeu a decisão de começar a corrida com pneus intermédios. O italiano explicou que, quando saíram para a formação, as condições do traçado justificavam esta opção. “Os pneus foram colocados cinco minutos antes da partida, e tivemos cerca de sete minutos para tomar uma decisão operacional”, esclareceu Stella. “Na nossa perspetiva, a pista estava escorregadia. Já era difícil manter a temperatura dos pneus num piso seco, e na altura estava mesmo escorregadia e a chover. Achámos que os intermédios eram a escolha correta para aquele momento.”
Stella lamentou ainda a rápida mudança das condições meteorológicas e a decisão incomum de realizar duas voltas de formação, o que acabou por prejudicar a McLaren: “A chuva parou muito rápido e houve uma volta extra de formação que retirou o melhor da nossa decisão. Teria sido interessante ver os carros com pneus slick se a corrida tivesse começado na hora prevista. Foi um pouco de azar, mas na altura da decisão as condições justificavam os intermédios. Foi uma mudança muito rápida.”
Este episódio dramático no Canadá ilustra como a Fórmula 1 é uma batalha de decisões rápidas e precisas, onde um passo em falso pode custar posições valiosas e beneficiar adversários que sabem aproveitar cada oportunidade. Verstappen saiu a ganhar, McLaren aprendeu da forma mais dura e o campeonato promete ainda mais emoções fortes.




