O BMW 745i SA usou este motor por causa do volante à direita
O BMW M88 nasceu para o M1 e deu origem ao M88/3, um 6 cilindros atmosférico de 3,5 litros e 286 cv. Em 1984, essa mecânica chegou ao primeiro M5 e também equipou o M635CSi e uma rara berlina de luxo sul-africana.
O essencial
- O M88 do BMW M1 deu origem ao M88/3 de 3,5 litros, com 286 cv e cerca de 340 Nm.
- O M88/3 tinha 24 válvulas, borboletas individuais e gestão eletrónica Bosch Motronic.
- O BMW 745i SA recebeu este motor devido aos problemas de instalação da mecânica turbo com volante à direita.
O motor desenvolvido para o BMW M1 acabou por encontrar lugar em berlinas familiares. A história recuperada pela CarBuzz acompanha a passagem do M88 de um superdesportivo para modelos como o primeiro M5 e o pouco conhecido 745i sul-africano.
O M88/3, segundo o AutoGear apurou, levou essa base mecânica ao M5 E28 em 1984 e também equipou o M635CSi E24 europeu. Em ambos, o 6 cilindros em linha atmosférico de 3,5 litros debitava 286 cv e cerca de 340 Nm.
BMW M88 nasceu no M1

Segundo a CarBuzz, a BMW Motorsport começou a desenvolver o M88 em meados dos anos 70, em paralelo com o M1. Partiu do bloco M30, utilizado em modelos como o BMW 3.0 CSL, mas redesenhou profundamente a cabeça para receber 24 válvulas e 2 árvores de cames.
O diâmetro dos cilindros rondava 93,5 mm e o curso dos pistões 84,1 mm. Quando o M1 estreou em 1978, o M88 entregava 277 cv e cerca de 330 Nm, com lubrificação por cárter seco e injeção mecânica Kugelfischer. O motor pesava aproximadamente 181 kg num automóvel com cerca de 1.300 kg.
A produção do M1 terminou em 1981, mas a mecânica encontrou continuidade no M88/3. A evolução recebeu uma taxa de compressão superior e alterações na ignição e na alimentação, de acordo com a mesma fonte. O M5 foi o primeiro Série 5 com o emblema M, enquanto o M635CSi inaugurou a vertente desportiva do Série 6.
A engenharia dos 286 cv

O M88/3 tinha 1 borboleta de admissão por cilindro, solução que favorecia a passagem de ar e uma resposta quase imediata ao acelerador. Segundo a CarBuzz, a gestão eletrónica Bosch Motronic substituiu a injeção mecânica do M1, enquanto o cárter húmido tomou o lugar do cárter seco.
A manutenção exigia atenção às folgas das válvulas. O M88/3 usava pastilhas para a afinação, com verificações periódicas, ao contrário do atual S58, que dispensa essa intervenção por parte dos proprietários.
Nos ensaios da época, o M635CSi apresentava os mesmos 286 cv e cerca de 340 Nm anunciados pela BMW. A potência máxima surgia às 6.500 rpm e o binário máximo às 4.000 rpm. Era preciso explorar o regime do M88/3 para aproveitar as suas prestações, com uma relação direta entre acelerador, rotações e aceleração.
O improvável 745i sul-africano
A aplicação menos conhecida surgiu no Série 7 E23 vendido na África do Sul. Segundo a CarBuzz, o motor turbo do 745i convencional criava problemas de instalação com o volante à direita exigido naquele mercado. A BMW resolveu-os com o M88/3 atmosférico, dando origem ao 745i SA.
O artigo atribui à BMW uma produção de cerca de 278 exemplares entre 1985 e 1987. Refere ainda uma velocidade máxima de aproximadamente 241 km/h para esta berlina de grandes dimensões com mecânica derivada do M1.
Do atmosférico aos 2 turbos
O atual S58 mantém os 6 cilindros em linha, mas reduz a cilindrada para 3,0 litros. Segundo a CarBuzz, combina diâmetro de aproximadamente 84,1 mm e curso de 89,9 mm com bloco de topo fechado, cambota forjada e injeção direta a 350 bar. Os 2 turbos Mitsubishi Heavy Industries trabalham com pressão de sobrealimentação até cerca de 1,93 bar.
A potência varia entre 480 e 550 cv, valor atingido pelo M4 CSL. No M4 Competition xDrive, o artigo aponta cerca de 530 cv e 650 Nm, além do cumprimento das atuais normas de emissões. A mesma fonte refere uma preparação para drift divulgada pela BMW, com até 1.000 cv e bloco, pistões e cambota de origem.
O M88 terminou a sua carreira em 1989, dando lugar ao S38. A capacidade de adaptar um 6 cilindros de altas prestações a diferentes automóveis atravessou essa sucessão e chega hoje ao S58.
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Perguntas e respostas
Como é que o BMW M88 levou o motor do M1 às berlinas familiares?
Depois do fim da produção do M1, a mecânica evoluiu para o M88/3, com taxa de compressão superior e alterações na ignição e na alimentação. Equipou o M5 E28 e o 745i SA.
Que potência tinha o BMW M88/3?
O M88/3 debitava 286 cv e cerca de 340 Nm no M5 E28 e no M635CSi E24 europeu. No M635CSi, a potência máxima surgia às 6.500 rpm e o binário máximo às 4.000 rpm.
Porque recebeu o BMW 745i SA o motor M88/3?
O motor turbo do 745i convencional criava problemas de instalação com o volante à direita exigido no mercado sul-africano. A BMW resolveu-os com o M88/3 atmosférico.
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AutoGear · 3560 artigos
Assinatura colectiva da redação do AutoGear. Assina os textos dos colaboradores da casa, Pedro Albuquerque, Diogo Mota e Vasco Santos, e o acompanhamento diário do desporto motorizado e do mercado automóvel, produzido com apoio de ferramentas automáticas.
A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.