Segunda-feira, 26 de Outubro de 2026 F1 em directo
AutoGear AutoGear
Notícias

Um Bugatti sem faróis, feito para conduzir só de dia!

Publicado a 26 de Outubro de 2026, 10h07  ·  4 min de leitura

O Bugatti Type 41 Royale Coupé Napoléon, automóvel pessoal de Ettore Bugatti. Fotografia: sala de imprensa da marca, https://newsroom.bugatti.com/press-releases/a-century-of-the-extraordinary

O Bugatti Royale celebra 100 anos com 3 dos seus 6 exemplares reunidos em Molsheim, em setembro de 2026.
O motor de 12,8 litros e as carroçarias únicas mostram a escala da ambição de Ettore Bugatti.

O essencial

  • O festival da Bugatti reuniu 3 Royale em Molsheim, em setembro de 2026.
  • O motor definitivo tinha 8 cilindros em linha, 12,8 litros e cerca de 300 cv.
  • Armand Esders dispensou os faróis no roadster que encomendou, porque só pretendia conduzir durante o dia.

Metade da produção do Royale voltou a Molsheim para o centenário.

Segundo a Bugatti, o festival da marca reuniu 3 dos 6 exemplares em setembro de 2026. Segundo o AutoGear apurou, estavam presentes o Coupé Napoléon, o Coupé de Ville com carroçaria Binder e a limusina Park Ward, perante clientes, colecionadores e entusiastas.

A reunião teve o apoio do Musée National de l’Automobile, em Mulhouse, e da Autostadt, em Wolfsburg.

Bugatti Royale sem limites

O motor de 8 cilindros em linha do Bugatti Type 41 Royale.
O motor de 8 cilindros em linha do Bugatti Type 41 Royale.

Apresentado em 1926, o Type 41 Royale era o maior e mais ambicioso automóvel que a Bugatti construíra. A marca recorda que, já em junho desse ano, relatos britânicos o identificavam como «The Golden BUGATTI».

Ettore concebeu-o para imperadores, reis e rainhas, procurando superar os automóveis contemporâneos em velocidade, elegância e luxo. Segundo os dados históricos da Bugatti, media mais de 6 metros e tinha cerca de 4,3 metros entre eixos.

O motor definitivo tinha 8 cilindros em linha, 12,8 litros e cerca de 300 cv. O primeiro protótipo tinha aproximadamente 14,7 litros.

A marca destaca a distribuição avançada e a lubrificação por cárter seco do motor, destinado a mover cerca de 3.500 kg. Nos registos da Bugatti, a velocidade máxima chegava aos 200 km/h.

Cada carroçaria, uma história

O tejadilho envidraçado do Bugatti Type 41 Royale Coupé Napoléon ilumina o compartimento traseiro.
O tejadilho envidraçado do Bugatti Type 41 Royale Coupé Napoléon ilumina o compartimento traseiro.

A base mecânica era comum, mas cada Royale recebeu uma carroçaria própria. Entre as casas que criaram carroçarias para o modelo estavam Weymann, Kellner, Weinberger, Binder e Park Ward, por vezes de acordo com os desejos dos proprietários.

O protótipo que se tornou o Coupé Napoléon conheceu várias carroçarias. Uma delas, fechada e assinada pela Weymann, foi destruída num acidente grave no início dos anos 30.

Jean Bugatti desenhou depois a configuração pela qual o automóvel continua conhecido. O tejadilho envidraçado iluminava o compartimento traseiro, separado do lugar do condutor.

O Coupé Napoléon tornou-se o automóvel pessoal de Ettore e encontra-se hoje no Musée National de l’Automobile, em Mulhouse. Conhecido também como «Coupé du Patron», ilustra a colaboração entre Ettore e Jean, cujo desenho começava a definir a identidade da marca.

Um roadster sem faróis

O Bugatti Type 41 Royale Park Ward, entregue a um cliente britânico em 1933; não é o roadster de Armand Esders.
O Bugatti Type 41 Royale Park Ward, entregue a um cliente britânico em 1933; não é o roadster de Armand Esders.

A Bugatti identifica o industrial têxtil parisiense Armand Esders como o 1.º cliente particular do Royale. Esders encomendou o chassis 41111 com carroçaria roadster desenhada por Jean Bugatti e dispensou os faróis, porque só pretendia conduzir durante o dia.

Esse automóvel recebeu mais tarde uma carroçaria blindada Coupé de Ville de Henri Binder, com uma silhueta próxima da do Coupé Napoléon. Pertence à Autostadt e participou na reunião do centenário.

A limusina Park Ward também presente foi entregue a um cliente britânico em 1933 e tem um motor de 8 cilindros em linha de origem aeronáutica.

Relojoaria no volante

Em 1932, Ettore encomendou à Breguet 9 cronógrafos mecânicos para o centro dos volantes do Royale. Segundo a marca, tinham a inscrição «Spécial pour BUGATTI» e reserva de marcha de 8 dias.

A crise financeira mundial travou a procura, deixando a produção nos 6 exemplares. Décadas depois, em novembro de 1987, o Royale Kellner estabeleceu um recorde mundial de leilão automóvel numa venda da Christie’s no Royal Albert Hall, em Londres.

A herança de Ettore

“The ROYALE tells us perhaps more about Ettore Bugatti than almost any other automobile he created.” A frase é de Luigi Galli, especialista em Património e Certificação da Bugatti, que salienta a ligação entre engenharia, arte e trabalho humano.

A marca vê essa continuidade no Veyron, no Chiron e no Tourbillon, e considera a personalização do Royale precursora dos programas Sur Mesure e Solitaire. Nos 3 exemplares reunidos, os pormenores incluem volantes de nogueira e botões de osso de baleia.

Sobre cada radiador permanece o elefante esculpido por Rembrandt, irmão de Ettore.

Leia também

Perguntas e respostas

O Bugatti Royale celebra 100 anos e reúne 3 dos 6 exemplares?

O festival da marca reuniu 3 dos 6 exemplares em Molsheim, em setembro de 2026.
Estiveram presentes o Coupé Napoléon, o Coupé de Ville com carroçaria Binder e a limusina Park Ward.

Que motor tinha o Bugatti Royale?

O motor definitivo tinha 8 cilindros em linha, 12,8 litros e cerca de 300 cv.
O primeiro protótipo tinha aproximadamente 14,7 litros.

Porque foi construído um Bugatti Royale sem faróis?

Armand Esders encomendou o chassis 41111 com carroçaria roadster desenhada por Jean Bugatti.
Dispensou os faróis porque só pretendia conduzir durante o dia.

Ficha técnica

Motor
8 cilindros em linha
Cilindrada
12,8 litros
Potencia
Cerca de 300 cv
Velocidade maxima
200 km/h
Entre eixos
Cerca de 4,3 metros
Comprimento total
Mais de 6 metros
Peso
Cerca de 3.500 kg
Producao
6 exemplares

Redação

AutoGear  ·  3561 artigos

Assinatura colectiva da redação do AutoGear. Assina os textos dos colaboradores da casa, Pedro Albuquerque, Diogo Mota e Vasco Santos, e o acompanhamento diário do desporto motorizado e do mercado automóvel, produzido com apoio de ferramentas automáticas.

A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.

Leia também

Mais em Notícias →

O essencial do
automóvel, cada manhã.

Uma newsletter diária com o que interessa mesmo: ensaios, mercado nacional e o desporto motorizado, sem ruído.