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Stellantis afasta venda da Maserati: “As 14 marcas têm um papel a desempenhar”

Publicado a 20 de Outubro de 2026, 10h00  ·  4 min de leitura

O essencial

  • Stellantis afasta rumores de venda da Maserati e rejeita separação das operações europeias e norte-americanas.
  • CEO Antonio Filosa defende manutenção das 14 marcas do grupo e afirma que a dimensão global é uma vantagem.
  • Possível colaboração mais estreita entre Maserati e Alfa Romeo para partilha de recursos e conhecimentos técnicos.

Antonio Filosa, CEO do grupo automóvel, garante que não existem planos para vender a marca italiana e rejeita também a separação das operações europeias e norte-americanas. A decisão está tomada, mas o desafio passa agora por devolver à Maserati a força que perdeu nos últimos anos.

A Maserati continua a fazer parte dos planos da Stellantis. Apesar dos rumores recorrentes sobre uma possível venda da marca italiana, Antonio Filosa, diretor executivo do grupo, afastou essa hipótese e defendeu a manutenção das 14 marcas que integram o conglomerado automóvel.

"À procura do próximo carro? Espreita as oportunidades disponíveis na Carmine.pt"

A posição surge numa altura particularmente exigente para a fabricante do tridente, que tem enfrentado dificuldades comerciais e uma quebra nas vendas, alimentando dúvidas sobre o seu futuro. Ainda assim, a Stellantis não pretende desfazer-se da marca, pelo menos de acordo com as declarações do seu atual líder.

As especulações sobre o futuro da Maserati não são novas. O grupo tem procurado diferentes formas de melhorar as perspetivas da marca, incluindo conversações com potenciais parceiros chineses. No entanto, explorar oportunidades de colaboração não significa que esteja em preparação uma venda.

Alfa Romeo e Maserati poderão trabalhar mais próximas

Alfa Romeo e Maserati poderão trabalhar mais próximas

A questão central passa agora por perceber como pretende a Stellantis recuperar a competitividade da Maserati num mercado premium cada vez mais disputado.

Uma das possibilidades passa por uma maior colaboração com a Alfa Romeo. As duas marcas partilham raízes italianas e um posicionamento que privilegia o desempenho e a exclusividade, o que poderá facilitar a partilha de conhecimentos técnicos e recursos.

Uma cooperação mais estreita na engenharia e no desenvolvimento de novos modelos permitiria, em teoria, reduzir custos e encurtar os prazos de lançamento. Seria também uma forma de aproveitar melhor os recursos do grupo, sem eliminar a identidade própria de cada marca.

O desafio será encontrar o equilíbrio entre a redução de despesas e a capacidade de oferecer produtos suficientemente distintos para justificar o posicionamento de cada fabricante.

Separar as marcas europeias das americanas? «Nada plausível»

Separar marcas europeias das americanas? «Nada plausível»

Antonio Filosa também rejeitou a hipótese de dividir a Stellantis em duas estruturas independentes, separando as marcas europeias das norte-americanas.

O responsável considera essa possibilidade pouco plausível e defende que a dimensão global do grupo constitui uma vantagem, sobretudo no desenvolvimento de tecnologias que podem ser utilizadas em diferentes mercados.

Manter as marcas sob a mesma estrutura permite, em princípio, partilhar plataformas, componentes e soluções técnicas, aproveitando economias de escala. Isso não significa, porém, que todas recebam o mesmo nível de investimento.

A Stellantis está a rever a forma como distribui os recursos pelo seu portefólio, tendo em conta que algumas das suas marcas competem por clientes semelhantes e enfrentam desafios comerciais distintos.

Parcerias para aproveitar melhor as fábricas

Parcerias para aproveitar melhor as fábricas

Outra frente estratégica passa pela procura de parceiros que permitam utilizar melhor a capacidade industrial disponível. As colaborações com fabricantes chineses, como a Leapmotor e a Dongfeng, poderão ajudar a ocupar unidades fabris europeias subutilizadas e a reforçar o acesso a tecnologias de eletrificação.

Esta estratégia procura responder a dois problemas: os elevados custos de desenvolvimento de novos automóveis e a necessidade de aproveitar instalações industriais que não estão a trabalhar na sua capacidade máxima.

Para a Stellantis, as parcerias poderão representar uma forma de ganhar eficiência sem recorrer necessariamente ao encerramento de fábricas. O resultado dependerá, contudo, dos acordos estabelecidos e da capacidade de transformar essas oportunidades em atividade industrial rentável.

Depois dos prejuízos, começa o verdadeiro teste

A manutenção da Maserati e das restantes marcas acontece num contexto financeiro difícil. A Stellantis registou prejuízos líquidos de 22,3 mil milhões de euros em 2025, um resultado que aumentou a pressão sobre a administração para recuperar a rentabilidade.

Filosa afirmou à Bloomberg que o grupo já ultrapassou o ponto de viragem no caminho para regressar aos lucros. Resta agora demonstrar que essa confiança se traduz numa melhoria financeira consistente.

No caso da Maserati, a decisão de continuar dentro do grupo resolve, pelo menos para já, uma parte das dúvidas sobre a sua propriedade. Não resolve, porém, a questão mais importante: como recuperar as vendas, reforçar a gama e voltar a afirmar uma marca histórica num segmento onde a concorrência é cada vez mais intensa.

A mensagem da administração é clara: a Maserati fica. O que falta perceber é qual será o plano concreto para devolver ao tridente o protagonismo que a Stellantis quer preservar.

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  673 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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