Elétricos chumbam menos na inspeção do que os a gasolina, diz estudo
Imagem ilustrativa. Fotografia: Pexels, Andrea Piacquadio, https://www.pexels.com/photo/man-in-black-jacket-and-black-pants-standing-under-vehicle-3807811/ (Licença Pexels, uso livre com crédito)
Os elétricos na inspeção chumbam menos do que os modelos a gasolina a partir das 60 mil milhas, cerca de 96 mil quilómetros, segundo um estudo britânico que analisou 47,4 milhões de testes. Em Portugal não há dados equivalentes, e a inspeção periódica também não olha para a bateria.
O essencial
- Entre as 90 mil e as 120 mil milhas, cerca de 145 mil a 193 mil quilómetros, chumbam 16,5% dos elétricos contra 22,1% dos modelos a gasolina, segundo a BVRLA.
- O estudo é da New AutoMotive, cruza 47,4 milhões de inspeções MOT dos registos oficiais da DVSA e foi publicado a 22 de setembro.
- Em Portugal a primeira inspeção periódica obrigatória de um ligeiro de passageiros é quatro anos após a matrícula e os elétricos não estão isentos.
Elétricos na inspeção britânica
A BVRLA, a associação britânica de aluguer e locação de veículos, publicou o estudo a 22 de setembro. O trabalho é da New AutoMotive e cruza 47,4 milhões de testes MOT, a inspeção periódica obrigatória britânica, a partir dos registos oficiais da DVSA. Nos primeiros anos não há diferença digna de nota: entre as 20 mil e as 40 mil milhas, cerca de 32 mil a 64 mil quilómetros, chumbam 12,0% dos elétricos e 11,7% dos modelos a gasolina.
A partir das 60 mil milhas, cerca de 96 mil quilómetros, a taxa de chumbo dos elétricos estabiliza perto dos 16% e a dos modelos a gasolina continua a subir. Entre as 90 mil e as 120 mil milhas, cerca de 145 mil a 193 mil quilómetros, chumbam 16,5% dos elétricos contra 22,1% dos a gasolina. É desta faixa, e só desta, que sai o número que correu o mundo: cerca de 25% menos probabilidade de chumbar. Em pontos percentuais, a diferença são 5,6.
Acima das 120 mil milhas a distância mantém-se, com 16,0% contra 23,5%. Aos 15 anos de idade, 94,6% dos elétricos voltaram a apresentar-se à inspeção nos 30 meses seguintes, contra 88,1% dos a gasolina, segundo a BVRLA.
Onde ficam atrás
Nos pneus. O estudo regista 1,8 vezes mais defeitos de pneus nos elétricos. Nas suspensões passa-se o contrário: entre as 60 mil e as 90 mil milhas são 4,7 defeitos por 100 testes nos elétricos e 6,1 nos modelos a gasolina.
“A quilometragem, por si só, não deve afastar os consumidores. Um elétrico bem mantido e com muitos quilómetros pode ser um usado extremamente durável”, disse Toby Poston, diretor-executivo da BVRLA.
Quem encomendou o estudo
Convém dizer de onde vêm os números. A BVRLA representa o setor do aluguer e da locação, e a New AutoMotive, que a própria BVRLA descreve como organização independente de investigação em transportes, apresenta-se no seu site com o lema acelerar a mudança para o elétrico. O comunicado também não esclarece se a análise desconta a prova de emissões do MOT, que um elétrico não faz. O AutoGear já tinha noticiado que os elétricos passaram a vender mais do que os gasolina na Alemanha.
O que muda em Portugal
Por cá não há nada parecido: nem o IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes) nem os centros de inspeção publicam taxas de chumbo separadas por tipo de motor, pelo que não é possível repetir a conta com dados portugueses. O calendário também é outro. A primeira inspeção periódica obrigatória de um ligeiro de passageiros acontece quatro anos depois da primeira matrícula, passa a ser de dois em dois anos até aos oito anos e, a partir daí, é anual. Pode ser feita nos três meses anteriores a essa data, e os elétricos não estão isentos. Para quem pondera um usado a bateria, o AutoGear já fez a conta do dia a dia e comparou o custo por 100 km do gasóleo e do elétrico.
O que a inspeção não vê
A própria BVRLA assume que o MOT não mede o estado de saúde da bateria, nem a degradação eletroquímica, nem o desempenho em carregamento. Na prática, um elétrico pode passar na inspeção com a bateria já degradada, e a inspeção portuguesa está na mesma situação.
Isso pode mudar. A Comissão Europeia propôs a 24 de abril de 2025 rever a diretiva 2014/45/UE, com inspeções periódicas adaptadas aos elétricos e novos testes aos sistemas eletrónicos de segurança, incluindo a integridade do software dos sistemas relevantes para a segurança e para as emissões. A proposta está agora no Parlamento Europeu e no Conselho.
Até lá, a única garantia escrita sobre a bateria vem das regras Euro 7: segundo o Parlamento Europeu, os ligeiros de passageiros elétricos e híbridos abrangidos têm de manter 80% da capacidade até aos cinco anos ou 100 mil quilómetros, e 72% até aos oito anos ou 160 mil quilómetros.
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Perguntas e respostas
Os elétricos chumbam menos na inspeção do que os a gasolina?
Acima de certa quilometragem, sim, segundo o estudo da New AutoMotive encomendado pela BVRLA. Entre as 90 mil e as 120 mil milhas, cerca de 145 mil a 193 mil quilómetros, chumbam 16,5% dos elétricos contra 22,1% dos modelos a gasolina. Entre as 20 mil e as 40 mil milhas a diferença é inferior a um ponto percentual e até favorece os a gasolina.
A inspeção portuguesa testa a bateria de um elétrico?
Não. A BVRLA assume que a inspeção britânica não mede o estado de saúde da bateria, a degradação eletroquímica nem o desempenho em carregamento, e a inspeção periódica portuguesa também não prevê qualquer teste ao estado da bateria. A Comissão Europeia propôs a 24 de abril de 2025 rever a diretiva 2014/45/UE para adaptar as inspeções periódicas aos elétricos.
Quando é a primeira inspeção de um elétrico em Portugal?
Quatro anos depois da data da primeira matrícula, tal como em qualquer ligeiro de passageiros, e pode ser feita nos três meses anteriores. Depois repete-se de dois em dois anos até aos oito anos de idade e, a partir daí, todos os anos. Os elétricos não estão isentos.
Fotografia: Pexels, Andrea Piacquadio, https://www.pexels.com/photo/man-in-black-jacket-and-black-pants-standing-under-vehicle-3807811/ (Licença Pexels, uso livre com crédito)
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A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.