Max Verstappen revelou que os carros de Fórmula 1 de 2026 apresentam níveis de potência comparáveis aos dos carros de Fórmula 3 no sector intermédio do Grande Prémio da Bélgica, realizado em Spa-Francorchamps. Apesar de ter alcançado o segundo lugar na qualificação, o piloto da Red Bull expressou a sua insatisfação com as actuais regras técnicas, sublinhando que estas diminuem a emoção e o desafio do circuito belga.
No sector dois, Verstappen explicou que os pilotos circulam quase exclusivamente com a potência do motor, estimada entre 450 e 500 cavalos, valor próximo do que possuem os carros de Fórmula 3, mas com a diferença de terem a aerodinâmica de um F1. “Isto não é muito excitante para conduzir”, admitiu o campeão do mundo, acrescentando que está a tentar adaptar-se mentalmente às novas condições, apesar de não ser o que mais aprecia na modalidade. “Não quero estar aqui a queixar-me, mas estou a tentar tirar o melhor partido da situação”, frisou.
Os carros teóricos de 2026 podem atingir cerca de 1000 cavalos em condições ideais, mas em circuitos como Spa, onde o sistema energético é limitado durante grande parte da volta, esta potência reduz-se significativamente, aproximando-se dos níveis dos carros de Fórmula 2, com 620 cavalos. A comparação feita por Verstappen com os carros de Fórmula 3, que possuem cerca de 380 cavalos, evidencia o impacto das restrições de energia nos desempenhos em pista.
Antes do evento, Lando Norris referira que o comportamento dos carros na transição do modo de potência para as curvas em Spa se assemelha mais a conduzir um carro de Fórmula 4, destacando a dificuldade na gestão das asas aerodinâmicas activas em zonas como Blanchimont, onde há uma queda súbita de velocidade entre segmentos de recta, apesar da ausência de zonas de travagem.
Oscar Piastri, colega de equipa de Norris, apontou para a curva Pouhon como outra parte do circuito severamente afectada pelas novas regras. Considerando-a “mais um ângulo na recta do que uma curva”, lamentou que tenha perdido a sua essência, uma vez que sempre fora uma curva emblemática e favorável ao seu estilo de condução. Piastri realçou ainda a complexidade de gerir as diferenças drásticas de potência ao sair das curvas, variando entre quase 1000 cavalos e valores inferiores a 600, tornando a adaptação especialmente exigente.
O jovem piloto Ollie Bearman adoptou uma postura mais comedida, afirmando que Spa costumava ser um circuito clássico e divertido, mas que, este ano, tornou-se menos interessante para conduzir, reconhecendo, no entanto, que essa é a realidade actual da competição.
Carlos Sainz, director da Associação dos Pilotos de Grande Prémio, também manifestou descontentamento com a situação. “Ninguém está a desfrutar das voltas de qualificação tanto como no ano passado”, afirmou. Apesar de reconhecer que não é produtivo criticar continuamente a modalidade, sublinhou que “isto não é suficiente e precisa de mudar”. Sainz mostrou confiança numa evolução positiva já para o próximo ano, lamentando que as simulações feitas em 2022 e 2023 não tenham sido devidamente questionadas. “Deveríamos ter evitado chegar a este ponto”, concluiu, mas destacou que o desporto continua a crescer e a proporcionar corridas emocionantes.
Este conjunto de opiniões evidencia um descontentamento generalizado entre os pilotos relativamente às alterações técnicas que afectam a performance e a emoção da Fórmula 1 em circuitos históricos como Spa-Francorchamps, colocando em evidência a necessidade de ajustes futuros para preservar o espectáculo.
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