Transformação da Williams de 200 milhões para 2,5 mil milhões em cinco anos

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A transformação da Williams, de uma aquisição de 200 milhões de dólares durante a pandemia para uma avaliação atual de 2,5 mil milhões, revela a ambição de longo prazo da equipa na Fórmula 1. Sob o comando do chairman da Dorilton Capital, Matthew Savage, a compra da histórica equipa foi feita num momento em que a Fórmula 1 e a própria Williams enfrentavam grandes desafios.

Savage liderou a aquisição da Williams por cerca de 200 milhões de dólares, numa altura em que a equipa se encontrava financeiramente fragilizada, “up against the wall”, como descreve. Atualmente, cinco anos depois, a avaliação da Williams subiu para cerca de 2,5 mil milhões de dólares, evidenciando o sucesso da estratégia de investimento da Dorilton. Apesar do interesse constante de investidores institucionais, famílias com elevado património e até fabricantes automóveis, Savage afirma que a equipa não está à venda. “Este sempre foi um investimento de longo prazo,” afirmou numa entrevista exclusiva ao co-fundador do The Race, Darren Cox. “Reconhecemos que seria um caminho longo… sempre pensámos num horizonte de 10 a 20 a 30 anos, e ainda estamos nesse percurso.”

A introdução do limite orçamental, ratificado no Acordo de Concórdia pouco antes da compra, foi essencial para viabilizar a aquisição. Savage explica que, antes do teto de gastos, a diferença financeira entre uma equipa de meio da tabela como a Williams e os grandes orçamentos podia chegar a cinco mil milhões de dólares numa década, um fosso impossível de colmatar mesmo com investimento intenso. O limite orçamental reduziu essa disparidade e permitiu que a competitividade fosse mais próxima, com diferenças de menos de um segundo entre várias equipas em alguns circuitos na última época.

No entanto, os desafios não se limitaram à pista. Savage revelou que a Williams carecia de processos e sistemas básicos, chegando mesmo a não se saber exatamente quanto custava construir o carro de Fórmula 1. Cerca de dois terços das receitas de uma equipa moderna advêm de parcerias, o que obriga a Williams a competir por patrocínios não só com rivais da Fórmula 1, mas também com grandes franquias desportivas de outras modalidades.

Apesar das mudanças, a identidade da Williams manteve-se intacta. Savage comprometeu-se a manter o nome da equipa, um acordo feito diretamente com a então team principal Claire Williams. Em termos desportivos, a equipa ainda não está ao nível do seu passado glorioso, estando atualmente em oitavo lugar no campeonato deste ano, com apenas 11 pontos. Contudo, a Dorilton mantém a esperança de uma recuperação gradual, sabendo que o sucesso nas classificações atrai patrocínios valiosos. “Se estiveres no top três, ou se fores a Mercedes, estás a negociar contratos de cinco anos ou mais por valores elevados,” sublinha Savage.

Sobre a valorização futura, o chairman acredita que a Williams e as equipas rivais ainda têm margem para crescer. Franchises da NFL e NBA são negociadas a 10-12 vezes a receita, contra as sete ou oito vezes das equipas de Fórmula 1 atualmente. Savage prevê que esta diferença se vá estreitar nos próximos anos.

Quando questionado sobre quantos campeonatos espera que a Williams vença nos próximos seis anos, a resposta de Savage foi direta: “Boa pergunta. Dois.” A confiança no renascimento da equipa é clara, mesmo que o caminho seja longo.

Esta entrevista exclusiva, onde Matthew Savage desvenda a estratégia empresarial por detrás da transformação da Williams, está disponível no podcast “In Conversation With…” do The Race Business.

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