Sergio Perez revelou o papel decisivo que desempenhou no processo que colocou a Force India em administração judicial em 2018, uma medida que considera essencial para a sobrevivência da equipa e a sua transformação na atual Aston Martin.
Na altura, a Force India, que competia sob esse nome desde 2008 após várias mudanças de propriedade desde a sua criação em 1991, enfrentava graves dificuldades financeiras sob o comando de Vijay Mallya. O tribunal de Londres ordenou a entrada da equipa em administração, estabelecendo um prazo de 90 dias para encontrar um novo proprietário.
Perez, piloto da equipa entre 2014 e 2020, revelou no High Performance Podcast que lhe deviam a totalidade do salário de um ano e que a situação se agravou quando o seu empresário, Julian Jakobi, descobriu que um fornecedor não pago tinha pedido a liquidação da empresa. “Não percebia nada de leis, mas tinha dinheiro a receber. Não me pagaram o salário durante todo o ano”, afirmou o mexicano. “Depois, soubemos que um dos fornecedores apresentou um pedido de liquidação, o que podia ter fechado a equipa e deixado todos sem emprego.”
Para antecipar a liquidação, Perez e o seu empresário avançaram com o processo de administração judicial antes da petição oficial. “Fizemos todo o processo para colocar a equipa em administração antes da petição de liquidação, porque, se não o tivéssemos feito, a equipa teria falido. Toda a gente teria perdido o emprego. Na altura era a Force India, que hoje é a Aston Martin. A Aston Martin não existiria sem isso”, explicou.
Após 90 dias de procura, Lawrence Stroll adquiriu a equipa ainda em administração, rebatizando-a Racing Point, nome que manteve até 2021, quando passou a Aston Martin. Perez recordou a exigência do período, que coincidiu com várias provas do calendário, obrigando-o a conciliar reuniões legais com a preparação para as corridas. “Lembro-me de falar com toda a equipa numa corrida, a explicar que estava a fazer aquilo pelo bem de todos, para proteger os empregos e não para ameaçá-los”, contou.
O piloto admitiu que teve de desempenhar simultaneamente o papel de advogado e de piloto, participando em reuniões pouco antes da qualificação e da corrida, substituindo por vezes os habituais briefings técnicos. “Não conseguia separar isso porque era uma fase crítica. Estava em reuniões antes da qualificação e, em vez de estar com os engenheiros antes da corrida, estava noutras reuniões, mas lá estava presente.”
Este testemunho de Sergio Perez lança luz sobre os bastidores de um dos momentos mais delicados da história recente da Fórmula 1, evidenciando a sua importância para a continuidade da equipa que hoje compete sob a designação Aston Martin.
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