Mitch Evans chega ao E-Prix de Tóquio consciente da importância de evitar um fim de semana difícil, estando atualmente na segunda posição do Campeonato de Fórmula E. Após um desaire em Xangai, onde terminou em oitavo na ronda 12 e não conseguiu sequer participar na corrida da ronda 13 devido a problemas técnicos, o piloto neozelandês busca recuperar terreno face a Pascal Wehrlein, líder da prova.
Na prova de Xangai, Evans assegurou pontos cruciais para manter-se na luta pelo título, mas o abandono na ronda seguinte deixou-o em desvantagem para as últimas quatro corridas do campeonato. Tóquio representa um desafio especial para Evans, que quer esquecer não só o resultado recente, mas também o desastroso fim de semana da época passada, marcado por um abandono e por não ter partido para a corrida. O piloto da Jaguar encara agora a prova nas ruas da capital japonesa, mas pela primeira vez em condições noturnas.
“Estou a tentar não pensar na última corrida, mas também no ano passado, foi demasiado aqui,” confessou Evans à Motorsport Week. “Nunca foi uma pista boa para nós, por isso estou a tentar ser positivo.” Sabendo da importância de pontuar alto nesta fase, Evans sublinhou a urgência de um bom desempenho: “Sabemos que precisamos de um grande resultado este fim de semana, ou resultados sólidos nas duas corridas, para levar a luta até Londres. Todos na luta precisam de um fim de semana forte. Não se pode perder mais corridas, por isso temos de dar o nosso melhor e ver como corre.”
A edição deste ano traz uma novidade: o E-Prix de Tóquio realiza-se à noite, num circuito estreito e exigente, com temperaturas superiores às habituais. Para Evans, as condições meteorológicas e a transição entre o calor do dia, durante os treinos de qualificação, e a corrida noturna serão um desafio para as equipas. “É difícil julgar. Acho que o tempo vai ser um factor importante, com a qualificação ao sol, que está muito quente. É a nossa primeira corrida noturna aqui, não sei como isso vai afectar tudo. Conseguir o carro a funcionar bem em ambas as situações vai ser complicado,” explicou o piloto.
A possibilidade de chuva durante o fim de semana acrescenta ainda mais imprevisibilidade. A sessão de treinos livres de sexta-feira sofreu o impacto de uma forte chuvada pouco antes de começar, mas o estado do tempo para o resto do evento permanece incerto. “Acho que nunca conduzi à noite com chuva, por isso isso pode ser algo realmente único,” comentou Evans. “Vamos ver o que acontece, se chover e quanto chover. Cada previsão diz algo diferente, como é habitual.”
Além da batalha pelo título, Evans falou com orgulho do crescimento dos pilotos neozelandeses no automobilismo internacional. Referiu a presença de Nick Cassidy na Fórmula E, Liam Lawson na Fórmula 1 e outros nomes na IndyCar, lamentando a falta de reconhecimento no seu país. “Somos um país pequeno, com cerca de 4.5 a 5 milhões de habitantes, e é muito difícil para nós sair para o estrangeiro financeiramente,” disse. “Não sei se a Nova Zelândia valoriza isso como devia.”
Comparando a Nova Zelândia com a Austrália, Evans destacou o desempenho notável do seu país, considerando o tamanho da população e a economia. “Para a nossa economia e população, estamos a fazer um trabalho impressionante,” acrescentou.
Questionado sobre o impacto que uma eventual vitória sua ou de Cassidy poderia ter no futuro do automobilismo neozelandês, Evans mostrou-se esperançoso. “Gostaria de pensar que sim. No karting, o foco é muito na Fórmula 1, e não sei qual é a perceção do nosso desporto lá. Acho que está a mudar. Se algum de nós ganhar o campeonato, acredito que isso teria um impacto muito positivo na cultura do automobilismo na Nova Zelândia.”
Este fim de semana em Tóquio será decisivo para as aspirações de Evans no campeonato. Se conseguir manter uma performance consistente e reduzir a diferença para Wehrlein, poderá preparar uma luta intensa até à última prova, marcada para Londres.
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