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Mercer-Cobra: o «Shelby Cobra italiano» feito de cobre e latão

Publicado a 7 de Novembro de 2026, 18h07  ·  Atualizado a 7 de Novembro de 2026, 19h47  ·  3 min de leitura

O essencial

  • O Mercer-Cobra foi construído pela Carrozzeria Sibona-Basano de Turim como exercício de design para mostrar as possibilidades do cobre e do latão.
  • O design foi baseado numa proposta de Virgil Exner para a revista Esquire em 1963, inspirada no clássico Mercer Raceabout.
  • O chassis era um AC Cobra modificado com motor V8 Ford de 4,7 litros, e a carroçaria utilizava extensivamente cobre e latão em componentes visíveis e mecânicos.

O Shelby Cobra é um dos grandes ícones dos desportivos americanos dos anos 60, mas houve uma versão «italiana» bem menos conhecida: o Mercer-Cobra Roadster, um dos protótipos mais singulares da época. Construído pela Carrozzeria Sibona-Basano, de Turim, foi concebido como exercício de design e como montra das possibilidades do cobre e do latão. Em 2011, a RM Sotheby’s vendeu-o em leilão, em Monterey, por 660 000 dólares.

A ideia de Virgil Exner

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A visão de Virgil Exner

Depois da Segunda Guerra Mundial, o design automóvel americano abandonou as formas tradicionais em favor de superfícies mais modernas e de proporções mais dinâmicas. Virgil Exner, que passou pela Studebaker e depois pela Chrysler, foi um dos nomes centrais dessa mudança.

Em 1963, a revista Esquire pediu-lhe que imaginasse como alguns clássicos poderiam ser reinterpretados com a tecnologia da época. Exner desenhou quatro propostas, inspiradas na Stutz, na Duesenberg, na Packard e na Mercer. A da Mercer, baseada no Raceabout, tinha um capot muito comprido, um habitáculo recuado e guarda-lamas separados da carroçaria, e foi a origem do futuro Mercer-Cobra.

Os desenhos chamaram a atenção de George Hartley, presidente da Copper Development Association, que decidiu transformar a ideia num carro funcional. O objectivo não era só mostrar um concept espectacular, mas demonstrar a versatilidade do cobre e das suas ligas em componentes da carroçaria e do habitáculo.

Chassis Cobra, carroçaria italiana

Chassis Cobra e carroçaria italiana

Para a execução, Exner recorreu à Sibona-Basano, por recomendação do designer Brooks Stevens. A empresa, fundada por Elio e Emilio Basano, ganhou experiência acrescida com a entrada de Pietro Sibona, antigo mestre de chaparia da Ghia. O projecto definitivo foi desenvolvido por Exner e pelo filho, a partir de um chassis AC Cobra novo, encomendado através da Shelby American, então distribuidora exclusiva da AC nos Estados Unidos. O quadro foi modificado e a distância entre eixos aumentou para 2,74 metros.

A mecânica era a do Cobra: um V8 Ford de 4,7 litros, com caixa manual de quatro velocidades, suspensão independente às quatro rodas com molas transversais e travões de disco nos quatro eixos.

Cobre e latão por todo o lado

Cobre e latão por toda a estrutura

O cobre estava por todo o carro. A grande grelha frontal, de estilo clássico, era em latão protegido por rede, e os faróis, montados em suportes orientáveis, podiam recolher para os lados do capot. No habitáculo, o painel de instrumentos e os painéis das portas usavam cobre, e os raios do volante eram de uma liga de cobre e crómio de alta resistência. As jantes de raios de 16 polegadas tinham revestimento em latão e algumas molduras eram de bronze ao silício. No motor, as tampas dos balanceiros, o filtro de ar e o tampão do óleo seguiam a mesma lógica, e alguns componentes dos travões foram feitos em ligas de cobre pela sua elevada capacidade de transferência térmica.

Da estreia aos leilões

O Mercer-Cobra ficou concluído no final de 1964, cerca de um ano depois do início do projecto, e foi apresentado como embaixador do cobre e do latão no sector automóvel. Viajou por vários países, passou por exposições e encontros técnicos e mereceu seis páginas na edição de Inverno de 1964 da revista Automobile Quarterly. Depois de passar por vários coleccionadores, chegou à RM Sotheby’s, onde foi vendido em 2011.

Ficha técnica

Motor
V8 Ford de 4,7 litros
Transmissão
Caixa manual de quatro velocidades
Suspensão
Independente às quatro rodas com molas transversais
Travagem
Discos nos quatro eixos
Quadro
AC Cobra modificado com distância entre eixos de 2,74 metros
Rodas
Jantes de raios de 16 polegadas com revestimento em latão

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  800 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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