McLaren pondera construir motor F1 se for financeiramente viável

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McLaren pondera a possibilidade de desenvolver motores próprios para a Fórmula 1, desde que a decisão faça sentido do ponto de vista financeiro. A abertura foi feita por Zak Brown, diretor executivo da equipa, na sequência da sugestão do presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, que admitiu um possível regresso dos motores V8 para o ciclo de regulamentos que se avizinha, previsto para 2030 ou 2031.

Desde que retomou a parceria com a Mercedes em 2021, após uma breve colaboração com a Honda e um curto período como cliente da Renault, a McLaren tem desfrutado de um período de sucesso significativo. A equipa conquistou os campeonatos de construtores consecutivos em 2024 e 2025 e garantiu o título de pilotos, algo que não acontecia desde 2008, com Lando Norris a brilhar na última temporada. No entanto, Andrea Stella, diretor de equipa, reconheceu recentemente que o início da temporada de 2026 tem sido difícil, sendo a primeira vez que sentem estar em desvantagem face aos concorrentes devido ao estatuto de cliente.

As declarações de Stella deram azo a especulações sobre uma possível mudança estratégica, seja através de uma nova parceria direta com um fabricante ou, à semelhança da Red Bull, pela aposta na produção dos seus próprios motores. Mohammed Ben Sulayem reforçou essa possibilidade ao afirmar que um regresso a motores V8, mais simples e económicos, poderia facilitar a entrada da McLaren no desenvolvimento interno de unidades motrizes. “Acredito que, quando introduzirmos esta fórmula, até a McLaren fará o seu próprio motor. Eles não dependerão de outros, porque agora recorrem a terceiros por ser uma unidade complicada”, declarou o presidente da FIA.

Zak Brown respondeu a estas perspetivas, admitindo que a McLaren consideraria a criação de motores próprios se a viabilidade financeira e tecnológica o justificassem. Contudo, sublinhou a satisfação com a atual colaboração com a Mercedes High Performance Powertrains. “Se surgir uma fórmula de motor que faça sentido financeiramente, então consideraremos a hipótese e a tecnologia. Dito isto, não poderíamos estar mais satisfeitos com a Mercedes. Se algo for apresentado que faça sentido do ponto de vista financeiro, iremos analisar”, afirmou Brown.

A parceria entre McLaren e Mercedes foi renovada a longo prazo em novembro de 2023, estando assegurada até, pelo menos, ao final da temporada de 2030. Para além da Fórmula 1, a McLaren já desenvolveu internamente o motor do seu novo hiperdesportivo MCL-HY, que competirá no Campeonato do Mundo de Resistência a partir de 2027. Este motor V6 biturbo foi concebido e desenvolvido no McLaren Technology Centre em Woking, demonstrando a capacidade tecnológica da marca britânica.

Com as mudanças regulatórias a aproximarem-se e a possibilidade de motores mais simples a abrir portas para novas estratégias, a McLaren mantém as opções em aberto, pronta para decidir o melhor caminho para garantir competitividade e sustentabilidade no futuro da Fórmula 1.