Liam Lawson acusa Red Bull e Alpine de despedimentos injustos na F1

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A polémica instalou-se no paddock da Fórmula 1 após Liam Lawson criticar abertamente a Red Bull e a Alpine pela forma como dispensaram jovens pilotos em 2024. Lawson, que chegou a alinhar pela Red Bull após uma curta passagem pela equipa satélite, considera que nem ele nem Jack Doohan tiveram oportunidades justas para mostrar todo o seu valor no principal escalão do desporto motorizado.

Lawson, natural da Nova Zelândia, foi promovido à Red Bull depois de um curto período de seis corridas com a Racing Bulls, onde superou Daniel Ricciardo e Yuki Tsunoda na luta pelo lugar ao lado de Max Verstappen. No entanto, a sua estadia na equipa principal foi fugaz: apenas duas corridas depois, voltou à Racing Bulls, com Tsunoda a recuperar o lugar na Red Bull. Jack Doohan, por sua vez, foi confirmado como piloto da Alpine em Agosto de 2024, mas ao fim de apenas cinco provas perdeu o lugar para Franco Colapinto, que se estreou pela Williams. Ao contrário de Lawson, Doohan não teve sequer uma “aterragem suave” possível através de uma equipa satélite.

Os resultados não deixaram margem para dúvidas quanto à rapidez das decisões: Lawson teve apenas duas corridas ao volante da Red Bull, enquanto Doohan somou cinco pela Alpine. Em ambos os casos, o tempo de adaptação foi escasso, com pressões acrescidas e poucas hipóteses de brilhar. No Grande Prémio da Hungria, por exemplo, Lawson terminou a menos de meio segundo do colega Verstappen na qualificação, demonstrando potencial que, segundo muitos, merecia mais oportunidades. No entanto, as chefias das equipas optaram por mudanças rápidas, numa época em que a luta pelo campeonato e os pontos preciosos das equipas ditaram decisões implacáveis.

No podcast High Performance, Lawson abriu o jogo: “Tudo aquilo estava a acontecer, e não havia nada que eu pudesse fazer depois de já estar decidido, por isso fiquei obviamente frustrado, devastado na altura. Mas não havia nada que pudesse fazer mais”, confessou o piloto, visivelmente afectado pela rapidez com que os sonhos podem ser desfeitos na Fórmula 1. “É uma coisa muito normal de se dizer, mas é focar nas coisas que consegues controlar, e ir desmontando tudo isso. Pensar: ‘ok, está feito, ainda estás na Fórmula 1’. E era nisso que pensava muito. Há muitos pilotos que foram tratados injustamente e saíram.”

Lawson foi peremptório em relação ao critério das equipas: “Ao longo dos anos, há muitos casos em que se pode argumentar que não foi justo. O Jack Doohan fez cinco corridas, não é justo julgar alguém assim. Eu tive duas na Red Bull, mas mesmo cinco corridas no total não é critério suficiente para avaliar alguém na Fórmula 1, especialmente numa época como a do ano passado.” Apesar do desencanto, o neozelandês reconhece algum consolo: “Ainda tinha um volante, e foi nisso que tentei concentrar-me. Continua a haver uma oportunidade de te mostrares aqui, de construir um futuro na Fórmula 1, sem te fixares apenas no facto de teres perdido o lugar com que sonhaste desde criança.”

Apesar de tudo, Lawson acredita que a experiência, por mais dura que tenha sido, o tornou num piloto mais forte e resiliente. “Sempre que penso nisso agora, sinto que sou um piloto melhor e mais resiliente. Hoje, com todo o ruído exterior, é mais importante do que nunca. Para seres bom na Fórmula 1 actualmente, tens de ser rápido, mas todos são. É tudo o resto, aquela resiliência, que faz a diferença”, destacou o neozelandês.

O histórico recente da Red Bull em alterações a meio da época fala por si: Daniil Kvyat foi afastado em 2016 para dar lugar a Verstappen, Pierre Gasly resistiu 12 corridas, Alex Albon um ano e meio, Lawson apenas duas, e Tsunoda 22. A política de decisões rápidas e exigência máxima deixou marcas no plantel, alimentando a discussão sobre o tempo mínimo necessário para julgar um talento.

Com o campeonato ao rubro e as decisões das equipas sob escrutínio, todas as atenções viram-se agora para o próximo Grande Prémio em Spa-Francorchamps. As mudanças recentes já mexeram com a classificação dos pilotos e a luta pelos lugares nos plantéis para 2025 promete ser intensa. Lawson, apesar de ter perdido o assento de sonho, mantém-se no grid e vai tentar provar o seu valor nas oportunidades que restam, enquanto Doohan procura novo rumo para relançar a carreira. A pressão sobre as equipas para darem mais tempo de adaptação aos jovens talentos está mais forte do que nunca, numa Fórmula 1 onde cada décimo e cada decisão podem mudar o rumo de uma carreira.

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