Há recordes que impressionam pelos números. E depois há aqueles que nos fazem parar para pensar no que é realmente possível fazer com uma determinada tecnologia. O JCB Hydromax pertence claramente à segunda categoria.
O monstro movido a hidrogénio acaba de estabelecer um novo recorde mundial de velocidade em terra homologado pela FIA, atingindo uma média de 653,909 km/h em duas passagens na lendária pista de Bonneville Salt Flats, nos Estados Unidos. E há uma história particularmente interessante por detrás deste número.
Mais de 660 km/h numa das passagens
Na primeira tentativa, o Hydromax registou uma velocidade média de 644,740 km/h. Depois veio a parte obrigatória nestes recordes: inverter o sentido e repetir a passagem na direção contrária. E foi precisamente aí que o JCB mostrou do que é capaz, atingindo uma média de 663,267 km/h. Feitas as contas às duas passagens, ficou o novo recorde de 653,909 km/h.
Para termos uma ideia da dimensão do feito, o anterior recorde mundial de velocidade em terra para um veículo a hidrogénio era de apenas 298,5 km/h. Mas o Hydromax foi ainda mais longe.
Também ultrapassou o recorde de 563,418 km/h estabelecido em 2006 pelo JCB Dieselmax, o famoso veículo com que a marca britânica já tinha mostrado ao mundo até onde podia levar um motor de combustão.
E há uma coincidência fantástica: os dois carros foram conduzidos pelo mesmo homem, Andy Green, antigo comandante da Força Aérea Britânica e um dos nomes mais conhecidos neste tipo de recordes. “O carro é fantástico: estável, potente e rápido.”

O mais curioso está debaixo da carroçaria
O Hydromax não utiliza uma tecnologia completamente exótica criada apenas para esta tentativa. Na realidade, o veículo está equipado com dois motores de combustão alimentados a hidrogénio, desenvolvidos pela JCB para utilização nas suas próprias máquinas de construção. Juntos, estes dois motores produzem uns impressionantes 1.622 CV. Sim, leram bem.
E a JCB faz questão de sublinhar que estamos perante a mesma tecnologia de combustão a hidrogénio que já equipa máquinas produzidas pela empresa no Reino Unido.
O Hydromax mede 9,75 metros de comprimento e foi concebido para demonstrar que o hidrogénio pode ser utilizado num motor de combustão para produzir níveis de desempenho absolutamente brutais.
20 anos depois, a JCB volta a Bonneville
A história ganha ainda mais interesse quando olhamos para trás. Em 2006, a JCB levou o Dieselmax a Bonneville e estabeleceu um recorde de 563,418 km/h com um motor Diesel. Duas décadas depois, regressou ao mesmo cenário. Só que desta vez o combustível é hidrogénio.
E o objetivo mantém-se exatamente o mesmo: mostrar aquilo que a engenharia britânica consegue fazer quando decide levar uma tecnologia ao limite.
Anthony Bamford, presidente da JCB, resume a ideia de forma bastante clara: há 20 anos demonstraram o potencial do Diesel e agora querem fazer o mesmo com o hidrogénio.
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