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BYD cria um híbrido que junta eletricidade, gasolina e etanol. Será este o futuro da mobilidade?

Publicado a 6 de Agosto de 2026, 12h00  ·  Atualizado a 7 de Setembro de 2026, 13h36  ·  3 min de leitura

A BYD acaba de apresentar no Brasil uma solução que poderá mudar a forma como olhamos para os automóveis híbridos. Chama-se Song Pro Super Híbrido Flex Fuel e distingue-se por combinar três fontes de energia: eletricidade, gasolina e etanol, escolhendo automaticamente a opção mais eficiente em cada momento.

Desenvolvido especificamente para o mercado brasileiro, onde o etanol é um combustível amplamente utilizado, este novo SUV pretende oferecer o melhor dos dois mundos: uma condução maioritariamente elétrica no dia a dia e a liberdade de recorrer a dois tipos de combustível quando a bateria se esgota.

Um sistema inteligente para reduzir consumos

Ao contrário de um híbrido plug-in convencional, o novo sistema da BYD não alterna apenas entre o motor elétrico e o motor de combustão. O software gere automaticamente a utilização da eletricidade, da gasolina e do etanol, procurando sempre a combinação mais eficiente de acordo com o percurso e o combustível disponível.

Na prática, isto permite reduzir significativamente os custos de utilização, sobretudo em mercados onde o etanol tem um preço mais competitivo do que a gasolina.

Para quem faz sobretudo percursos urbanos, a ideia é simples: utilizar a bateria durante a maior parte do tempo e recorrer ao motor térmico apenas quando necessário, eliminando também a preocupação com a autonomia.

Até 120 quilómetros em modo 100% elétrico

O BYD Song Pro Super Híbrido Flex Fuel será comercializado em duas versões. A versão GL oferece uma autonomia elétrica de cerca de 60 quilómetros, suficiente para muitas deslocações diárias.

Já a variante GS duplica esse valor e permite percorrer até 120 quilómetros sem consumir uma única gota de combustível, tornando possível que muitos condutores passem vários dias sem visitar uma bomba de combustível.

Quanto maior for a utilização em modo elétrico, menor será o consumo de gasolina ou etanol, ficando o motor de combustão reservado para viagens mais longas.

Um projeto pensado para o Brasil

Este novo sistema resulta de dois anos de desenvolvimento conjunto entre as equipas da BYD na China e no Brasil. Segundo a marca, trata-se do primeiro projeto desenvolvido de raiz entre engenheiros dos dois países, tendo como principal objetivo adaptar a tecnologia às necessidades do mercado brasileiro, onde o etanol faz parte do dia a dia de milhões de automobilistas.

O modelo será produzido na fábrica da BYD em Camaçari, no estado da Bahia, e já conta com mais de 50% de componentes produzidos localmente, percentagem que a marca pretende aumentar nos próximos anos.

Pode chegar a outros mercados

Embora tenha sido desenvolvido para o Brasil, a BYD admite que esta tecnologia poderá ser utilizada noutros países onde existam combustíveis alternativos semelhantes.

A Índia surge como um dos mercados apontados para receber este sistema no futuro, mas a solução também levanta uma questão interessante para a Europa. Caso a marca consiga adaptar esta tecnologia a combustíveis sintéticos ou ao biodiesel, poderá surgir uma nova alternativa aos automóveis 100% elétricos.

A estratégia já está a dar resultados

O lançamento deste modelo acontece numa altura em que a BYD continua a ganhar terreno no Brasil. Só durante o mês de julho, o fabricante chinês vendeu 23.465 automóveis, alcançando uma quota de mercado de 9,1%, o melhor resultado de sempre da marca naquele país. Com esta aposta nos híbridos Flex Fuel, a BYD reforça a ambição de se tornar a marca automóvel mais vendida do Brasil até ao final da década.

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Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  444 artigos

Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.

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