Briatore explica críticas a Colapinto na Alpine e foco exclusivo em Gasly

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Franco Colapinto protagonizou um verdadeiro renascimento na Fórmula 1, consolidando-se como uma das surpresas mais agradáveis da grelha após um início difícil com a Alpine. A prova mais recente no Grande Prémio de Espanha, no circuito da Catalunha, confirmou esta evolução: Colapinto terminou num impressionante 7.º lugar, cortando a meta a apenas 11,3 segundos do vencedor, Max Verstappen, e superando claramente o seu colega de equipa Pierre Gasly, que ficou fora dos pontos. Este resultado, com registos de voltas consistentes no segundo 1:19, reforça a ascensão do piloto argentino e marca um ponto de viragem na sua passagem pela equipa francesa.

Os factos falam por si. Colapinto, depois de ter substituído Jack Doohan como piloto titular da Alpine já no início da temporada, somou agora o seu segundo top-10 consecutivo, acumulando 14 pontos no campeonato. Verstappen (Red Bull) venceu a prova com 1:32:44,211, seguido de perto por Lando Norris (McLaren), com apenas 2,1 segundos de diferença. Charles Leclerc (Ferrari) completou o pódio. O argentino, aos comandos do Alpine A524, terminou como melhor do resto, beneficiando de uma estratégia de duas paragens bem executada e de uma notável volta rápida pessoal de 1:19,604, apenas três décimos mais lenta do que a melhor volta da corrida. Com este resultado, Colapinto subiu ao 9.º lugar do campeonato de pilotos, ultrapassando nomes consagrados como Lance Stroll e Esteban Ocon.

O impacto deste desempenho é significativo, tanto para o próprio Colapinto como para a Alpine. A equipa francesa, depois de um início de época atribulado, parece finalmente ter encontrado o equilíbrio entre a fiabilidade do monolugar e o talento dos seus pilotos, aproximando-se da luta direta pela quarta posição no campeonato de construtores. A rivalidade interna entre Gasly e Colapinto é agora um dos pontos quentes do paddock, com o argentino a afirmar-se e a ameaçar a hierarquia estabelecida. O resultado catalão surge ainda no seguimento das polémicas declarações de Flavio Briatore, responsável máximo da Alpine, que, durante a mais recente temporada de Drive to Survive, apontou sem rodeios: “O problema és tu”, dirigindo-se ao jovem piloto.

Questionado recentemente no podcast Beyond The Grid sobre se se arrepende dessas palavras, Briatore não hesitou: “Não, há sempre esta sensação de que o piloto é intocável e que o mecânico trabalha dia e noite. O nosso mecânico terminou às duas da manhã. Quando se fala do piloto, é preciso ter muito cuidado a falar com ele, muito cuidado. Não é assim; o piloto é o diretor-geral da empresa, é o piloto que traz resultados à equipa, e é preciso dizer a verdade. Eu acredito nisso. Não vou falar nos bastidores com a imprensa; falo diretamente com ele. O problema eras tu, ponto final. Agora já não é um problema, porque o Franco está a render ao máximo. Mas na altura era. Disse-lhe: ‘Entre ti e o Pierre, têm mil pessoas a trabalhar para vocês, e tens de respeitar essas pessoas. Tens de me mostrar que fazes tudo o que é possível para obter resultados.’ Antes do briefing, estava sempre a ver o que fazia o Pierre. Disse-lhe: ‘Isso está errado; tens de guiar o carro à tua maneira. Não precisas de guiar a pensar na telemetria. Tens talento, guia o carro como gostas’”, clarificou o dirigente italiano.

Sobre o futuro do argentino, Briatore optou pela prudência, mas deixou em aberto a possibilidade de renovação, caso o momento de forma se mantenha: “Se o Franco continuar como está actualmente e a relação com o Pierre se mantiver como a actual, como aquela entre Alonso e Fisichella, porque não? Conheço muito bem o Franco e conhecemos muito bem o Pierre. Decidiremos antes da pausa de verão”, garantiu o consultor da Alpine.

Com esta performance, Colapinto ganha novo fôlego e reforça a sua posição dentro da equipa, podendo ser peça-chave na recuperação da Alpine na segunda metade do campeonato. O próximo desafio será o exigente Grande Prémio da Áustria, no Red Bull Ring, onde a Alpine espera capitalizar o bom momento e aproximar-se ainda mais dos lugares cimeiros. Para o argentino, trata-se de manter o foco, continuar a evoluir e provar, já sem margem para dúvidas, que o “problema” ficou definitivamente para trás. Quem sai a ganhar é a Alpine, que vê a sua aposta no jovem piloto finalmente recompensada, e um campeonato de pilotos cada vez mais animado com esta nova rivalidade interna a prometer emoções fortes nas próximas provas.

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