O Salão Mundial do Automóvel de Paris 2026 vai acontecer entre 13 e 18 de outubro, mas algumas das marcas mais importantes do mercado vão ficar de fora.
BMW, Nissan e Toyota decidiram não participar oficialmente no evento, numa altura em que os fabricantes estão cada vez mais cuidadosos com cada euro investido. Um stand num dos maiores salões automóveis do mundo pode custar milhões e, num contexto económico pouco favorável, justificar esse investimento tornou-se cada vez mais difícil.
A ironia é que nenhuma destas marcas está propriamente sem novidades. Pelo contrário: há modelos bastante importantes a caminho e que poderiam perfeitamente ter sido algumas das estrelas do salão parisiense.
BMW disse sim… e depois mudou de ideias
O caso da BMW é talvez o mais curioso. A marca de Munique tinha inicialmente confirmado a presença no Salão de Paris, mas acabou por recuar em julho. A decisão surgiu depois de uma quebra dos resultados financeiros, com os lucros a diminuírem 3,5% a nível mundial e 17,5% na China.
Perante este cenário, a BMW decidiu apertar o cinto e canalizar o dinheiro para outras prioridades. E é pena, porque a marca tinha bastante material para levar para Paris.

O novo BMW iX3, 100% elétrico, poderia fazer a sua estreia pública em França, enquanto o novo BMW X5 também teria todas as condições para ser uma das grandes atrações do salão. Esta nova geração será particularmente interessante por ser o primeiro automóvel a apostar em cinco fontes de energia diferentes.
Também havia espaço para mostrar o novo BMW i3, a primeira versão totalmente elétrica da Série 3 fora do mercado chinês, a Série 7 recentemente renovada e até o BMW M2 com tração integral xDrive.
Ou seja, novidades não faltavam. Faltou foi vontade de pagar a conta.
Nissan está demasiado ocupada a tentar sobreviver
No caso da Nissan, a ausência é mais fácil de compreender. A marca japonesa atravessa uma fase financeira bastante complicada e está atualmente envolvida numa profunda reestruturação. Depois de prejuízos de cerca de 4 mil milhões de euros em 2024-2025 e de quase 3 mil milhões no exercício seguinte, a prioridade passou claramente por reduzir custos.
Estão previstos cortes de postos de trabalho, encerramentos de fábricas e uma redução da gama de modelos.
Nestas circunstâncias, gastar milhões num stand em Paris não parece propriamente a melhor utilização do dinheiro. E, mais uma vez, não seria por falta de novidades.
A Nissan tem atualmente em carteira o Micra elétrico, desenvolvido com base na mesma plataforma do Renault 5 E-Tech, o novo Leaf e um X-Trail renovado.
Mas o modelo que provavelmente faria mais barulho seria mesmo o novo Juke.
A terceira geração do SUV mais irreverente da Nissan será apresentada oficialmente a 23 de setembro, poucas semanas antes do Salão de Paris. Portanto, quando o evento abrir portas, o novo Juke já estará apresentado — só não estará no stand da Nissan.
E a Toyota?
A Toyota, juntamente com a Lexus, também decidiu não ter um stand oficial no salão. A marca japonesa vai, no entanto, manter alguma presença através do pavilhão da inovação, mas fica de fora da área tradicional reservada aos grandes fabricantes.
E aqui volta a surgir a mesma questão: não faltam novidades à Toyota.
Entre os modelos que poderiam aproveitar o palco parisiense está o novo Corolla, um dos nomes mais importantes da história da marca e do mercado automóvel mundial.
Ou seja, o Salão de Paris vai perder três fabricantes importantes precisamente numa altura em que todos eles têm produtos capazes de gerar bastante atenção.
Um salão sem alguns dos pesos pesados
A ausência da BMW, Nissan e Toyota mostra bem como os salões automóveis mudaram nos últimos anos. Durante décadas, estar presente em Paris era praticamente obrigatório. Hoje, os fabricantes têm outras formas de apresentar os seus modelos ao público e à imprensa, desde eventos próprios até apresentações online.
E quando cada investimento é analisado ao milímetro, um stand que pode custar milhões de euros tem de justificar muito bem o dinheiro gasto.
O problema para o Salão de Paris é que menos fabricantes significa também menos novidades, menos espetáculo e menos capacidade para atrair visitantes.
Ainda assim, a edição de 2026 terá muito para mostrar. E há uma curiosidade interessante: alguns dos carros que mais gostaríamos de ver em Paris vão estar ausentes não porque não existam, mas simplesmente porque as marcas que os fabricam decidiram ficar em casa.
No fundo, a BMW, a Nissan e a Toyota não ficaram sem carros para mostrar.

