Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, propõe eliminar limite de mandatos presidenciais
Mohammed Ben Sulayem, actual presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), sugeriu a revogação do artigo que restringe o número de mandatos presidenciais, abrindo caminho para uma eventual permanência indefinida no cargo. Actualmente no seu segundo mandato, Ben Sulayem está sujeito ao Artigo 20.10 dos estatutos da FIA, que limita o presidente a um máximo de três mandatos, consecutivos ou não, totalizando 12 anos no máximo.
Esta proposta, confirmada pela Motorsport, visa alinhar o mandato presidencial com as regras aplicadas a outros cargos eleitos dentro da FIA, como os conselhos mundiais e o senado, onde não existem restrições tão rígidas. Um porta-voz da FIA explicou que “foi apresentada uma proposta para estabelecer uma abordagem consistente relativamente à duração dos mandatos em todos os órgãos da FIA, semelhante ao que já existe para os Conselhos Mundiais e para o Senado”. A alteração depende agora da aprovação dos Conselhos Mundiais e da Assembleia Geral da FIA, que será convocada para votar estas modificações estatutárias, incluindo a remoção do limite de mandatos presidenciais.
Mohammed Ben Sulayem foi o único candidato elegível nas últimas eleições presidenciais, realizadas no ano passado, depois de nenhum dos outros aspirantes conseguir garantir o apoio necessário de sete vice-presidentes – dois da Europa e um de cada região global definida pela FIA – para formalizar a candidatura. Entre eles, Fabiana Ecclestone, única representante da América do Sul, alinhou-se com a campanha de Ben Sulayem. Esta situação suscitou críticas e contestação do processo eleitoral, levando a que a antiga piloto e candidata Laura Villars tenha avançado com ações legais contra a FIA.
Esta proposta de eliminação do limite de mandatos sucede a uma regra instituída durante a presidência de Jean Todt, que tinha como objectivo evitar períodos demasiado prolongados na liderança da FIA. Antes de Todt, que esteve 12 anos no cargo, Max Mosley manteve-se presidente durante 16 anos, enquanto Jean-Marie Balestre cumpriu dois mandatos de quatro anos.
A alteração dos estatutos da FIA, caso aprovada, poderá permitir a Mohammed Ben Sulayem continuar à frente da entidade durante um período indefinido, até que ele próprio decida deixar o cargo. Esta decisão marcará uma nova fase na governança do desporto motorizado a nível mundial, suscitando debates sobre a renovação, estabilidade e democracia interna na FIA.
