Alpine pede revisão à FIA após pódio perdido no GP do Mónaco

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Pierre Gasly terminou o Grande Prémio de Mónaco em lágrimas, após ver o seu tão desejado pódio ser-lhe retirado devido a duas penalizações por excesso de velocidade na via das boxes, num desfecho que está a suscitar uma forte contestação da Alpine junto da FIA. O piloto francês, que cruzou a meta inicialmente no terceiro lugar, ficou em sétimo após a aplicação de uma penalização acumulada de dez segundos, num resultado que deixou todos em choque, incluindo outros pilotos que também foram punidos, como Lewis Hamilton, George Russell, Oscar Piastri e Franco Colapinto.

“Não consigo ainda perceber o que aconteceu. Preciso de algum tempo para assimilar tudo,” confessou Pierre Gasly, visivelmente emocionado na entrevista após a prova. “Terminar em terceiro em Mónaco é algo surreal. Saímos do nono lugar na grelha e fizemos uma corrida impecável,” acrescentou, sublinhando a importância do resultado para uma equipa como a Alpine, que raramente tem oportunidades para subir ao pódio num contexto tão competitivo.

Gasly garantiu que cumpriu rigorosamente os limites da velocidade na via das boxes, afirmando que o limitador de velocidade do seu monolugar estava configurado para 59,5 km/h, com alguma margem de segurança. “Estou 200% certo de que o ativei antes das penalizações. Não acredito que isto tenha acontecido,” lamentou, destacando o quão raro e valioso é um pódio para a equipa sediada em Enstone, onde o trabalho árduo nem sempre é recompensado.

O francês não esteve sozinho na sua indignação. Pilotos como Oscar Piastri e George Russell levantaram a hipótese de um problema informático estar na origem dos múltiplos erros que levaram às penalizações. “Como é possível que tantos pilotos sejam penalizados na mesma corrida por um erro tão minúsculo, de milímetros ou décimos no velocímetro? Isto não é algo que se espera na Fórmula 1,” questionou Gasly.

O grande revés para Gasly foi não ter podido viver o momento mágico do pódio, no icónico palanque do Casino de Mónaco. “Roubaram-me o meu momento. Nunca subi ao pódio nem celebrei com champanhe,” desabafou, manifestando esperança de que a FIA faça uma análise rigorosa do incidente e dos sistemas de medição usados. “Espero que corrijam isto e que nos concedam pelo menos os pontos que merecíamos,” concluiu, referindo-se a uma possível atribuição de 15 pontos em vez dos seis que recebeu até agora, enquanto decorre o pedido de revisão.

A Alpine formalizou o requerimento de direito de revisão junto da FIA, exigindo a reavaliação das penalizações que alteraram os resultados da prova. Esta decisão poderá inverter a classificação final e devolver à equipa e ao piloto o reconhecimento que, segundo defendem, lhes foi injustamente negado.

Em paralelo, a análise técnica de especialistas, como Bernie Collins da Sky Sports F1, sugere que a configuração peculiar da entrada da via das boxes em Mónaco – com uma transição de uma velocidade mais baixa para o limite permitido – poderá ter contribuído para que os pilotos fossem surpreendidos, especialmente quando tentaram maximizar o ritmo na corrida. “É um cenário invulgar, pois normalmente os pilotos vêm a velocidades mais elevadas e reduzem para o limite, mas aqui acontece o contrário, o que pode apanhar os pilotos desprevenidos,” explicou Collins.

Este episódio promete prolongar-se nas próximas semanas, com a Fórmula 1 a aguardar o desfecho da revisão da FIA, que poderá ter impacto significativo não só no resultado da prova de Mónaco, mas também na forma como são monitorizados e aplicados os limites de velocidade na via das boxes em futuras corridas. A luta de Pierre Gasly e da Alpine pelo reconhecimento do justo pódio em Monte Carlo é um dos temas mais quentes da atualidade da Fórmula 1.

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