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Adeus, SEAT? Volkswagen prepara fim da marca espanhola até 2029

Publicado a 4 de Setembro de 2026, 08h00  ·  Atualizado a 7 de Setembro de 2026, 13h29  ·  3 min de leitura

A SEAT poderá desaparecer até ao final de 2029. Segundo um documento interno da Volkswagen, a marca espanhola terá sido retirada do planeamento estratégico de longo prazo do grupo, que pretende concentrar cada vez mais recursos na CUPRA.

A informação foi avançada pela imprensa alemã, que teve acesso a um documento preparado para uma reunião do Conselho de Supervisão da Volkswagen. Segundo a WirtschaftsWoche, o plano passa por descontinuar a SEAT de forma gradual, mantendo o apoio aos atuais clientes e cumprindo as obrigações existentes.

O documento refere ainda que os produtos, operações comerciais e infraestrutura de produção da SEAT deverão ser transferidos para a CUPRA sempre que possível. Manter a SEAT na sua forma atual implicaria, segundo a Volkswagen, a utilização de recursos adicionais.

CUPRA cresce, SEAT perde força

A confirmar-se, será um final surpreendente para uma marca com 76 anos de história. Fundada em 1950 e integrada no Grupo Volkswagen desde os anos 80, a SEAT tornou-se uma das marcas mais importantes do grupo na Europa, graças a modelos como o Ibiza, Leon e Arona.

No entanto, a situação mudou significativamente desde que a CUPRA, inicialmente uma divisão desportiva da SEAT, se tornou uma marca independente em 2018.

Os números ajudam a explicar a mudança de estratégia. Em 2025, SEAT e CUPRA venderam juntas 586.300 veículos, mas enquanto as vendas da CUPRA cresceram 33%, as da SEAT caíram 17%. A Volkswagen pretende agora que a CUPRA consiga atingir, sozinha, entre 500.000 e 600.000 unidades vendidas por ano.

Outro sinal evidente está na eletrificação. A CUPRA tem recebido novos modelos e investimentos, incluindo o futuro Raval, enquanto a SEAT continua sem um modelo elétrico de produção. Numa altura em que a Volkswagen acelera a transição para os veículos elétricos, esta diferença de tratamento torna-se cada vez mais evidente.

Volkswagen enfrenta uma enorme reestruturação

O possível desaparecimento da SEAT acontece num momento particularmente difícil para a Volkswagen. O grupo está a preparar uma profunda redução de custos, que poderá incluir o encerramento de fábricas na Alemanha e uma redução significativa da capacidade de produção.

A Volkswagen pretende passar de uma capacidade anual de cerca de 12 milhões para nove milhões de veículos, enquanto enfrenta vendas mais fracas na China, maior concorrência, tarifas e os elevados custos associados à eletrificação.

Neste contexto, a SEAT parece estar a perder espaço para a CUPRA. Curiosamente, ainda em janeiro, a Volkswagen falava de forma positiva sobre o futuro da marca, na sequência da atualização do Ibiza e do Arona. Agora, poucos meses depois, surge um cenário bastante diferente.

Ainda não há confirmação oficial

Apesar da informação divulgada, a Volkswagen não confirmou oficialmente o fim da SEAT. A SEAT/CUPRA afirmou que o Grupo Volkswagen está atualmente a trabalhar num plano de transformação para melhorar a competitividade e eficiência das suas operações, acrescentando que não foram tomadas quaisquer decisões estratégicas definitivas relativamente à SEAT.

Por isso, oficialmente, a marca continua de pé. Mas, caso o documento divulgado esteja correto, o futuro parece cada vez mais limitado.

Se o plano avançar, a SEAT não desaparecerá de um dia para o outro. A transição deverá ser gradual ao longo dos próximos três anos, enquanto a CUPRA assume cada vez mais importância dentro do grupo. Depois de 76 anos de história, 2029 poderá ser o ano em que a SEAT deixa definitivamente de existir como marca automóvel.

Ricardo Carvalho

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Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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