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Ferrari de Michael Jordan que inspirou os Air Jordan XIV pode valer mais de 1 milhão de dólares

Publicado a 3 de Setembro de 2026, 16h00  ·  Atualizado a 7 de Setembro de 2026, 13h33  ·  3 min de leitura

O Ferrari 550 Maranello que pertenceu à lenda dos Chicago Bulls esteve desaparecido durante 24 anos. Agora reaparece num leilão e pode atingir um valor quatro vezes superior ao de um exemplar normal.

Há carros clássicos que valem pelo que são. Outros tornam-se verdadeiras peças de coleção por causa da história que carregam. O Ferrari 550 Maranello de Michael Jordan pertence claramente à segunda categoria.

O exemplar que a estrela dos Chicago Bulls comprou novo em 1997 está de volta ao mercado depois de ter permanecido praticamente fora do radar durante quase um quarto de século. E a expectativa é enorme: a estimativa para o leilão situa-se entre 700 mil e 1,3 milhões de dólares.

É um valor muito acima dos cerca de 300 mil dólares atribuídos pela Hagerty a um 550 Maranello em excelente estado. Não é apenas um Ferrari. É parte da história de Jordan

Jordan recebeu o carro em maio de 1997, pouco depois de conquistar o seu quinto título da NBA. O chassis é o 108712 e a configuração não podia ser mais especial.

A carroçaria foi pintada em Rosso Barchetta, combinada com jantes Speedline cromadas e um interior em pele cor de canela. Na traseira estava ainda uma matrícula personalizada do Illinois com uma referência inequívoca ao proprietário: “MJ 5”.

E houve outro detalhe que obrigou a Ferrari a adaptar o automóvel. Com 1,98 metros de altura, Jordan precisava de espaço adicional para conduzir. A marca instalou, por isso, calhas de banco mais compridas e um estofo mais fino. Quando o vendeu, em dezembro de 2002, o Ferrari tinha apenas cerca de 10.300 quilómetros.

A história fica ainda mais interessante quando se percebe que este 550 Maranello não serviu apenas como automóvel pessoal de Jordan. O carro ajudou a inspirar os Air Jordan XIV.

As linhas do Ferrari, os materiais, os detalhes e até determinados elementos visuais foram incorporados no desenho das sapatilhas. E foi precisamente com os Air Jordan XIV que Michael Jordan protagonizou um dos momentos mais famosos da sua carreira: o lançamento decisivo frente aos Utah Jazz, em 1998, que lhe deu o sexto anel da NBA.

É esta ligação entre automóvel e basquetebol que transforma o Ferrari numa peça de memorabilia muito mais rara do que um simples clássico italiano.

Debaixo do capô está aquilo que tornou o 550 Maranello tão desejado pelos colecionadores: um V12 atmosférico de 5,5 litros, com 485 CV, associado a uma caixa manual de seis velocidades.

Na época, o 550 Maranello representou também o regresso da Ferrari ao conceito tradicional de grande turismo com motor dianteiro, tornando-se um dos modelos mais emblemáticos da marca dos anos 90.

Mas este exemplar tem um argumento impossível de encontrar noutro carro: foi conduzido por Michael Jordan e conserva documentação associada ao próprio jogador, incluindo a assinatura no cartão de garantia de fábrica.

O Ferrari será apresentado pela Joopiter, depois de ter reaparecido em 2026, 24 anos depois de ter desaparecido do circuito público. Entre 15 e 20 de setembro, estará exposto em Nova Iorque, no The Cart Department, juntamente com outra peça extraordinária: a camisola que Jordan utilizou no terceiro jogo das Finais da NBA de 1998.

Duas peças ligadas ao mesmo momento histórico, colocadas lado a lado para um leilão que poderá transformar um Ferrari já especial numa verdadeira peça de culto.

Se a estimativa mais elevada se confirmar, este 550 Maranello poderá ultrapassar 1 milhão de dólares. E nesse caso, Michael Jordan provará mais uma vez que o seu legado vai muito além das quatro linhas.

Ricardo Carvalho

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Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.

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