A Honda reconheceu que a sua unidade de potência para a Fórmula 1 de 2026, desenvolvida em parceria com a Aston Martin, não será competitiva, mas não esperava que a situação fosse tão crítica. O responsável pela gestão em pista e engenheiro-chefe, Shintaro Orihara, revelou que a equipa já tinha consciência da falta de competitividade desde 2025, mas a realidade superou as expectativas negativas.
Na estreia da parceria Aston Martin-Honda, a situação foi tudo menos favorável. O chassis revelou-se não competitivo, enquanto a unidade de potência demonstrou-se pouco potente e pouco fiável. A combinação resultou num AMR26 que, para os pilotos Fernando Alonso e Lance Stroll, transformou-se numa verdadeira armadilha, incapaz de completar distâncias de corrida. Orihara explicou que, apesar dos esforços para melhorar a fiabilidade, isso teve um impacto negativo no desempenho, uma tarefa difícil que a equipa enfrentou desde os primeiros dias de desenvolvimento da unidade de potência.
Em entrevista ao Motorsport.com, Orihara destacou que, no final do ano passado, a posição da Honda não parecia tão má. “Ainda assim, o desempenho e a dirigibilidade estavam em fase de desenvolvimento, mas parecia aceitável.” Contudo, em janeiro, perceberam que, embora tivessem encontrado melhorias em algumas áreas, também surgiram questões de fiabilidade. “Quando começámos a correr em Barcelona, percebemos que o nosso desempenho era definitivamente fraco comparado aos outros fabricantes. Também encontramos problemas na parte da bateria.” Orihara admitiu que não estavam numa boa posição e que, embora já soubessem no final do ano passado que não eram competitivos, não esperavam que a situação fosse tão grave.
Após a decisão de abandonar a Fórmula 1 no final da temporada de 2021, a Honda redirecionou os seus recursos para outros projectos de carbono neutro. O regresso da marca japonesa à Fórmula 1 foi motivado pelas novas regulamentações, mas a extensão das mudanças na unidade de potência revelou-se um desafio inesperado. Orihara indicou que a alteração dos componentes foi significativa, como o aumento da potência do MGU-K de 120 para 350 quilowatts, além de mudanças na taxa de fluxo de combustível do motor de combustão interna.
A remoção do MGU-H também se revelou um desafio, pois esta alteração afeta a dirigibilidade. Orihara sublinhou que, embora não seja fácil identificar um único componente como o mais desafiador, a combinação de todas estas mudanças é que torna o cenário complexo. A Honda planeia introduzir a sua unidade de potência actualizada após a pausa de verão da Fórmula 1, em Zandvoort, seguindo um grande upgrade do carro da Aston Martin, que estreou no Grande Prémio da Hungria de 2026.
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