Fernando Alonso alertou para as dificuldades que os pilotos vão enfrentar na gestão da energia no Grande Prémio da Bélgica, no icónico circuito de Spa-Francorchamps. O piloto espanhol revelou qual é a estratégia de “implantação ótima” da energia elétrica, mas avisou que isso implica um sector inteiro percorrido sem qualquer utilização deste recurso, deixando os carros de Fórmula 1 com “menos potência do que os carros de Fórmula 2”.
No contexto da atual fórmula motriz de 2026, que equilibra quase meio a meio a potência do motor de combustão interna e a energia elétrica, a gestão da energia tornou-se um factor decisivo para o desempenho. Circuitos designados como “pobres em energia”, como Silverstone e Spa-Francorchamps, apresentam um desafio acrescido devido às suas longas rectas e escassez de zonas de travagem pesada, essenciais para recuperar energia.
Alonso explicou que, em Spa, se os pilotos usarem a energia elétrica na totalidade nos primeiros sectores, especialmente entre a curva 1 e a 5, não terão disponibilidade para a segunda metade da volta, nomeadamente no sector 2, que ficaria “sem qualquer implantação”. “Se fizerem essa implantação óptima, o sector 2 será percorrido sem qualquer ajuda da energia elétrica. Temos de guardar um pouco para o final da volta, do sector 14 até à chicane do Bus Stop”, afirmou o piloto da equipa Alpine em declarações à imprensa especializada.
O espanhol destacou ainda que, sem a energia eléctrica, os carros de Fórmula 1 de 2026 apresentam uma potência significativamente inferior à da temporada anterior, e até menor que os monolugares da Fórmula 2, que utilizam motores Mecachrome V6 biturbo de 3,4 litros sem qualquer sistema híbrido. “Com o corte da implantação, o carro tem menos potência do que um Fórmula 2. Isso é um verdadeiro desafio”, acrescentou Alonso.
Este alerta surge numa altura em que a gestão da energia tem sido um tema central, especialmente em circuitos que não favorecem a recuperação de energia. Lewis Hamilton, após o Grande Prémio da Grã-Bretanha em Silverstone, admitiu temer dificuldades semelhantes, embora tenha confirmado que o problema não foi tão grave como se antecipava.
Com o regulamento de motores previsto ser ajustado para 2027, privilegiando maior potência do motor de combustão interna, esta questão da gestão de energia promete continuar a ser um dos grandes focos no desenvolvimento da Fórmula 1 nos próximos anos. O desafio colocado por Spa-Francorchamps é um exemplo claro da complexidade a que os pilotos e equipas terão de se adaptar para manterem a competitividade.
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