Adrian Newey, director técnico e principal responsável da Aston Martin, admitiu que a equipa falhou ao não consultar adequadamente os seus pilotos Fernando Alonso e Lance Stroll durante o desenvolvimento do monolugar de Fórmula 1 para 2026. O conjunto Aston Martin-Honda tem sido o mais lento em termos médios desde o início da nova era regulamentar, somando apenas um ponto fruto de desistências nas primeiras nove provas da temporada.
A Aston Martin optou por adiar as atualizações do carro, numa estratégia que, segundo o chefe operacional Mike Krack, resultou numa clara vantagem das equipas rivais em termos de performance. Esta decisão foi tomada em parte devido ao limite orçamental imposto pelo regulamento. O bicampeão Fernando Alonso, ainda indeciso quanto à renovação da sua carreira para uma 24.ª época, manifestou a sua frustração perante a falta de melhoramentos incrementais.
Antes do Grande Prémio da Grã-Bretanha, na fábrica da Aston Martin em Silverstone, Newey reconheceu que tem sido “extremamente frustrante” para Alonso e Stroll não poderem competir ao nível desejado devido aos problemas de fiabilidade e desempenho. O técnico explicou que tem dedicado tempo a esclarecer aos pilotos o que está planeado para o pacote de atualizações, incluindo o que se prevê para a temporada de 2027. “Embora possa não parecer, estamos muito atentos aos seus comentários e a tentar agir em conformidade”, garantiu Newey.
O responsável admitiu que a equipa poderá ter falhado ao não passar tempo suficiente a discutir detalhadamente os planos com Alonso, Stroll e o piloto de reserva Jak Crawford, o que terá contribuído para a frustração sentida. O pacote de atualizações da Aston Martin deverá estrear-se no Grande Prémio da Hungria, antes da pausa de verão, com uma segunda fase prevista para o GP da Holanda, onde a Honda também apresentará a única melhoria planeada para o motor em 2026.
Estas atualizações prometem alterações aerodinâmicas significativas e uma redução de peso estimada entre 10 a 15 quilos, dado que o carro atual tem um sobrepeso considerável. Newey explicou que a decisão de suspender as melhorias mais pequenas surgiu após constatarem, logo no início da temporada, que o desempenho estaria aquém do necessário. “Tomámos uma decisão dolorosa, mas acredito correta, de não desenvolver o carro na primeira metade do ano, mesmo sabendo que isso aumentaria o fosso para os líderes”, afirmou.
O objetivo passa por reorganizar a estrutura, implementar novos sistemas e aprofundar a investigação técnica, já que o carro de 2026 foi desenvolvido numa janela temporal muito limitada. Newey agradeceu a paciência dos parceiros e adeptos, reconhecendo que a situação atual é “dolorosa”, mas espera que estas dificuldades se tornem numa memória distante, ainda que dolorosa. A Aston Martin aposta agora numa recuperação sustentada com as atualizações programadas para o verão e o planeamento a longo prazo para a próxima época.
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