A luta pelo título do Campeonato do Mundo de Fórmula E ganhou uma nova dimensão. Pascal Wehrlein protagonizou uma exibição autoritária em condições traiçoeiras, marcadas pela chuva, para vencer o E-Prix de Xangai de sábado, a décima segunda ronda da temporada, reduzindo para apenas três pontos a diferença para o líder do campeonato, Mitch Evans, transformando o que parecia ser uma vantagem confortável no topo da classificação numa emocionante batalha até ao final. Atrás do piloto da Porsche, o português António Félix da Costa realizou uma excelente corrida para terminar na segunda posição pela Jaguar TCS Racing, numa prova em que as condições meteorológicas desempenharam um papel decisivo.
Para Wehrlein, esta vitória colocou um ponto final numa fase frustrante. Depois de três corridas consecutivas sem somar qualquer ponto, o piloto alemão aproveitou da melhor forma a pole position para assumir o controlo da corrida desde o início. Jake Dennis chegou a retirar-lhe a liderança, mas Wehrlein recuperou o primeiro lugar na sétima volta e nunca mais olhou para trás, executando uma jogada estratégica decisiva ao ativar o Pit Boost na volta quinze — poucos instantes antes de a chuva começar a intensificar-se sobre o circuito de Xangai.
«Sabíamos que a posição em pista seria crucial, especialmente com a chuva a aproximar-se», afirmou o vencedor, antes de elogiar a sua equipa de estratégia pela decisão tomada no momento certo. «O momento em que fizemos o Pit Boost foi decisivo para controlar a corrida.»
O agravamento das condições meteorológicas obrigou à entrada do Safety Car na volta dezanove, neutralizando a corrida até à volta vinte e três, enquanto a chuva continuava a aumentar. No recomeço, Wehrlein demonstrou porque é um antigo campeão do mundo de Fórmula E, afastando-se imediatamente dos perseguidores e gerindo a vantagem de forma exemplar até à bandeira de xadrez, vencendo com o tempo de 40:30.411. Félix da Costa terminou a 1,633 segundos, depois de uma excelente prestação, enquanto Jake Dennis, da Andretti, completou o pódio na terceira posição, a 4,709 segundos.
O dia dificilmente poderia ter corrido pior para o líder do campeonato, Mitch Evans. O neozelandês chegou a Xangai com uma vantagem de 19 pontos no topo da classificação, mas viveu uma tarde muito complicada e não foi além do oitavo lugar, vendo a sua vantagem praticamente desaparecer e a luta pelo título transformar-se numa verdadeira disputa a três.
Evans mantém a liderança do campeonato com 132 pontos, mas Wehrlein está agora apenas a três pontos, com 129, quando a temporada entra na sua fase decisiva. E, para os adeptos portugueses, há outro dado importante: Félix da Costa ocupa o terceiro lugar do campeonato com 111 pontos, mantendo intactas as suas aspirações ao título à medida que a temporada se aproxima do desfecho.
Para Félix da Costa, o segundo lugar em Xangai representa uma importante demonstração de força. Em condições difíceis, marcadas pela chuva e pela constante necessidade de gerir o risco, o piloto português manteve sempre a calma, aproveitou todas as oportunidades e conduziu o seu Jaguar até um resultado que o mantém plenamente na luta pelo maior objetivo da temporada. Foi uma prestação inteligente, consistente e madura, daquelas que caracterizam os campeões, garantindo que, quando a decisão do Campeonato do Mundo de Fórmula E chegar, António Félix da Costa estará entre os principais protagonistas.
O E-Prix de Xangai mudou por completo o panorama do campeonato. O que parecia ser uma luta pelo título a caminhar numa única direção transformou-se agora numa batalha intensa e extremamente equilibrada. Com Wehrlein em clara recuperação, Evans sob pressão e Félix da Costa à espreita, a corrida ao Campeonato do Mundo de Fórmula E promete um final absolutamente emocionante.
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