Aston Martin aposta em carro mais leve já no Grande Prémio da Hungria

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Um dos maiores pontos de viragem da época da Aston Martin está prestes a acontecer, com o lançamento do remodelado e mais leve AMR26 previsto para o Grande Prémio da Hungria, imediatamente antes da pausa de verão. Depois de vários meses a ocupar o último lugar do pelotão, a equipa britânica prepara-se para introduzir um pacote de atualizações profundas, numa tentativa clara de relançar a sua campanha de 2024 e, finalmente, entrar na luta pelos pontos.

A Aston Martin confirmou que a estreia do novo chassis não está mais dependente da chegada da unidade motriz evoluída da Honda. Contrariando as expectativas iniciais, que apontavam para uma introdução conjunta do novo carro e motor no Grande Prémio da Bélgica, a equipa decidiu priorizar o novo AMR26 já no Hungaroring, circuito conhecido pelas suas curvas apertadas e baixa velocidade de ponta, onde as desvantagens de potência são menos penalizadoras. Até ao momento, a Aston Martin apenas conseguiu somar um ponto desde o arranque da época na Austrália, mantendo-se atrás da Audi, que também atravessa dificuldades. O novo pacote visa inverter esta tendência, com alterações cirúrgicas para atacar as principais debilidades identificadas nos testes de pré-época em Barcelona e Bahrein: excesso de peso e falta de carga aerodinâmica.

Apesar de muitos rumores sugerirem que se trata de um carro B-spec, Adrian Newey, diretor técnico da Aston Martin, esclareceu que as mudanças, embora profundas, não representam uma rutura total com o conceito original: “Os principais elementos estruturais mantêm-se – o chassis e a arquitetura da caixa de velocidades não mudam fundamentalmente – mas retirámos peso de ambos, o que exigiu uma nova homologação e testes de colisão no chassis dianteiro”, explicou Newey ao site oficial da equipa. “A suspensão dianteira mantém-se inalterada, a traseira foi ligeiramente revista. Desenvolvemos um novo nariz e superfícies aerodinâmicas substancialmente revistas. Portanto, embora a estrutura base seja semelhante, trata-se de um grande pacote aerodinâmico aliado a uma redução de peso significativa. O objetivo é aproximarmo-nos do limite mínimo de peso.”

A importância deste pacote é sublinhada pelo contexto do campeonato, com a Aston Martin a tentar recuperar terreno num pelotão onde cada décimo faz diferença e onde a gestão do teto orçamental obriga a escolhas estratégicas precisas. Mike Krack, diretor de operações de pista, sublinhou o estado de espírito da equipa: “Não estamos assim tão longe. Há luz ao fundo do túnel. Vamos ultrapassar os próximos dois eventos com a situação que já tínhamos.” No entanto, Krack reconheceu que o atraso na chegada das melhorias é frustrante: “Toda a gente está a trabalhar ao máximo porque queremos tirar o máximo partido do que aí vem. Por isso, puxamos sempre os prazos ao limite e vamos estrear assim que estiver pronto”, garantiu após o GP de Espanha.

Fernando Alonso, piloto da Aston Martin, não escondeu a sua frustração por ver outras equipas a introduzir novidades em cada fim de semana, enquanto a sua formação optou por canalizar recursos para uma única grande evolução: “É surpreendente ver a página de atualizações da FIA todas as sextas-feiras, porque parece que algumas equipas têm uma máquina de fazer dinheiro escondida no piso menos um da fábrica”, ironizou Alonso, referindo-se à habitual vantagem de desenvolvimento dos rivais. Ainda assim, o asturiano reconheceu que, dadas as limitações do teto orçamental, apenas um grande salto permitirá voltar a lutar verdadeiramente pelos pontos: “Pequenas melhorias não chegariam. Só um grande passo nos coloca novamente em posição de pontuar.”

Nos bastidores, as dificuldades sentidas na conceção do AMR26 deixaram lições importantes. Newey admitiu que o arrojo aerodinâmico, aliado à pressão do calendário, complicou a vida da equipa: “A nível aerodinâmico, seguimos uma direção ousada – muito impulsionada por mim – sem o luxo de explorar múltiplos conceitos em profundidade. Não diria que foi uma escolha errada, mas trouxe desafios que não antecipámos.” O britânico revelou ainda ter enfrentado problemas de saúde em 2025, algo que obrigou a uma gestão mais cuidadosa do seu tempo e energia: “Agora estou bem, mas foi um período difícil. A equipa soube adaptar-se, o que revela o quão flexível e solidário é este grupo.”

Com o novo carro prestes a ser lançado, a Aston Martin aposta numa evolução sustentada após a pausa de verão, esperando que a ausência de gastos significativos na primeira metade do ano lhe permita manter o ritmo de desenvolvimento quando os rivais já tiverem atingido os seus limites financeiros. Quanto à unidade motriz da Honda, os responsáveis japoneses confirmaram que a atualização, centrada na eficiência da combustão e redução de atrito, só deverá chegar após o verão, provavelmente em Monza, e será a única homologação para esta época. Shintaro Orihara, responsável de pista da Honda, esclareceu: “O nosso foco está em trazer um pacote de melhorias significativo. Depois da pausa, a estratégia será pensar já no próximo ano, em vez de pequenas atualizações pontuais.”

Segue-se o Grande Prémio da Hungria, onde a Aston Martin espera finalmente dar sinais de vida e relançar a sua campanha. O que está em jogo não é apenas a honra da equipa, mas também a possibilidade de recuperar posições no Mundial de Construtores e devolver motivação a Alonso e Lance Stroll. Se o novo AMR26 cumprir as expectativas, poderemos assistir a uma reaproximação ao pelotão intermédio e, quem sabe, ao regresso da Aston Martin à luta pelos pontos ainda antes da pausa de verão.

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