Carlos Sainz voltou a viver um fim-de-semana frustrante no Grande Prémio da Áustria, ao ver-se forçado a abandonar devido a mais um problema de fiabilidade no Williams FW48. O piloto espanhol, que este ano trocou a Ferrari pela equipa de Grove, não escondeu o desalento: “Não temos fiabilidade, não temos ritmo, não temos um carro capaz de marcar pontos.” A realidade dura foi evidenciada por mais um desfecho amargo, numa época 2026 que teima em não sorrir à histórica equipa britânica.
Na qualificação de sábado, tanto Sainz como o seu colega de equipa, Alex Albon, não foram além do Q1, ficando ambos eliminados antes de poderem lutar pelas posições cimeiras. Sainz ficou-se pela 17.ª posição na grelha, com Albon logo atrás, reflexo das dificuldades sentidas por um monolugar claramente a braços com excesso de peso e falta de competitividade. Na corrida, Sainz ainda conseguiu lutar com carros da Audi, Alpine e Haas durante as primeiras voltas, mostrando algum ritmo inesperado, mas acabou por abandonar na volta 26, quando uma falha eléctrica o obrigou a encostar na reta da meta, provocando a entrada do Virtual Safety Car. Alex Albon terminou em 15.º, distante dos pontos. Williams mantém-se assim no 8.º lugar do Mundial de Construtores, com apenas 11 pontos, enquanto Sainz é 14.º no campeonato de pilotos, com 6 pontos.
A falta de resultados começa a pesar e a pressão interna aumenta, especialmente numa grelha onde a luta pelo meio do pelotão está cada vez mais intensa. Para a Williams, o objectivo passa por resolver os graves problemas de excesso de peso e falta de fiabilidade que têm minado as hipóteses de pontuar regularmente. O próprio Sainz reconheceu após a corrida, em declarações à DAZN: “Descobrimos algumas coisas ontem à noite e antes da qualificação que não estavam a funcionar bem. Conseguimos corrigir e, honestamente, hoje estava a fazer uma boa corrida. Estava a lutar com carros que não esperava – os Audis, os Alpines, os Haas – e consegui mantê-los atrás. Isso é o lado positivo: o ritmo.”
No entanto, rapidamente o entusiasmo se dissipou perante o abandono forçado. Sainz não deixou de salientar o contexto difícil: “Não nos iludamos, é positivo apenas dentro do contexto do nível de performance que temos neste momento, que é muito fraco. É positivo porque este fim-de-semana não estava confortável com o carro, mas mudámos algumas coisas antes da qualificação e mais algumas antes da corrida, e voltei ao ponto em que estava em Barcelona e nas corridas anteriores, onde me sentia confortável – pelo menos com a performance limitada que temos. Fico pelo menos tranquilo com isso. Mas espero que este tenha sido o último destes fins-de-semana realmente maus em que tudo correu mal. Porque, no fim, não temos fiabilidade, não temos ritmo, não temos um carro capaz de marcar pontos, por isso resta esperar para ver se as coisas melhoram em Silverstone.”
A esperança da equipa de Grove reside agora num pacote de evoluções que será estreado já no Grande Prémio da Grã-Bretanha, próximo fim-de-semana, em Silverstone. O desenvolvimento tem sido cauteloso, com a Williams a tentar atacar os problemas de peso e performance numa só fase, para não desperdiçar recursos do orçamento em pequenas alterações pouco eficazes. Albon, o outro piloto da equipa, antecipa melhorias mas mantém o discurso realista: “Não nos vai colocar a lutar pelo meio do pelotão, mas talvez fiquemos mais perto da Haas. Acho que esse é um primeiro passo sensato este ano, aproximar-nos um pouco dos carros do meio da tabela. Hoje fomos dobrados pelos RB, por isso… ainda estamos bastante longe.”
Com Silverstone à porta, a Williams procura inverter a maré negativa e dar a Sainz e Albon as ferramentas necessárias para regressar aos pontos. A luta pelo meio do pelotão está ao rubro, com equipas como Audi, Alpine, Haas e até RB a aproveitar cada oportunidade. Para a Williams, o foco está em recuperar competitividade sem comprometer o futuro financeiro, apostando em evoluções cirúrgicas. O próximo capítulo escreve-se já daqui a dias, no mítico traçado britânico, onde cada décimo pode fazer toda a diferença na luta pelo orgulho e pelos pontos no Mundial de Fórmula 1.
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