O impacto da ousadia de Max Verstappen deixou marca indelével na estreia de Liam Lawson ao volante de um Fórmula 1, durante o Grande Prémio dos Países Baixos de 2023. O jovem neozelandês, chamado de urgência para substituir Daniel Ricciardo na AlphaTauri — então conhecida por esse nome, agora Racing Bulls — viu-se numa situação inédita e desafiante sob condições adversas e com o olhar atento do paddock sobre si.
Lawson entrou em acção pela primeira vez na terceira sessão de treinos livres, com a pista de Zandvoort encharcada e sem qualquer experiência prévia nem com o monolugar, nem com pneus intermédios. Apesar da pressão e do contexto imprevisível, o piloto procurou inspiração no estilo agressivo de Verstappen, campeão em título, e cedo percebeu a diferença abismal que separa um estreante de um piloto de topo. “Nunca vou esquecer isto. A primeira vez que entrei num Fórmula 1, com Zandvoort molhado em FP3, nunca tinha guiado o carro nem o circuito e tudo era novo. O compromisso exigido para pilotar estes carros é brutal. Se estiveres a 99%, já perdes muito tempo por volta, tens de arriscar sempre tudo”, explicou Lawson, recordando o momento crucial.
O episódio que mais o marcou foi precisamente quando, ao tentar imitar Verstappen numa das últimas curvas, perdeu o controlo e rodou. “No final da sessão, estava a ganhar confiança e vi o Max a passar por mim, com o carro em ‘power slide’. Só pensava: ‘Não há hipótese de fazer isto agora, estou desconfortável, é a minha primeira sessão’. Mas na volta seguinte, decidi arriscar tudo, mandei-me e rodei o carro montanha abaixo. Fiquei logo a perceber o limite.” O neozelandês destacou ainda a habilidade do holandês para controlar o carro em situações-limite: “Ele tem imensos momentos em que apanha o carro completamente no limite. Em Barcelona, no ano passado, fez um dos maiores saves que já vi. São pormenores que muitos esquecem, mas de dentro do cockpit são impressionantes.”
A importância deste episódio não se esgota na aprendizagem técnica. Lawson sublinha o impacto psicológico de competir lado a lado com Verstappen, especialmente quando ambos se cruzaram em pista, como aconteceu em Miami. “A forma como ele aborda cada duelo é diferente. Ou recuas, ou bates. É sempre assim. O nível de compromisso dele é extremo. Dá-te sempre a opção: ou ficas e batemos, ou ele passa.”
O desempenho de Lawson nesse fim-de-semana de estreia, embora marcado por dificuldades e erros de principiante, revelou o quão exigente é o ambiente na Fórmula 1, especialmente numa estrutura como a Red Bull, conhecida pela pressão interna e pela busca incessante de resultados. O neozelandês reconheceu ainda, em declarações posteriores, que o apoio e o exemplo de Verstappen foram fundamentais para ultrapassar o momento difícil que viveu aquando do seu afastamento do programa Red Bull, admitindo: “O Max apoiou-me muito quando saí da estrutura. Saber que alguém como ele reconhece o esforço e o potencial fez toda a diferença.”
Com o campeonato a avançar, a Racing Bulls segue a preparar-se para as próximas provas, com Daniel Ricciardo a recuperar e Yuki Tsunoda a tentar consolidar o seu lugar. Lawson, embora afastado do plantel principal, mantém-se como piloto de reserva, pronto a ser chamado caso surja nova oportunidade. O seu percurso, marcado pela resiliência e pela aprendizagem acelerada, promete voltar a dar que falar, sobretudo se continuar a evoluir sob a sombra e os ensinamentos de campeões como Verstappen. O próximo Grande Prémio poderá clarificar ainda mais o futuro do neozelandês, num paddock onde as oportunidades surgem e desaparecem ao virar de cada curva.
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