O abandono súbito de Andrea Kimi Antonelli, a poucas voltas do final do Grande Prémio de Espanha, deixou a Mercedes perante uma dura realidade: a fiabilidade continua a comprometer o potencial da equipa na luta pelos dois campeonatos. Mais do que a perda de 25 pontos cruciais para Lewis Hamilton, agora com a liderança do campeonato ameaçada, o desfecho em Barcelona serviu de alerta vermelho para Toto Wolff e toda a estrutura de Brackley.
Olhando para os factos, o Grande Prémio da Catalunha terminou com a Mercedes fora dos lugares do pódio, distanciando-se dos seus rivais directos. George Russell cruzou a linha de meta na sexta posição, a 34,7 segundos do vencedor, enquanto Antonelli, depois de ter rodado confortavelmente no top 5, viu-se forçado a abandonar devido a um novo problema eléctrico relacionado com a bateria — episódio semelhante ao que já afectara o próprio Russell no Canadá. Este revés permitiu a aproximação imediata da Red Bull e da Ferrari na classificação de pilotos e construtores, relançando a luta pelo título mundial numa fase em que a Mercedes parecia estar a controlar os acontecimentos.
A importância do momento não passou despercebida a Toto Wolff, especialmente tendo em conta que o próximo desafio será o seu Grande Prémio de casa, no Red Bull Ring, na Áustria. “Barcelona foi um ponto de referência para as nossas prestações actuais e, depois de vencermos as primeiras seis corridas, obrigou-nos a fazer contas com a realidade”, reconheceu Wolff, ainda a digerir a desilusão do último fim-de-semana. “Os outros ganharam terreno rapidamente e temos de reagir. Estamos a lutar pelos dois campeonatos, mas precisamos de melhorar se queremos chegar ao topo no final da época. O nosso calcanhar de Aquiles tem sido a fiabilidade. Perdemos muitos pontos com ambos os carros nas últimas corridas e, se não conseguirmos fazer fins-de-semana sem problemas, os nossos adversários vão aproveitar.”
A preocupação com a fiabilidade não é infundada: além dos problemas sentidos pela Mercedes, também as McLaren sofreram baixas inesperadas, deixando o campeonato num clima de incerteza. Ainda assim, Wolff garante que a equipa não está de braços cruzados. “Não estamos certamente a assistir impávidos. Este fim-de-semana, vamos levar para a Áustria alguns desenvolvimentos, focados tanto no desempenho como na fiabilidade. As margens são curtas, e ainda mais em Spielberg, dada a curta extensão da pista. Temos de montar um fim-de-semana melhor do que nas últimas corridas, mas se conseguirmos dar o máximo, sabemos que podemos lutar pela vitória”, sublinhou o responsável máximo da Mercedes.
A chegada dos novos desenvolvimentos ao Red Bull Ring torna este próximo Grande Prémio absolutamente decisivo para as aspirações da Mercedes. Com o plantel a apertar nos dois campeonatos, cada ponto pode ser determinante. A Red Bull e a Ferrari estão a reduzir a diferença e George Russell vê-se agora obrigado a converter a sua consistência em resultados mais expressivos, sob pena de perder terreno para adversários directos como Charles Leclerc e Lando Norris.
O calendário não perdoa: após a Áustria, segue-se Silverstone, onde a pressão será ainda maior para a Mercedes, perante os seus adeptos. Se os problemas eléctricos e as falhas de fiabilidade não forem resolvidos de imediato, a liderança do campeonato pode transformar-se rapidamente numa luta de recuperação. Por outro lado, caso as melhorias surtam efeito e a Mercedes consiga regressar aos lugares cimeiros, Wolff e companhia poderão consolidar a candidatura ao título e voltar a fazer tremer os rivais.
A expectativa para Spielberg é máxima: todos os olhos estarão postos nos W17 de Antonelli e Russell e na resposta que a Mercedes será capaz de dar perante a adversidade. A luta pelo campeonato está mais aberta do que nunca e cada decisão técnica a partir de agora será escrutinada ao mais ínfimo detalhe.
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