Adrian Newey pode transformar Aston Martin em candidata ao título em meses

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A chegada de Adrian Newey à Aston Martin está a provocar uma verdadeira onda de entusiasmo no paddock da Fórmula 1, com muitos a acreditarem que a histórica equipa britânica pode transformar-se numa candidata ao título já nos próximos meses. Este cenário, impensável há poucas semanas, ganha força após a confirmação de que Newey está a trabalhar a tempo inteiro em Silverstone, prometendo revolucionar o monolugar verde ainda esta temporada – enquanto Fernando Alonso continua a impressionar com a sua longevidade e talento.

Actualmente, a Aston Martin encontra-se numa posição modesta no Campeonato do Mundo de Fórmula 1, acumulando apenas um ponto após as nove primeiras provas. Esse único ponto foi conquistado por Fernando Alonso, ao terminar em décimo lugar no Grande Prémio do Mónaco – uma corrida marcada pelo rigor extremo dos comissários da FIA nas penalizações por excesso de velocidade na via das boxes. Apesar do contexto difícil, Alonso manteve-se fora de problemas e garantiu o primeiro resultado positivo do ano para a equipa de Lawrence Stroll. O plantel tem sentido de forma clara as limitações do motor Honda, que se revelou pouco fiável e com falta de performance, além de um chassis que, até agora, não esteve à altura das expectativas criadas com a chegada de Newey.

A entrada de Newey, um dos engenheiros mais conceituados da história da Fórmula 1, pode ser o catalisador de uma reviravolta surpreendente. A sua capacidade de desenhar monolugares vencedores é lendária, tendo sido responsável pelos títulos conquistados por Williams, McLaren e Red Bull. A pressão sobre a Aston Martin é agora elevada, pois a expectativa é que, com Newey ao leme do departamento técnico, o novo pacote aerodinâmico – previsto para ser introduzido nas próximas corridas – permita à estrutura britânica dar um salto significativo na grelha. O Grande Prémio da Grã-Bretanha, em Silverstone, poderá já ser palco de novidades técnicas substanciais.

Em termos de campeonato, a Aston Martin encontra-se actualmente afastada da luta pelos lugares cimeiros, mas a chegada de Newey e o potencial desbloqueado do motor Honda podem inverter a tendência negativa e devolver a equipa à luta pelas vitórias e pódios. Recorde-se que esta não é a primeira vez que Honda enfrenta dificuldades iniciais: a parceria falhada com a McLaren em 2015 é o exemplo mais flagrante, mas também a prova de que o construtor japonês é capaz de evoluir rapidamente, como ficou patente na sua colaboração com a Red Bull, que resultou em vários títulos mundiais para Max Verstappen.

Na sequência do Grande Prémio do Mónaco, Fernando Alonso não escondeu o seu desânimo, mas também a esperança num futuro melhor: “Foi um fim-de-semana muito complicado. Sabemos onde estamos a perder tempo e confiamos que as melhorias que estão para chegar possam fazer a diferença. A equipa está a trabalhar incansavelmente, e com Adrian Newey a liderar o desenvolvimento, acredito que podemos surpreender”, afirmou o piloto espanhol à imprensa após a corrida. Por seu lado, Mike Krack, director de equipa, destacou a resiliência do plantel: “Temos consciência das nossas limitações actuais, mas o ambiente interno é de enorme motivação. Sabemos que com o know-how do Adrian, é apenas uma questão de tempo até voltarmos a lutar pelos primeiros lugares”.

O próximo desafio será já no Grande Prémio da Áustria, onde se espera que algumas das inovações idealizadas por Newey comecem a ser implementadas. Caso a Aston Martin consiga reduzir a diferença para os líderes e conquistar pontos com regularidade, poderá reentrar na luta pelo quarto lugar do Mundial de Construtores, actualmente ocupado pela McLaren. A evolução do motor Honda e a adaptação do chassis ao estilo de condução de Alonso e Lance Stroll serão determinantes para o sucesso do projecto.

Os meses que se seguem serão decisivos para perceber se a aposta de Lawrence Stroll em Adrian Newey pode transformar a Aston Martin de “desilusão do ano” em candidata real ao título mundial, numa das reviravoltas mais marcantes da era híbrida da Fórmula 1. O paddock está atento – e os adeptos portugueses aguardam, expectantes, por mais um capítulo emocionante na história da categoria rainha do automobilismo.

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