A desilusão apoderou-se da garagem da Williams após mais um fim-de-semana para esquecer no Grande Prémio da Catalunha, onde Carlos Sainz terminou apenas em 12.º, a duas voltas do vencedor e longe dos lugares pontuáveis. A promessa de lutar pelo topo da Fórmula 1, feita no final da época passada quando a equipa assegurou o quinto lugar no Mundial de Construtores, parece agora mais distante do que nunca, com a formação de Grove a ocupar actualmente a oitava posição do campeonato e a ver o fosso para os adversários directos a aumentar a cada prova.
Os números em Barcelona foram claros: Sainz ficou a 1,8 segundos por volta dos mais rápidos na qualificação e, durante a corrida, a diferença oscilou entre 1,6 e 1,9 segundos, conforme as voltas. O FW48, que já nasceu atrasado devido a problemas nos testes de pré-temporada e com excesso de peso, ainda não conseguiu encontrar o equilíbrio certo entre performance e fiabilidade. Mesmo que a equipa consiga aproximar o monolugar do limite mínimo de peso regulamentar (768 kg), Sainz alerta que o verdadeiro problema está na falta de eficiência aerodinâmica, vital neste tipo de circuitos com curvas de média e alta velocidade.
Após a prova, na conferência para a imprensa espanhola, Carlos Sainz foi directo na análise: “Acho que se resolvermos o problema do excesso de peso, podemos entrar na luta pelos pontos – mas isso, sinceramente, não chega”, afirmou o piloto espanhol. “Se estivermos a um segundo dos líderes, vamos lutar com a Alpine. Não foi para isso que nos comprometemos este ano.” Sainz destacou ainda que “não é onde devíamos estar, tendo em conta todo o tempo de túnel de vento de que dispusemos e as horas de desenvolvimento investidas neste carro. Estar a um segundo por volta do topo é obviamente mau; estamos muito longe do que é necessário”.
Esta referência ao tempo de túnel de vento prende-se com os regulamentos da Fórmula 1, que atribuem mais tempo de desenvolvimento aerodinâmico às equipas piores classificadas, precisamente para tentar equilibrar o pelotão. A Williams, vinda do quinto lugar em 2025, goza actualmente de mais margem de evolução do que Mercedes, Ferrari, McLaren ou Red Bull, mas menos do que equipas como Racing Bulls, Haas, Audi, Aston Martin, Alpine e Cadillac. Curiosamente, a Alpine, última classificada em 2025, aproveitou ao máximo estes regulamentos e ocupa agora o quinto posto do campeonato, uma demonstração clara da importância destes recursos extra.
No entanto, Sainz insiste que a Williams deveria estar mais próxima dos da frente: “Realisticamente, sabíamos que ia ser difícil”, confessou o piloto no final da corrida. “Olhando para trás, acho que foi um choque perceber o quão longe estamos em curvas de média e alta velocidade. Parte deve-se ao peso, mas mais importante ainda, à carga aerodinâmica que temos. Não é um choque, nem um aviso, porque já sabíamos, mas é uma realização clara de que estamos muito longe do que devíamos ou queríamos estar. É altura de voltar à prancheta e começar a trazer mais novidades para o carro, porque, nestes circuitos, estamos demasiado atrás”.
A situação agrava-se com a gestão do orçamento: após um teste de colisão falhado na pré-época, elementos estruturais do FW48 tiveram de ser reforçados, penalizando o peso. Para cumprir o tecto orçamental da Fórmula 1, a Williams optou por prolongar ao máximo a vida útil dos componentes antes de os substituir por versões mais leves, o que tem atrasado a recuperação de performance.
No contexto do campeonato, este resultado representa um duro golpe para as aspirações da Williams em regressar ao protagonismo. A luta pelo quinto lugar nos Construtores parece, neste momento, um objectivo irrealista, com Alpine, Aston Martin e até Haas a mostrarem maior consistência e capacidade de evolução. Para Sainz e para James Vowles, director de equipa, o discurso é agora de contenção e realismo, mas também de mobilização interna para inverter a tendência negativa.
O Mundial de Fórmula 1 segue agora para o Red Bull Ring, na Áustria, onde as características do traçado – menos exigentes em termos de carga aerodinâmica – poderão dar algum alívio à Williams. No entanto, sem um salto significativo em termos de peso e eficiência aerodinâmica, será difícil para Sainz e para Logan Sargeant aspirarem a mais do que a luta pelos últimos pontos. O desafio para a histórica equipa britânica é monumental: transformar o desânimo actual numa plataforma para o futuro, sob pena de ver fugir, uma vez mais, o comboio dos protagonistas da Fórmula 1.
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