Formula E aposta em calendário mais diversificado com carros GEN4

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A confirmação do novo calendário da Fórmula E para 2026-27 apanhou muitos de surpresa: pela primeira vez, a competição de monolugares eléctricos passará a contar com 21 provas, incluindo clássicos do automobilismo mundial como Brands Hatch e Circuit of The Americas, além de manter icónicos circuitos citadinos como Tóquio e Tempelhof. O anúncio coincide com a chegada do muito aguardado Gen4, o monolugar que promete revolucionar o campeonato com 600 kW de potência e tracção integral, aproximando-se mais do que nunca dos níveis de performance da Fórmula 1.

A expansão do calendário evidencia a ambição da Fórmula E em afirmar-se como protagonista no panorama internacional. Para 2026-27, a competição alinha-se com mercados estratégicos, somando dois Grandes Prémios nos Estados Unidos (Austin e Miami) e duas etapas na China, além do regresso à histórica pista de Brands Hatch em substituição do circuito de Londres ExCeL. Nos números, o Gen4 impressiona: potência máxima de 600 kW (cerca de 815 cv) em modo ataque e 450 kW em modo corrida, prometendo velocidades e tempos de volta que se aproximam dos Fórmula 1, sobretudo nos circuitos permanentes. O calendário inclui ainda pistas de referência como Zandvoort, numa clara aposta numa mistura de circuitos citadinos, traçados históricos e versões adaptadas de Grandes Prémios.

Este salto qualitativo na performance e variedade de circuitos surge num momento em que a Fórmula E procura redefinir a sua identidade. Jeff Dodds, CEO da categoria, salientou numa conversa com jornalistas: “Tem de ser assim, porque estamos a crescer. Há 12 anos, estávamos na infância, com dois carros por piloto porque as baterias não eram suficientemente boas e as velocidades muito baixas. Agora, temos mais de 400 milhões de fãs em todo o mundo e carros quase tão rápidos como os da Fórmula 1. Queremos estar perto de grandes centros urbanos e em circuitos que permitam mostrar o potencial dos nossos monolugares.”

O dirigente revelou ainda o motivo para a mudança de Londres para Brands Hatch: “Londres foi brilhante para nós, mas o Gen4 simplesmente não cabe naquele traçado. Falei com o Bobby Epstein em COTA há três anos e ambos concordámos que valia a pena esperar pelo Gen4, que é muito mais adequado ao circuito.” Esta aposta em mercados de relevo segue o exemplo da Fórmula 1, que também reforçou a sua presença nos Estados Unidos e na China, mostrando que a luta pela atenção dos grandes mercados está ao rubro.

A ambição de rivalizar com a Fórmula 1 não se esgota na geografia. Dodds não escondeu que “o Gen4 coloca-nos mesmo nos calcanhares da Fórmula 1, e o Gen5 poderá ser ainda mais rápido.” Esta confiança reflecte-se igualmente na nova abordagem ao formato de fim-de-semana. A partir de 2026-27, a Fórmula E introduzirá corridas sprint nos fins-de-semana duplos: uma prova tradicional de gestão de bateria e uma E-Prix Unleashed, mais curta, onde os pilotos poderão explorar todo o potencial do carro sem restrições energéticas. “O que ouvimos dos fãs é que querem ver o Gen4 a fundo, não só na qualificação. O E-Prix Unleashed terá menos 10 minutos, mas será a ‘full send’ desde o arranque, com 450 kW disponíveis e os pilotos a darem tudo,” explicou Dodds, sublinhando que o equilíbrio entre estratégia e espectáculo continuará a ser uma marca da Fórmula E.

Apesar do entusiasmo, Dodds reconhece que a estratégia de diferenciação face à Fórmula 1 será determinante, sobretudo com a possível reintrodução dos motores V8 na F1 e o reforço da aposta na combustão interna. “É contra-intuitivo optar pela combustão quando o mercado caminha para a electrificação, mas para nós é positivo: ficamos com uma identidade bem definida – somos a competição de monolugares eléctricos, eles são a combustão. Isso facilita a vida aos fãs e ao mercado.”

A expectativa em torno do Gen4 é elevada: será o monolugar que poderá catapultar a Fórmula E para patamares de popularidade e reconhecimento semelhantes aos da Fórmula 1. Dodds acredita que todos os ingredientes estão reunidos: “Estamos a crescer a todos os níveis – receitas, base de fãs, audiência televisiva. Com um calendário maior e um carro verdadeiramente competitivo, só precisamos de continuar a puxar pelo espectáculo.”

O próximo passo será a estreia do Gen4 e de novas pistas já em 2026-27, com a Fórmula E a posicionar-se como a principal montra da mobilidade eléctrica no desporto motorizado. O campeonato poderá alterar significativamente a hierarquia entre equipas, sobretudo aquelas com maior capacidade de adaptação aos novos desafios técnicos. Os olhos estarão postos nos construtores de fábrica, como Porsche, Jaguar e Nissan, que perseguem o domínio face à aproximação cada vez maior à Fórmula 1 – não só em performance, mas também na conquista dos adeptos globais do automobilismo.

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