Aston Martin e Honda reúnem-se para reagir a resultados decepcionantes

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O ambiente na garagem da Aston Martin ficou marcado pela frustração após o Grande Prémio de Espanha, com a equipa britânica a sair de Barcelona sem pontos e a Honda a mostrar sinais de preocupação quanto ao progresso conjunto. O encontro “de equipa” entre responsáveis da Aston Martin e da Honda no paddock espanhol veio lançar ainda mais dúvidas sobre a capacidade de resposta numa fase crucial do Mundial de Fórmula 1.

No Circuito da Catalunha, Fernando Alonso terminou a corrida no 12.º lugar, a mais de 45 segundos do vencedor, Max Verstappen (Red Bull), que completou as 66 voltas em 1h28m20,227s. Lance Stroll ficou logo atrás do colega de equipa, na 14.ª posição. A Aston Martin, que apostava em regressar à luta pelos lugares cimeiros, viu-se incapaz de acompanhar o ritmo dos rivais diretos, como a McLaren, Mercedes e Ferrari. A qualificação já tinha dado sinais preocupantes: Alonso e Stroll não foram além do 15.º e 16.º lugares, respetivamente, ficando a mais de um segundo da pole position de Lando Norris (McLaren).

A ausência de pontos em Espanha reforçou as dúvidas sobre a competitividade do AMR24, especialmente num momento em que a Aston Martin procura consolidar a sua posição no campeonato de construtores. Com apenas 58 pontos após nove provas, a equipa de Silverstone vê a McLaren e a Mercedes a distanciar-se e a Ferrari a consolidar a perseguição à Red Bull na frente. O resultado surge depois de um fim de semana difícil no Mónaco, onde Alonso conseguiu o primeiro ponto da temporada para a Aston Martin, mas salientou de imediato: “Não há nada para celebrar, precisamos de respostas e soluções.” A pressão interna é crescente, até porque a Honda, parceira técnica da equipa e fornecedora das unidades motrizes, está ansiosa para ver progressos antes da entrada em vigor do novo regulamento de motores em 2026.

Após a corrida, Alonso não escondeu a desilusão: “No início do ano pensávamos que íamos lutar por pódios, mas neste momento estamos a lutar para entrar nos pontos. É frustrante, mas temos de ser realistas. Precisamos de um desenvolvimento agressivo e de compreender onde estamos a perder face aos nossos rivais.” Mike Krack, diretor de equipa, reforçou no rescaldo do Grande Prémio: “O nosso ritmo de corrida não foi suficiente. Temos de analisar profundamente todos os dados e trabalhar em conjunto com a Honda para recuperar terreno. Acreditamos no nosso projeto, mas sabemos que a concorrência não dá tréguas.” Já Koji Watanabe, presidente da Honda Racing Corporation, foi direto: “Esperávamos mais deste início de temporada. Temos reuniões agendadas para acelerar o desenvolvimento e ajudar a Aston Martin a regressar aos lugares que ambiciona.”

O encontro de trabalho entre a Honda e a Aston Martin em Barcelona teve como objetivo alinhar estratégias e acelerar o desenvolvimento de atualizações técnicas. A Honda, que fornecerá motores exclusivamente à Aston Martin a partir de 2026, quer garantir que a equipa mantém uma curva ascendente de evolução e que não perde o comboio dos regulamentos futuros. Em paralelo, a Aston Martin está a reforçar a estrutura técnica, tendo admitido internamente que a segunda metade da época será decisiva para avaliar o futuro de alguns elementos-chave do projeto.

A próxima etapa do Mundial é o Grande Prémio da Áustria, em Spielberg, onde se espera que o AMR24 beneficie de algumas pequenas atualizações já testadas em Barcelona. O objetivo da Aston Martin passa por regressar aos pontos e inverter a tendência descendente das últimas provas. Se não o conseguir, arrisca-se a ver a sua posição ameaçada por equipas como a RB e a Haas, que têm mostrado sinais de melhoria. Para a Honda, o sucesso da parceria é fundamental para justificar o investimento no regresso a tempo inteiro à Fórmula 1. As próximas semanas serão, assim, decisivas para o futuro da Aston Martin e para a confiança da Honda numa parceria que, até agora, tarda em concretizar o potencial prometido.

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