Alpine procura recuperar protagonismo na Fórmula 1 com nova identidade

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Pierre Gasly devolveu à Alpine o protagonismo ao conquistar um inesperado pódio no Grande Prémio do Mónaco, fechando o círculo de uma das recuperações mais surpreendentes da temporada 2026 da Fórmula 1. Após um período atribulado marcado por mudanças constantes no topo da estrutura e maus resultados em pista, a formação de Enstone volta a afirmar-se como uma força sólida no meio do pelotão, sublinhando uma reviravolta há muito esperada pelos adeptos franceses e não só.

No traçado citadino do Principado, Gasly cortou a meta em terceiro lugar, depois de uma penalização controversa ter sido revertida em recurso, permitindo-lhe subir de novo ao pódio. O francês assinou a volta mais rápida do dia em 1m14,263s, terminando a 18,4 segundos do vencedor, Max Verstappen (Red Bull), e a apenas 3,2 segundos de Lando Norris (Aston Martin), segundo classificado. Franco Colapinto, colega de equipa de Gasly, terminou em oitavo, confirmando a consistência do A526 e a evolução da Alpine neste Campeonato do Mundo de Fórmula 1. O resultado permitiu à Alpine consolidar o quinto lugar no Mundial de Construtores, superando adversários directos como Racing Bulls e Haas.

Este regresso à competitividade surge após um ciclo de instabilidade que quase atirou a Alpine para o fundo do paddock em 2025. A mudança de motorização para Mercedes, a aposta num novo conceito de chassis com suspensão dianteira de tirante (pull-rod) e a entrada de figuras experientes como Steve Nielsen (director-geral) e o polémico Flavio Briatore (assessor executivo) transformaram o ambiente em Enstone. A equipa mostra-se agora capaz de desafiar as construtoras do meio do pelotão e, pontualmente, intrometer-se na luta pelos pódios.

A importância destes resultados vai muito além das estatísticas. Para Gasly, este é o reconhecimento do trabalho árduo em tempos difíceis: “É, sem dúvida, o melhor carro que já conduzi na Fórmula 1”, afirmou o piloto francês após o GP da China, onde também brilhou ao defender-se de Max Verstappen durante mais de 30 voltas. “A equipa fez um trabalho extraordinário na recuperação. Sinto finalmente que posso lutar de igual para igual com os melhores.” Steve Nielsen, director-geral da Alpine, partilhou o optimismo: “Tivemos um excelente teste no Bahrain, mas a Austrália deixou-nos dúvidas. Estes resultados provam que demos um passo em frente. Toda a equipa sente que faz parte de algo especial e isso atrai os melhores talentos para Enstone.”

Franco Colapinto, que enfrentou críticas e enorme pressão mediática ao ser promovido a titular a meio de 2025, parece finalmente mais confortável. Em Miami, superou Gasly em ritmo puro, e em Mónaco garantiu pontos sólidos. Nielsen comentou: “Falámos muito com o Franco. O início do ano foi difícil, mas o regresso à Argentina e uma pequena pausa parecem ter feito a diferença. Está mais confiante e isso reflete-se na pista.”

O regresso de Briatore, figura envolta em polémica desde o escândalo de Singapura 2008, foi alvo de críticas, mas os resultados falam por si. A sua influência foi decisiva para convencer Nielsen a assumir o projecto e para reestruturar uma equipa técnica que, durante anos, sofreu com instabilidade. Com a chegada de David Sanchez como director técnico e a optimização dos recursos aerodinâmicos – potenciados pelo novo regulamento e pelo aumento do tempo de túnel de vento graças ao último lugar em 2025 – a Alpine capitalizou a oportunidade para recuperar terreno.

No horizonte, mantêm-se algumas incertezas quanto ao futuro accionista da equipa, uma vez que a participação minoritária da Otro Capital está em processo de venda e persistem rumores sobre um eventual interesse da Mercedes. No entanto, a prioridade declarada em Enstone é agora a estabilidade e o crescimento sustentado, sem promessas irrealistas de “planos a cinco anos” ou “100 corridas para o título”. Como frisou Nielsen: “Só com estabilidade e foco é possível atrair os melhores engenheiros e garantir resultados. Tem sido uma batalha difícil, mas estamos finalmente a colher os frutos.”

A próxima paragem será o Grande Prémio da Catalunha, palco onde a Alpine espera confirmar a resolução dos problemas de equilíbrio em curvas rápidas, um dos pontos fracos identificados em Suzuka. Novas evoluções no pacote aerodinâmico, nomeadamente uma asa dianteira revista, estão agendadas para Barcelona. A expectativa é que a equipa consiga manter ou mesmo melhorar a quinta posição no campeonato, reduzindo distâncias para Aston Martin e Ferrari.

Em suma, a Alpine parece finalmente ter encontrado a fórmula certa para regressar ao topo da Fórmula 1. Com Gasly motivado e em alta, Colapinto em ascensão e uma estrutura técnica agora robusta, os sinais apontam para um futuro mais risonho em Enstone. A escalada é longa, mas a montanha já não parece intransponível.

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