Carlos Sainz não escondeu a frustração após um Grande Prémio de Espanha particularmente difícil para a Williams, lançando um apelo direto e exigente à equipa para acelerar o desenvolvimento e inverter rapidamente o ciclo de resultados dececionantes. O espanhol, que se juntou à formação de Grove nesta época com grandes expectativas, começa a questionar o futuro do seu projeto, face ao ritmo lento da evolução do FW48 e à crescente especulação sobre uma possível saída em direcção à Audi.
No circuito de Barcelona-Catalunha, palco da nona ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 2024, a Williams voltou a evidenciar as suas limitações. Carlos Sainz terminou apenas no 12.º lugar, duas voltas atrás do vencedor, enquanto Alex Albon viu a sua corrida transformada numa sessão de testes devido a um problema insólito com a câmara do carro, acabando 11 voltas atrás e sem classificação. A equipa saiu de Espanha sem pontos, mantendo-se no oitavo posto do Mundial de Construtores, com 11 pontos conquistados em nove provas e o melhor resultado do ano a ser um oitavo lugar no Mónaco. O fosso para as equipas do meio do pelotão agravou-se, com Sainz a referir: “Na verdade, a diferença para o meio do pelotão é exatamente, mais ou menos, o que esperávamos. Viemos para uma pista onde há curvas de média e alta velocidade, e temos um grande problema nessas condições. Em Suzuka estivemos ainda mais afastados, a meio circuito de distância.”
A pressão interna cresce, numa altura em que a Williams procura redefinir-se como candidata a vitórias, apontando 2026 como o ano do possível relançamento competitivo. A entrada de Sainz era vista como um sinal dessa ambição, mas o piloto de Madrid começa a ponderar alternativas – nomeadamente a Audi, apesar desta já ter Nico Hülkenberg e Gabriel Bortoleto sob contrato para 2027. Em Barcelona, Sainz foi claro quanto às necessidades da estrutura: “Sei o que aí vem, e normalmente os desenvolvimentos nesta equipa costumam funcionar. Mas, ao mesmo tempo, não tenho a certeza se será suficiente para reduzir o fosso que temos neste tipo de pistas. Precisamos de fazer mais do que já estamos a fazer. Cada semana é fundamental para encontrar pontos de carga aerodinâmica ou eliminar quilos de peso. Sei que a equipa está a dar tudo, estamos todos a puxar ao máximo.”
James Vowles, chefe de equipa da Williams, reconheceu abertamente o momento delicado: “As coisas não correram como planeado até agora. Estamos a trabalhar arduamente para reduzir o peso do carro e encontrar performance, mas não existe uma solução milagrosa.” O investimento da Dorilton Capital tem sido significativo, mas os resultados continuam aquém do esperado, com as fragilidades do FW48, sobretudo em curvas rápidas, a ficarem expostas em pistas como Barcelona. Apesar da introdução de uma nova asa traseira e pequenas evoluções no modo Straight Mode, os ganhos foram residuais. Sainz observou: “Mesmo que melhoramos, os outros também melhoram. Trouxemos atualizações para Miami e Canadá, mas é preciso duplicar esse esforço.”
O calendário não oferece tréguas, com Sainz a admitir que a Áustria poderá ser ligeiramente mais favorável, mas a antever dificuldades redobradas em Silverstone, Spa e Hungria: “A Áustria será um pouco melhor, mas não me deixa muito encorajado, porque depois voltamos a estas pistas e voltamos a sofrer. Temos de perceber que Barcelona é uma excelente pista para medir a performance de um carro. Estivemos entre 1,6 e 1,9 segundos dos líderes e quase sete décimos dos primeiros carros do meio do pelotão. Esse é o nosso alvo.”
Para a Williams, o desafio imediato passa por acelerar o desenvolvimento e evitar nova série de resultados negativos, sob pena de perder o contacto com o pelotão intermédio. Sainz, com o seu discurso direto, coloca a pressão do lado da estrutura técnica, enquanto o mercado de pilotos começa a fervilhar com rumores em torno do seu nome. A próxima ronda será no Red Bull Ring, onde a Williams espera tirar partido das características do traçado, embora Sainz alerte para a volatilidade da competitividade: “É um alívio temporário ir a pistas como Canadá, Mónaco ou Áustria, mas depois vem Silverstone, Spa e Hungria e voltamos à estaca zero.” O campeonato entra agora numa fase crucial, onde cada ponto poderá ser determinante não só nas contas do Mundial, mas também no futuro de Carlos Sainz e da própria Williams dentro da Fórmula 1.
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