Vasseur recusa falar em título apesar do triunfo de Hamilton em barcelona

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Lewis Hamilton relançou a luta pelo título ao vencer de forma categórica o Grande Prémio de Espanha, em Barcelona, reduzindo significativamente a vantagem de Andrea Kimi Antonelli no campeonato. O piloto britânico, ao serviço da Ferrari, capitalizou na perfeição a desistência do líder do campeonato e recolocou-se na disputa pelo ceptro, após já ter subido ao segundo lugar da classificação geral no rescaldo do Mónaco.

Na prova catalã, Hamilton impôs-se com autoridade, terminando com uma vantagem de 7,4 segundos sobre o segundo classificado, beneficiando ainda de um Virtual Safety Car estrategicamente oportuno. Antonelli, da Mercedes, viu-se obrigado a abandonar devido a problemas mecânicos, permitindo ao britânico recuperar 25 pontos na luta pelo título. Charles Leclerc, colega de equipa de Hamilton, ficou com o terceiro lugar, consolidando a forte prestação da Scuderia Ferrari num fim-de-semana em que o SF-26 mostrou claros progressos. O evento, integrado no Campeonato do Mundo de Fórmula 1, decorreu no Circuito de Barcelona-Catalunha, palco de temperaturas extremas que colocaram à prova a gestão de pneus de todas as equipas.

A vitória de Hamilton reacende as expectativas em torno da Ferrari, mas o director da equipa, Frédéric Vasseur, mantém-se cauteloso quanto a qualquer euforia prematura. “Há duas semanas diziam que era um desastre, agora já se fala no campeonato do mundo,” sublinhou Vasseur, recusando alimentar especulações sobre o favoritismo da equipa ou de Hamilton. “Esta é a pior abordagem que posso ter. O nosso foco é ir para a Áustria exactamente com a mesma mentalidade que tivemos em Barcelona, sem pensar no campeonato nem projectar vitórias futuras. Nunca o farei.” As palavras do dirigente francês são um claro aviso para o ambiente volátil da Fórmula 1, onde a percepção pública oscila rapidamente em função dos resultados semanais.

Recorde-se que, antes da prova de Barcelona, muitos analistas – incluindo o campeão em título, Lando Norris – apontavam a Ferrari como favorita para o Mónaco, dada a eficácia do SF-26 em curvas de baixa velocidade. “Honestamente, acho que a Ferrari vai conquistar a pole na próxima semana em Monte Carlo,” afirmou Norris após o Grande Prémio do Canadá. Contudo, nem Hamilton nem Leclerc conseguiram melhor que o terceiro e quarto lugares na grelha, ficando atrás de Antonelli e Verstappen. Em corrida, o Mercedes de Antonelli evidenciou clara superioridade, mas em Barcelona a história foi diferente graças à evolução técnica da Ferrari.

A Scuderia apresentou um pacote de melhorias significativo, aproximando-se do ritmo da Mercedes, algo que foi determinante para o desfecho da corrida. A gestão de pneus revelou-se um dos trunfos da equipa italiana, mas Vasseur apela à prudência: “É preciso ter atenção. Não é por termos um bom fim-de-semana que vamos dominar todos os outros. As condições em Barcelona eram extremas e no Canadá já tinham sido difíceis, mas por motivos opostos. Na Áustria poderá ser algo mais normal.” O francês reforça que a degradação dos pneus é um factor limitativo e variável, com desempenhos diferentes consoante o composto e o momento da corrida.

No horizonte está a possibilidade de a Ferrari receber luz verde da FIA para continuar a desenvolver a sua unidade motriz através do mecanismo ADUO, o que pode abrir novas portas para ganhos de performance. Andrea Stella, chefe de equipa da McLaren, sugeriu mesmo que a Ferrari terá agora o chassis mais forte do pelotão, embora a Mercedes mantenha vantagem no que toca ao motor. “Se a Ferrari tivesse um motor mais potente, iria envergonhar a concorrência,” comentou Norris, referindo-se ao potencial do conjunto italiano.

Apesar disso, Vasseur prefere gerir expectativas quanto ao impacto de um eventual motor melhorado: “Tenham calma com isso. O importante é que estamos a ir na direcção certa. Tivemos um óptimo fim-de-semana no Canadá, bom em Mónaco e em Barcelona o ritmo foi excelente desde o início. Conseguimos lutar com ambos os carros pela pole position, o que é um bom sinal.” O director da Ferrari lembra ainda que, ao contrário do que sucedia no passado, Barcelona já não é garantia de domínio para o resto da época. “Penso que este ano o campeonato vai depender da capacidade de desenvolvimento das equipas, não da fotografia de Barcelona. Trouxemos algo novo este fim-de-semana, os outros trarão novidades em Silverstone, e nós também teremos mais novidades em breve.”

Segue-se o Grande Prémio da Áustria, onde todas as equipas tentarão capitalizar o que aprenderam nas últimas corridas. A luta pelo título está mais aberta que nunca, com Hamilton a encurtar distâncias e a Ferrari a mostrar sinais de recuperação. Antonelli precisa de uma resposta rápida para manter o comando, enquanto Red Bull e McLaren não escondem a intenção de regressar aos lugares cimeiros. A incerteza e o equilíbrio prometem manter-se nas próximas rondas, numa temporada em que o desenvolvimento técnico pode ser o factor decisivo para a conquista do campeonato.

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