Leclerc ultrapassado por Hamilton nos últimos quatro grandes prémios

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Lewis Hamilton voltou a afirmar-se como o elemento dominante da Ferrari no mais recente conjunto de Grandes Prémios, relegando Charles Leclerc para segundo plano dentro da própria equipa. O piloto britânico terminou consistentemente à frente do monegasco nas últimas quatro provas, incluindo a corrida Sprint do Canadá, acentuando uma tendência que começa a marcar a temporada 2024 do Campeonato do Mundo de Fórmula 1.

No rescaldo do Grande Prémio do Canadá, Hamilton garantiu a sua melhor posição no campeonato deste ano, mostrando-se particularmente forte tanto em qualificação como em ritmo de corrida. Leclerc, por seu lado, viu-se incapaz de contrariar o andamento do britânico, terminando atrás do seu colega de equipa em todas as sessões decisivas. Hamilton é agora segundo classificado no Mundial, com 115 pontos, menos 41 do que o surpreendente líder Andrea Kimi Antonelli. Leclerc caiu para quarto, com 75 pontos, já a 40 pontos do seu companheiro de equipa e cada vez mais pressionado por Carlos Sainz, que surge logo atrás na tabela.

Esta inversão de papéis na Ferrari tem profundas implicações para o equilíbrio interno da equipa. Se no ano passado Leclerc era o indiscutível ponto de referência da Scuderia, este ano vê-se confrontado com um Hamilton revitalizado, a assumir a liderança do plantel. A rivalidade interna intensificou-se, com Leclerc a sentir a pressão de ter, pela primeira vez desde que chegou à Ferrari, um colega de equipa capaz de o superar de forma tão consistente e regular. Recordes internos e estatísticas individuais começam a pesar, numa altura em que a Ferrari procura recuperar o protagonismo no campeonato.

Pino Allievi, jornalista italiano e profundo conhecedor dos bastidores da Fórmula 1, analisou o momento delicado de Leclerc num Q&A recente. “Nos últimos quatro Grandes Prémios – incluindo a Sprint do Canadá – Leclerc esteve sempre atrás de Hamilton”, sublinhou Allievi, realçando os dados que sustentam a atual fase do monegasco. O jornalista recorda ainda que Leclerc estava habituado a ser o 'rei' da Ferrari: “Era o único e verdadeiro ponto de referência da equipa na época passada. Não digo que se tenha acomodado, mas estava numa posição muito confortável. Todos pensávamos que, com um carro competitivo este ano, seria ele o homem de ataque, mas surgiu um Hamilton agressivo, positivo e fortíssimo em qualificação”.

Sobre a dificuldade de Leclerc em lidar com a ascensão do seu colega de equipa, Allievi explicou: “Hoje, Leclerc sofre com Hamilton, talvez porque o subestimou e nunca aceitou que alguém pudesse ser mais rápido do que ele na equipa. Quando Sainz o superava, sofria imenso, nunca suportou ver-se atrás, ficava inquieto. Não é invejoso, mas sente a superioridade de quem, com o mesmo carro, consegue igualar ou superar as suas prestações”. Questionado sobre o que Leclerc pode fazer para inverter esta tendência, Allievi aconselha: “Precisa de reencontrar a concentração, como Hamilton fez no inverno. Tem de desaparecer, procurar o silêncio e reencontrar-se. Tem de voltar a ser o Leclerc que conhecemos”. Ainda assim, Allievi não deixa de acreditar nas qualidades do monegasco: “Apesar de tudo, penso que, em termos absolutos, Leclerc continua a ser mais veloz do que o Hamilton atual. Precisa apenas de entrar numa mentalidade de campeão, tal como Hamilton quando dispõe de um carro capaz de lutar pelo título”.

Olhando para o que se segue no campeonato, a próxima ronda será crucial para Leclerc. Com o Grande Prémio da Áustria ao virar da esquina, o monegasco terá de responder à altura, sob pena de ver Hamilton consolidar ainda mais o seu estatuto de líder dentro da Ferrari e de candidato ao título mundial. A diferença pontual começa a ser preocupante e cada sessão de qualificação e corrida ganha agora um peso acrescido na luta pelo topo. Para a Ferrari, manter o equilíbrio na dupla de pilotos será essencial para não perder terreno para a Mercedes e para o jovem Antonelli, que continua a surpreender na liderança do campeonato.

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