Max Verstappen voltou a ser o centro das atenções no universo da Fórmula 1, após Jacques Villeneuve, campeão do mundo em 1997, o ter descrito como “o último soldado que resta” na Red Bull, uma equipa actualmente a atravessar um período de profunda reestruturação interna e resultados aquém das expectativas. O neerlandês, que conquistou quatro títulos mundiais consecutivos entre 2021 e 2024, enfrenta agora uma realidade completamente diferente, numa época em que a Red Bull se vê incapaz de acompanhar o ritmo dos principais rivais e perdeu grande parte dos pilares da sua antiga estrutura vencedora.
Após as sete primeiras provas do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, Verstappen soma apenas um pódio, um registo impensável para quem dominou a modalidade nos últimos anos. No recente Grande Prémio de Barcelona-Catalunha, o piloto da Red Bull voltou a demonstrar o seu talento, mas a equipa não teve argumentos para lutar pelos lugares cimeiros, terminando fora do top três. A diferença para o vencedor da prova, Lewis Hamilton ao volante do Ferrari, foi de mais de 20 segundos, um fosso significativo para quem esteve habituado a liderar com autoridade.
A instabilidade interna é notória e tem sido marcada por saídas de peso: Christian Horner (diretor de equipa), Jonathan Wheatley (diretor desportivo), Adrian Newey (responsável técnico) e Helmut Marko (consultor e mentor do programa de jovens pilotos) já não fazem parte da estrutura. Para agravar a situação, Gianpiero Lambiase, engenheiro de corrida de Verstappen desde 2016, prepara-se para se transferir para a McLaren em 2028. Este esvaziamento de figuras-chave levou Villeneuve a afirmar, em declarações à Sky F1: “Eles precisam de encontrar uma forma de o manter lá, porque ele é a única coisa boa na equipa neste momento. Tirando o motor, porque, como se viu, a parte térmica do motor é muito boa.”
Villeneuve sublinhou ainda o ambiente político e a falta de liderança no seio da Red Bull: “Tornou-se um local muito político nos últimos dois ou três anos. Parece que há demasiada luta interna sobre quem vai liderar, quem faz o quê, e toda a gente foi afastada. É muito difícil antever um bom futuro para a Red Bull. Perdeu o brilho.” O canadiano foi mais longe ao dizer: “Já não se fala da Red Bull como aquela equipa louca, divertida e rápida, que encontrava sempre uma solução. Agora só se fala do Max. Felizmente ele está lá, porque ainda consegue tirar o máximo do carro. Mas já não se fala da equipa, apenas do Max. Isso é duro.”
O ex-campeão mundial alertou também para os riscos de isolamento do piloto neerlandês: “Eles despediram todos os que fizeram desta equipa o que ela é hoje, o que é estranho, porque até o Max chegou depois da equipa ter sido construída. Agora ele é o último soldado. Isso torna tudo muito difícil, porque ele não pode carregar a equipa sozinho. Não é um designer – é muito bom a desenvolver o carro, dizendo o que precisa, mas precisa das pessoas certas à volta dele.”
Com o programa de jovens pilotos praticamente esquecido e uma estrutura técnica em reconstrução, Villeneuve questionou o futuro: “Tudo foi, de certa forma, destruído e tem de ser reconstruído. Mas como será feita essa reconstrução? Para isso, é preciso esperar que todas as questões políticas se resolvam.”
O Campeonato do Mundo segue agora para o Grande Prémio da Áustria, onde a Red Bull procurará inverter a tendência negativa. Verstappen mantém-se na luta pelo título, mas a diferença pontual para os principais adversários começa a preocupar, numa altura em que a Ferrari e a McLaren mostram sinais de consistência e evolução. Se a Red Bull não conseguir recuperar rapidamente a competitividade e estabilizar a sua estrutura, poderá não só ver o domínio de Verstappen ameaçado, como também enfrentar o risco de perder o seu maior activo para equipas rivais, num mercado de pilotos cada vez mais dinâmico e imprevisível.
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