Isack Hadjar voltou a sofrer com um arranque desastroso no Grande Prémio de Espanha, perdendo oito posições nos primeiros metros e caindo do sexto para o 14.º lugar, apesar de ter recuperado até ao sexto posto final. Esta dificuldade recorrente está a gerar frustração no seio da Red Bull, com o jovem francês a lançar um apelo urgente à equipa para simplificar o procedimento de largada, que considera demasiado complexo e pouco fiável face à concorrência.
No Circuito da Catalunha, em Barcelona, Hadjar terminou a prova na sexta posição, depois de uma recuperação notável ao longo das 66 voltas, mas a sua prestação ficou marcada pelo mau arranque. A vitória pertenceu a Max Verstappen, da Red Bull, com um tempo total de 1:28:20.257, seguido por Lando Norris (McLaren) a 2,219 segundos e Lewis Hamilton (Mercedes) a 17,790 segundos do vencedor. Hadjar cruzou a linha da meta a 48,332 segundos do compatriota e colega de equipa, depois de protagonizar várias ultrapassagens e beneficiar de uma estratégia agressiva de paragens nas boxes. O Grande Prémio de Espanha, oitava ronda do Mundial de Fórmula 1, volta assim a evidenciar a diferença entre o desempenho da Red Bull em corrida e a sua vulnerabilidade nas largadas.
A irregularidade dos arranques da Red Bull tornou-se um dos temas quentes deste início de temporada, com consequências diretas na luta pelo título de construtores e de pilotos. Max Verstappen, apesar de liderar confortavelmente o campeonato, também já experienciou arranques menos conseguidos, o que permitiu à Mercedes e à McLaren aproximarem-se em diversas provas. Hadjar, por seu lado, sente que o potencial do RB20 está a ser desperdiçado por um sistema de largada que, segundo o piloto, exige uma precisão quase sobre-humana. “Precisamos melhorar os nossos arranques, não é possível continuar assim”, afirmou Hadjar após a corrida, em declarações à F1 TV. “Em todos os fins de semana de corrida é sempre a mesma história. Hoje foi um pesadelo, mas durante todo o fim de semana tive dificuldades. É mesmo nesse ponto que temos de trabalhar, porque todos fizeram progressos. Por isso, sim, o procedimento é demasiado difícil. A janela operacional é demasiado estreita. Acho que, dos seis arranques que fizemos durante todo o fim de semana, o da corrida foi o pior. O motor morreu-me duas vezes, o que nunca me tinha acontecido em toda a época. Por isso, sim, precisamos de resolver estes problemas porque o procedimento é demasiado complicado. Não sou um computador, não sou uma máquina, não consigo ter uma precisão de 0,0001%. Não está a funcionar.”
As palavras de Hadjar, proferidas no final de mais um fim de semana frustrante, ecoam as preocupações já expressas por Verstappen noutros contextos. O campeão do mundo em título também destacou a necessidade de simplificar o processo e permitir aos pilotos focarem-se mais na execução do arranque e menos na gestão de parâmetros eletrónicos e embraiagens sensíveis. A pressão sobre os engenheiros de Milton Keynes aumenta, sobretudo porque rivais directos como a Mercedes parecem ter dado um passo em frente, apresentando arranques mais consistentes e menos sujeitos a falhas.
O próximo desafio será o Grande Prémio da Áustria, no Red Bull Ring, uma pista onde a largada é crucial devido à curta distância até à primeira curva e à elevada competitividade do pelotão. Caso a Red Bull não encontre rapidamente uma solução para este problema, arrisca-se a perder terreno face aos adversários diretos, não só na luta pelas vitórias como também na consolidação da liderança nos campeonatos. Hadjar deixa um aviso claro: “Temos de encontrar uma solução já na próxima corrida, senão vamos continuar a perder lugares importantes logo no arranque”.
Para já, a Red Bull mantém o comando dos dois campeonatos, mas a margem vai-se reduzindo à medida que os erros se acumulam e as outras equipas capitalizam as falhas. O desfecho do fim de semana em Barcelona reforça a urgência de uma resposta interna e coloca ainda mais pressão sobre a estrutura técnica da Red Bull, que terá de provar que consegue adaptar-se rapidamente para não comprometer o domínio conquistado nos últimos anos. O pelotão segue agora para a Áustria, onde o arranque pode voltar a ser decisivo.
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