Lewis Hamilton conquistou uma vitória imponente no Grande Prémio de Espanha, disputado no Circuito de Barcelona-Catalunha, relançando a luta pelo título e trazendo novo entusiasmo à Mercedes. Apesar da euforia natural que se viveu no paddock após a bandeira de xadrez, Frédéric Vasseur, diretor de equipa da Ferrari, fez questão de manter os pés bem assentes na terra, sublinhando que o caminho até ao topo do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 ainda é longo e incerto.
No final da corrida, Hamilton cruzou a linha de meta na primeira posição, registando um tempo total de 1:28:45.213, seguido de perto por Max Verstappen, da Red Bull, a 2,7 segundos, e Carlos Sainz, da Ferrari, a completar o pódio com mais 6,1 segundos de desvantagem para o britânico. O resultado em Barcelona insere-se na oitava ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 2024 e marca o segundo pódio consecutivo para a Ferrari, após o bom desempenho no Mónaco e no Canadá. Charles Leclerc, contudo, foi forçado a abandonar devido a problemas de fiabilidade no seu monolugar, hipotecando as hipóteses da equipa italiana de garantir ainda mais pontos.
Esta vitória de Hamilton é particularmente significativa, pois interrompe um ciclo de domínio da Red Bull em Barcelona e coloca a Mercedes novamente na rota da competitividade. Para a Ferrari, os dois pódios consecutivos representam uma resposta positiva às dificuldades sentidas no início da temporada, mas Vasseur recusa qualquer euforia desmedida. “Não sei se lhe chamaria um sonho, mas este é um dia muito bonito para a equipa e para todos. Para o Lewis e para todos os rapazes na fábrica. Contudo, temos de ter em mente que estão a trabalhar como loucos e é assim que os podemos recompensar – é a melhor forma. Certamente é uma boa maneira de lançar a temporada europeia: tivemos o Mónaco na semana passada, dois pódios consecutivos entre Mónaco e Canadá, o que é muito positivo porque demonstrámos ter andamento para lutar pela pole position ontem”, afirmou Vasseur numa entrevista à Sky após a corrida.
O diretor de equipa da Ferrari fez ainda questão de afastar qualquer favoritismo prematuro: “O mais importante é não começarmos a dizer que somos campeões do mundo – há duas semanas não estávamos em lado nenhum e hoje também não somos campeões. Temos de manter a mesma abordagem nas próximas corridas, como tivemos hoje, e precisamos de máxima concentração e atenção aos detalhes.” Vasseur insistiu que o método de trabalho não se alterará independentemente dos resultados: “O meu método não vai mudar entre o Canadá e a Áustria só porque vencemos hoje. Conheço o volume de trabalho produzido em casa, sabemos o que estamos a fazer – por vezes há resultados, outras vezes não. Temos de trabalhar sempre em equipa nos bons dias, mas sobretudo nos maus e difíceis. Foi isso que fizemos nos últimos meses, mesmo que nem sempre fôssemos tão fortes como hoje.”
Sobre o abandono de Leclerc, Vasseur foi claro ao ilibar o piloto monegasco: “Obviamente não é agradável quando não se termina a corrida, mas hoje não foi culpa dele, foi um problema de fiabilidade. O lado positivo para o Charles é que hoje tinha muito mais confiança com o carro, ontem cometeu um erro, mas o ritmo estava lá. Penso que seria capaz de lutar pela pole position e o ritmo que demonstrou no início da corrida era muito forte – recuperou posições e temos de olhar para a sua temporada desta forma. Este fim de semana foi muito positivo, sobretudo em comparação com o Canadá, onde teve dificuldades em confiar no carro.”
Questionado sobre a relevância do desempenho em Barcelona para o resto do campeonato, Vasseur foi cauteloso: “Ser forte em Barcelona significava sê-lo em todo o lado nos últimos 25 anos, mas não creio que isso seja verdade este ano. O desempenho será determinado pela capacidade de desenvolver o carro e acrescentar prestações a cada duas ou três corridas. Claro que é melhor ter um carro competitivo hoje do que um que não anda, mas o mais importante é manter a capacidade de evoluir para os próximos eventos.”
Por fim, Vasseur comentou as declarações de Toto Wolff, chefe da Mercedes, que previu um duelo entre Mercedes e Ferrari até ao final do campeonato: “O Toto diz isso porque quer ter o ‘ADUO’ (disse a rir). Mas é precisamente esse tipo de coisa que devemos evitar. Temos de pensar no carro e nos pilotos, dar-lhes o melhor monolugar possível e não pensar nas expectativas externas. Temos de abordar cada corrida uma de cada vez até ao final da temporada.”
Com o Campeonato do Mundo de Fórmula 1 a encaminhar-se agora para o Grande Prémio da Áustria, a luta pelo título está mais aberta do que nunca. Hamilton relança as aspirações da Mercedes, Verstappen mantém-se firme na liderança e a Ferrari, apesar dos contratempos, demonstra sinais claros de recuperação. A próxima ronda promete intensificar as rivalidades, e cada ponto conquistado poderá ser determinante para as contas finais do campeonato.
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