Honda aplaude mudanças nas regras dos motores de F1 para 2027

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A decisão da FIA de alterar as regras dos motores para a Fórmula 1 foi recebida com agrado pela Honda, que se tornou o primeiro fabricante de unidades motrizes a pronunciar-se publicamente sobre a nova divisão de potência entre os componentes eléctricos e o motor de combustão. Após meses de discussões intensas e críticas abertas de pilotos como Max Verstappen e Lando Norris, a FIA anunciou que, a partir de 2027, a proporção entre a energia eléctrica e a potência do motor de combustão passará de 50:50 para 53:47, antecipando uma transição para 60:40 em 2028. Esta alteração tem como objectivo responder às preocupações quanto ao equilíbrio e competitividade das novas gerações de motores híbridos.

No rescaldo deste anúncio, o Grande Prémio de Miami já tinha sido palco dos primeiros rumores sobre um possível consenso, ainda que tanto a Audi como a Ferrari tivessem demonstrado reservas sobre o novo regulamento. As negociações intensificaram-se entre a FIA, a Fórmula 1 e os cinco fabricantes de unidades motrizes actualmente envolvidos no campeonato: Audi, Ferrari, Honda, Mercedes HPP e Red Bull Powertrains. O acordo agora alcançado, sujeito à ratificação formal pelo Conselho Mundial do Desporto Motorizado a 23 de Junho, promete redefinir o panorama técnico da Fórmula 1 a partir de 2027, com impacto directo nos tempos de volta e no desenvolvimento dos monolugares.

A Honda, através de Shintaro Orihara, Director de Pista e Engenheiro-Chefe, reagiu oficialmente às mudanças. “É difícil de dizer,” confessou Orihara aos jornalistas presentes, entre eles da imprensa internacional especializada. “Diria que o nosso objectivo passa por obter mais potência do motor, mas considero que as alterações anunciadas pela FIA são um passo razoável do ponto de vista das unidades motrizes.” Orihara acrescentou ainda que o recente relatório ADUO, que posicionou a Red Bull Powertrains como a referência actual em termos de desempenho do motor de combustão interna, foi recebido com desportivismo e sentido de justiça por parte da Honda: “Recebemos informação da FIA, analisámos os números e agora esperamos evoluir a nossa performance durante o verão. Estamos a trabalhar para melhorar a combustão. As nossas expectativas e os resultados da FIA estavam, de certa forma, alinhados, por isso considero que a RBPT fez um excelente trabalho e respeito o que alcançaram. O número que recebemos da FIA foi bastante justo para nós.”

Esta reconfiguração do regulamento técnico poderá trazer mudanças significativas na hierarquia do Mundial de Construtores. Equipas como a Red Bull, que actualmente lidera a tabela graças ao desempenho de Max Verstappen e à fiabilidade das suas unidades RBPT, poderão enfrentar uma concorrência mais feroz, sobretudo se Honda, Ferrari, Mercedes e Audi conseguirem aproveitar os “tokens” de desenvolvimento atribuídos para equilibrar o desempenho das suas unidades motrizes. O aumento do fluxo de combustível para o motor de combustão interna, factor essencial para a nova proporção, irá também influenciar a estratégia de corrida e a gestão de energia ao longo de cada prova.

Com o próximo Grande Prémio agendado para o histórico circuito de Silverstone, no Reino Unido, as atenções estarão voltadas para a adaptação das equipas a estas mudanças e para a evolução do campeonato. A luta pelo título de pilotos e construtores promete intensificar-se, com potenciais ganhos de posição para equipas que consigam extrair o máximo das novas especificações técnicas. O impacto destas alterações só será realmente sentido a partir de 2027, mas a preparação e o desenvolvimento já começaram nos bastidores, com todas as equipas a trabalhar afincadamente para garantir vantagem competitiva quando o novo regulamento entrar em vigor.

Assim, a Honda posiciona-se como uma das protagonistas desta nova era tecnológica da Fórmula 1, apostada em recuperar terreno face à concorrência e a desafiar o domínio actual da Red Bull Powertrains. Fica a expectativa para saber como cada fabricante irá responder a este “passo razoável” e que novas rivalidades ou surpresas poderá trazer à grelha do Mundial nos próximos anos.

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